Dólar fecha a R$ 4,03, maior nível desde setembro; Ibovespa cai mais de 1,5%
O estresse tomou conta dos mercados brasileiros nesta quinta-feira. As incertezas no front político local fizeram o dólar fechar acima de R$ 4,00 e quase derrubaram o Ibovespa para a faixa de 89 mil pontos

Quatro reais.
O dólar à vista já vinha flertando com essa marca há alguns dias, mas, até agora, a moeda americana atingia esse patamar e imediatamente perdia força. Ao fim do dia, sempre ficava abaixo do tão temido patamar.
A história foi diferente nesta quarta-feira (16). O dólar não só terminou a sessão na faixa de R$ 4,00 — ele foi além.
Em meio a um dia de ampla tensão no cenário político local (mais um), o dólar à vista terminou em alta de 0,98%, a R$ 4,0357. É o maior nível de fechamento para a moeda americana no mercado à vista desde 28 de setembro — portanto, antes do primeiro turno das eleições presidenciais —, quando terminou a R$ 4,0510.
Na máxima desta quinta-feira, o dólar bateu os R$ 4,0416 (+1,12%), maior nível intradiário desde 1º de outubro (R$ 4,0634). Com o desempenho de hoje, a moeda americana acumula alta de 4,25% desde o início de 2019.
Leia Também
O Ibovespa também sofreu com o pessimismo dos mercados em relação ao noticiário local. O principal índice da bolsa brasileira chegou a mergulhar aos 89.788,11 pontos na mínima do dia (-2,01%), mas conseguiu recuperar parte das perdas e encerrou acima dos 90 mil pontos por um fio de cabelo: no fechamento, caiu 1,75%, aos 90.024,47 pontos.
Incertezas
Por aqui, o clima tenso em Brasília e a percepção de que a articulação política do governo segue frágil trouxeram uma onda de pessimismo aos agentes financeiros. Afinal, há diversos focos de preocupação no radar dos mercados — e, na dúvida, uma postura mais defensiva acaba sendo adotada.
Um dos principais pontos de desconforto diz respeito às investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro apontando indícios de que o senador Flávio Bolsonaro — filho do presidente Jair Bolsonaro — teria se utilizado de processos de compra e venda de imóveis para promover lavagem de dinheiro.
Mas não é só isso. A forte adesão aos protestos populares na quarta-feira (15), a falta de apoio do governo no Congresso para votar projetos, a tensão na Câmara durante a audiência do ministro da Educação, Abraham Weintraub, a fraqueza da economia... tudo contribuiu para trazer cautela ao mercado.
"Esse cenário todo esbarra na questão da incerteza", diz Felipe Fernandes, analista da Toro Investimentos. "Quando o mercado não tem uma definição tão concreta quanto ao que pode acontecer, ele desfaz posições na renda variável — e isso impacta diretamente o Ibovespa".
Os mercados temem que a tramitação da reforma da Previdência seja afetada em meio ao tsunami que atinge o cenário político brasileiro nesta semana. Afinal, o otimismo que ditou os rumos do Ibovespa e do dólar nos primeiros meses de 2019 tinha como premissa a perspectiva de aprovação da proposta.
"Aqui dentro, continuamos sofrendo por causa dos ruídos políticos", diz Pablo Spyer, diretor da corretora Mirae Asset. Ele ainda destaca que declarações do diretor-executivo da Fitch Ratings para Brasil e Cone Sul, Rafael Guedes, também contribuíram para aumentar o pessimismo dos mercados.
Segundo o Broadcast, o representante da Fitch disse que a reforma da Previdência, sozinha, não vai resolver os problemas do Brasil, e que, sem crescimento, "o perfil de risco do País vai continuar sendo muito fraco".
Vale traz pressão extra
A turbulência no cenário político local já vinha pressionando o Ibovespa desde o início do dia, mas uma notícia referente à Vale derrubou os papéis da mineradora — e arrastou o índice como um todo.
A companha informou ao Ministério Público de Minas Gerais e outros órgãos do Estado que há uma nova barragem com risco iminente de se romper. Segundo a Vale, "foi verificada uma deformação [...] na Mina de Gongo Soco, em Barão de Cocais, passível de provocar a sua ruptura".
O documento ainda destaca que "permanecendo a velocidade de aceleração de movimentação do talude norte da Cava da Mina de Gongo Soco, sua ruptura poderá ocorrer no período de 19 a 25 de maio".
As ações ON da Vale (VALE3) vinham apresentando desempenho positivo nesta quinta-feira, beneficiadas pela alta de 2,33% no minério de ferro na China — na máxima do dia, os papéis chegaram a subir 2,04%. No entanto, após a divulgação da notícia, os ativos da empresa viraram para queda e fecharam com baixa de 3,23%.
