🔴 ONDE INVESTIR 2026: ESTRATÉGIAS DE ALOCAÇÃO, AÇÕES, DIVIDENDOS, RENDA FIXA, FIIS e CRIPTO – ASSISTA AGORA

Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos
Daniele Madureira

Daniele Madureira

Daniele Madureira é jornalista freelancer. Formada pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero, tem pós-graduação em Jornalismo Social pela PUC-SP. Foi editora-assistente do site Valor Online, repórter dos jornais Valor Econômico, Meio & Mensagem e Gazeta Mercantil. Colaborou com as revistas Exame, Capital Aberto e com a edição do livro Guia dos Curiosos.

Bom, mas nem tanto

Mercosul e União Europeia: acordo para ‘liberar geral’ o comércio pesa na bolsa?

A receita vai crescer, mas as cotas continuam nos produtos considerados “sensíveis”, que envolvem um prazo maior para implantação das normas, de até 15 anos. Na lista está justamente o agronegócio.

Daniele Madureira
Daniele Madureira
16 de julho de 2019
5:49 - atualizado às 12:31
União Europeia e Mercosul
União Europeia e Mercosul - Imagem: Shutterstock

A primeira vez que eu visitei a Itália foi em 2008. Minha tia, casada com um italiano, fez questão de me ciceronear por Florença, terra natal do marido. Em uma das lojas do centro da cidade, me apaixonei por uma bela bota de camurça. Na época, custava algo em torno de 80 euros – muito caro para o meu bolso. Tentei barganhar (a indefectível mania dos brasileiros) e o sisudo vendedor não gostou da minha estratégia. Disse que aquele era um legítimo produto italiano e, como tal, tinha o seu preço. Não era como o tênis que eu usava, feito na China – ironicamente, era um Fila, a tradicional marca italiana que, ao contrário do que o “maleducato” vendedor achava, havia sido produzido no Brasil.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Eu acabei levando a bota e fiquei pensando naquele italiano. Em 2008, toda a Europa sentia o peso do gigante asiático. A economia chinesa crescia 9% ao ano, enquanto os países ricos patinavam na recessão. Depois de ingressar em 2001 na Organização Mundial do Comércio (OMC), após 15 anos de negociações, os chineses mostraram ao mundo que era possível fazer tudo rápido, em larga escala e a preços competitivos, ainda que a qualidade fosse questionável.

Após o anúncio do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul no fim de junho, depois de 20 anos de conversas, fico imaginando o que o vendedor italiano diria. A Europa é naturalmente protecionista e muito zelosa da sua agricultura – setor em que o Brasil se destaca no comércio internacional, assim como a pecuária. Parte dos europeus teme, realmente, que o acordo possa gerar um “efeito China” sobre seus negócios – latinos vendendo produtos competitivos no continente, mas com lastro socioambiental duvidoso. Mas será que o Brasil já tem motivos para comemorar a futura expansão do agronegócio em terras europeias? E a nossa indústria de bens de consumo estaria pronta para atingir o padrão europeu de qualidade?

Depois de ouvir analistas e especialistas em comércio exterior, a resposta é não – pelo menos, por enquanto. É claro que a redução de tarifas nos médio e longo prazos é positiva para a entrada de produtos brasileiros no Velho Mundo. A receita vai crescer, mas as cotas continuam nos produtos considerados “sensíveis”, que envolvem um prazo maior para implantação das normas, de até 15 anos. E boa parte desses produtos são justamente os do agronegócio, como carnes, açúcar e etanol.

“Tudo ainda é muito incipiente”, lembra Antônio Barreto, analista do Itaú BBA. “Como não sabemos os detalhes, nem como se dará a implantação das normas durante os próximos 10 anos [período de transição previsto para a maioria dos produtos], o acordo não é suficiente para mudar a nossa recomendação sobre as ações das empresas exportadoras”, diz. De acordo com o analista, a recente alta envolvendo as ações dos frigoríficos estão relacionadas diretamente às notícias sobre a febre suína na China.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Leia Também

Cotas continuam

No agronegócio, as regras do acordo com a União Europeia envolvendo o setor de carnes são as mais relevantes para a indústria: haverá uma cota de 99 mil toneladas de carne bovina para todo o bloco do Mercosul; 180 mil toneladas para carne de frango e 25 mil toneladas para carne suína. Hoje, 1% do total exportado pelos produtores de carne do Mercosul vão para a União Europeia; a partir do acordo, esse montante deve subir para 4%, diz Barreto. “É bom, mas não transformacional”, diz. “Ninguém vai ficar rico do dia para noite”, afirma.