A notícia provocou uma piora no sentimento dos investidores. Por volta de 15h15, o Ibovespa sustentava-se perto dos 91 mil pontos, mas perdeu força a partir dos desdobramentos envolvendo a Vale e tocou a mínima intradiária, aos 89.778,11 pontos, por volta de 16h45.
E a guerra comercial?
Segue sem grandes novidades e ainda inspira cautela — o Ministério do Comércio da China afirmou que não tem qualquer conhecimento sobre planos dos Estados Unidos para uma visita de autoridades a Pequim para continuar com as negociações comerciais.
Mas, apesar de a guerra comercial continuar no horizonte, as bolsas americanas tiveram um dia positivo: o Dow Jones (+0,84%), o S&P 500 (+0,89%) e o Nasdaq (+0,97%) subiram em bloco. E a chave desse bom humor está na economia americana.
Mais cedo, foram divulgados os dados referentes aos pedidos de auxílio-desemprego no país na semana ate o dia 11. Ao todo, foram 212 mil novas solicitações, abaixo da previsão de analistas ouvidos pelo The Wall Street Journal, de 220 mil.
Além disso, a construção de moradias inciadas nos Estados Unidos subiu 5,7% em abril ante março, também superando as expectativas dos analistas. "Os dados mostrando que a saúde da economia dos EUA está consideravelmente boa dão mais confiança aos mercados", diz Fernandes, da Toro, lembrando que as bolsas de Nova York vinham de quedas expressivas — o que facilita um movimento comprador.
Essa indicação de que a economia americana está forte também influenciou o comportamento do câmbio. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante uma cesta com as principais moedas do mundo, passou a tarde em alta.
O dólar também ganhou força ante a maior parte das divisas emergentes, como o peso mexicano, rand sul-africano, peso colombiano e peso chileno. Assim, o exterior teve alguma influência no comportamento do dólar no Brasil, mas analistas destacam que o cenário político interno foi o principal fator para determinar a alta de hoje.
Juros avançam
As curvas de juros ajustaram-se ao comportamento do dólar e à tensão no front local e fecharam em alta nesta quinta-feira. Os DIs com vencimento em janeiro de 2020 subiram de 3,39% para 6,43%, e os para 2021 tiveram alta de 6,84% para 6,92%. Na ponta longa, as curvas com vencimento em janeiro de 2025 foram de 8,61% para 8,72%.
Declarações do presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, também contribuíram para o movimento de ajuste nos DIs. Mais cedo, ele defendeu o controle da inflação pela autoridade monetária e que, sem confiança na estabilidade fiscal, é impossível manter os juros num patamar baixo — reforçando a estabilidade da Selic em 6,5% ao ano.
Agressividade
As ações ON da Marfrig (MRFG3) lideraram os ganhos do Ibovespa nesta quinta-feira, em alta de 7,87%. A empresa reportou seu balanço trimestral, mas o que chamou a atenção dos analistas e do mercado foram as projeções agressivas do frigorífico para 2019.
A empresa irá perseguir uma receita líquida consolidada entre R$ 47 bilhões e R$ 49 bilhões neste ano — o que, considerando os pouco mais de R$ 10 bilhões registrados nessa linha nos primeiros três meses de 2019, implica em receitas de cerca de R$ 12 bilhões a R$ 13 bilhões por trimestre até o fim do ano.
Faltou gás
A Ultrapar, dona da rede de postos Ipiranga, reportou lucro líquido de R$ 243 milhões no primeiro trimestre deste ano, um crescimento de 232,8% na base anual. Ainda assim, a cifra ficou abaixo da média das projeções de analistas ouvidos pela Bloomberg, que apontava para um ganho de R$ 257 milhões no período.
Os analistas também mostraram pouco entusiasmo com outros pontos do balanço. Com isso, as ações ON da empresa (UGPA3) fecharam em queda de 4,48%, o quarto pior desempenho do índice.
CSN sorri
O mercado fugiu da Vale e foi correndo para a CSN, numa espécie de movimento de substituição. A lógica é simples: com a Vale sofrendo com problemas e incertezas, a opção é partir para uma empresa semelhante — e a CSN é a empresa que mais se aproxima disso na bolsa brasileira, já que possui operações relevantes no setor de mineração.
Nesse movimento, os papéis ON da CSN (CSNA3) ganharam fórça na reta final do pregão e fecharam em alta de 4,61%, o segundo melhor desempenho do Ibovespa hoje.
Baixa altitude
Com o dólar rompendo a barreira dos R$ 4,00, as ações da Gol e da Azul tiveram um dia bastante negativo. Companhias aéreas, em linhas gerais, sofrem bastante com a valorização da moeda americana, já que boa parte de seus custos é dolarizada.
Com isso, Gol PN (GOLL4) teve a maior queda do Ibovespa, fechando em baixa de 7,41%. Azul PN (AZUL4), por sua vez, recuou 3,84%.
Blue chips recuam
As blue chips — ações de grande peso individual na composição do Ibovespa e liquidez elevada — recuaram em bloco nesta quinta-feira, em meio à tensão que tomou conta dos mercados locais.
As ações PN da Petrobras (PETR4), por exemplo, tiveram queda de 2,36%, enquanto as ONs (PETR3) caíram 1,91%, na contramão do petróleo: no exterior, o Brent fechou em alta de 1,18% e o WTI subiu 1,37%.
Os papéis dos bancos seguiram tom semelhante: Itaú Unibanco PN (ITUB4) recuou 1,29%, Bradesco PN (BBDC4) teve perda de 1,17%, Bradesco ON (BBDC3) caiu 1,81%, Banco do Brasil ON (BBAS3) fechou com baixa de 3,12% e as units do Santander Brasil (SANB11) tiveram queda de 2,60%.
NOVO RECORDE
Petrobras (PETR4) supera R$ 700 bilhões em valor de mercado, o maior da história. O que impulsionou a ação?
3 de outubro de 2026 - 15:15BOM HUMOR NA BOLSA
Às vésperas das eleições, só 8 ações do Ibovespa caíram na semana. Hapvida (HAPV3) e outras 6 têm alta de dois dígitos
3 de outubro de 2026 - 11:45MAIS OTIMISMO COM O PAPEL
Bank of America vê potencial de alta de 64% para a JBS (JBSS32) e calcula a renda extra para o investidor
2 de outubro de 2026 - 19:32TOUROS E URSOS #290
Ibovespa a 200 mil pontos? Gestor diz o que pode acontecer com seus investimentos se Lula ou Flávio vencerem
2 de outubro de 2026 - 18:30FECHAMENTO DOS MERCADOS
No último pregão antes das eleições, Ibovespa dispara, chega nos 192 mil pontos e sobe 2,63%
2 de outubro de 2026 - 17:36POR QUE É TÃO IMPORTANTE?
Mais petróleo na Margem Equatorial: Petrobras (PETR4) anuncia nova descoberta e confirma boa qualidade do óleo encontrado em agosto
2 de outubro de 2026 - 10:50Conteúdo BTG Pactual
Fundo multimercado que já rendeu CDI + 4,36% desde sua criação segue na ‘contramão’ das tendências; conheça
1 de outubro de 2026 - 14:00PODCAST TOUROS E URSOS
Eleições podem levar o Ibovespa acima de 200 mil pontos? A visão de Rodrigo Glatt, sócio da gestora GTI
1 de outubro de 2026 - 11:32BALANÇO DO MÊS
Tesouro Direto dispara em setembro com retorno de mais de 5% — mas outro investimento toma a dianteira e fica no topo do ranking
30 de setembro de 2026 - 19:16FECHAMENTO DOS MERCADOS
O vento a favor que fez o Ibovespa decolar 4 mil pontos, inverter o sinal e fechar setembro no azul
30 de setembro de 2026 - 17:49MESMO QUE 'DÊ RUIM'
Faça chuva ou faça sol nas urnas: JP Morgan seleciona ações que podem ganhar com o melhor ou o pior resultado eleitoral
30 de setembro de 2026 - 13:05TAG SUMMIT
Não tem tempo ruim para a infraestrutura: as empresas preferidas da Perfin para atravessar crises e juros altos
29 de setembro de 2026 - 17:53PRÊMIO DE RISCO
Dólar a R$ 4,80? As pistas que as últimas eleições na América Latina dão para o desempenho do real
28 de setembro de 2026 - 18:45VISÃO DO GESTOR
“Não se ganha dinheiro comprando o que é popular”: onde a Inter Asset está vendo pechinchas na bolsa brasileira
27 de setembro de 2026 - 12:01INTER INVEST SUMMIT
Ações “órfãs” na bolsa, juros altos e uma armadilha no crédito: onde investir em 2027, segundo especialistas
26 de setembro de 2026 - 18:08RALI NA B3
Ibovespa a 207 mil pontos? Especialista do Inter diz o que pode destravar a bolsa brasileira após as eleições
25 de setembro de 2026 - 16:40ALÉM DA BOLSA
Os fundos imobiliários cetipados vieram para ficar? Entenda por que eles estão em alta e o que você precisa saber antes de investir
25 de setembro de 2026 - 15:54SETOR DE AUTOPEÇAS
JP Morgan pisa no freio e rebaixa Frasle (FRAS3) para venda. Analistas preferem outras 3 ações que podem saltar até 69%
25 de setembro de 2026 - 13:18MAIS AQUISIÇÕES
TRXF11 enche o carrinho de novo e paga R$ 2,83 bilhões, mas FII cai na bolsa; veja o que entra no portfólio
24 de setembro de 2026 - 13:02O OUTRO LADO DA MOEDA