Os outros dois produtos mais relevantes para o agronegócio no acordo – açúcar e álcool – também deixam a desejar em volume, diz Ribeiro. A cota para o açúcar continua a mesma de 180 mil toneladas, o que representa 1% da produção brasileira. “A diferença é que se consegue um preço médio melhor”, afirma. Já em relação ao etanol, o Brasil vai poder exportar ao bloco europeu o equivalente a 2% sua produção. “O mercado doméstico é muito mais importante para a indústria de etanol”, diz.

Ainda no caso das carnes, não está claro até o momento como será a divisão da cota entre os países latinos que integram o Mercosul – Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. “O lado positivo é que a ‘cota Hilton’, imposta pela Europa sobre cortes bovinos de alta qualidade, deixa de existir”, afirma Barreto. Assim, as 99 mil toneladas que chegarão ao continente europeu serão de maior valor agregado.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Para Luciana Carvalho, analista do Banco do Brasil, as medidas anunciadas no acordo devem beneficiar o agronegócio de forma gradativa. “Com tamanhas indefinições no momento, só esse fato não muda nossa recomendação”, diz a analista, em relação às ações das empresas do setor.

As próprias empresas ainda estão reticentes em relação ao acordo com os europeus. O Seu Dinheiro entrou em contato com 12 companhias listadas na bolsa para saber das suas expectativas e preparativos. São empresas que atuam em setores apontados por especialistas com potencial para se beneficiarem das novas regras entre os blocos. Apenas três responderam: Marfrig, BRF e SLC. Também foram contatadas JBS, Cosan/Raízen, São Martinho, Embraer, Suzano, Vale, Natura, Arezzo e Camil. A maioria não quis se pronunciar.

Na visão de Miguel Gularte, presidente da Marfrig na América do Sul, “as expectativas são muito boas”, embora o rateio interno de cada país nas cotas não tenha sido definido. “Com certeza, vamos ter aumento nas exportações, já que a Marfrig possui plantas habilitadas no Brasil, Uruguai e Argentina para exportar para Europa. E ainda somos detentores da maior cota Hilton na América do Sul”, afirmou. “Vamos trabalhar nosso pricing e as estratégias, como sempre fazemos, e nos adiantar às oportunidades”.

Para a BRF, o acordo “é positivo e irá fortalecer o país com impactos benéficos para o setor agropecuário”, respondeu a companhia, em comunicado. “O trabalho realizado pelo Itamaraty, com participação direta da Ministra da Agricultura, Tereza Cristina, é positivo para o cenário econômico deste e dos próximos anos, mesmo não sendo possível avaliar o impacto para a empresa neste momento”.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Já a SLC Agrícola respondeu que não tem “quase nenhum negócio com a Europa”, uma vez que tem como foco a Ásia, e que não traçou “nenhum plano específico” após as recentes mudanças no comércio mundial.
Para o economista Carlos Braga, professor da Fundação Dom Cabral, a distribuição da eficiência é desigual na indústria brasileira. “A Natura, por exemplo, não tem nada a temer”, diz. “Para as companhias que estão mais próximas à fronteira tecnológica, será mais fácil se adaptar ao novo ambiente competitivo ao longo dos próximos 10 a 15 anos”, afirma.

Na opinião do economista Mauro Rochlin, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), é importante saber se e como o acordo vai pôr fim às barreiras fitossanitárias impostas ao Brasil. “É algo que afeta a confiabilidade da indústria e nos últimos anos serviu como barreira burocrática, dificultando a entrada dos produtos brasileiros na Europa”, diz.

Por outro lado, o economista diz temer os efeitos do acordo sobre a indústria nacional, em especial o setor automobilístico – o Mercosul vai eliminar a tarifa de importação de automóveis ao longo de 15 anos. “A indústria brasileira, de maneira geral, tem baixa competitividade e estará exposta a uma concorrência muito maior”, diz. “Eu não sei se esse prazo é suficiente para compensar as décadas perdidas”.

Em suma, os europeus estão longe de “liberar geral” para os latinos. E há um longo tempo de maturação do acordo pela frente – começando pelo período para aprovação das medidas pelo parlamento de todos os países envolvidos. Mas nada impede que, numa futura visita à Europa, eu encontre um belo par de sapatos brasileiros nas vitrines italianas. Para mim, soaria como “una piccola vendetta”.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
MÁQUINA DE MILIONÁRIOS VIRTUAL

Lotofácil volta do Carnaval com o samba no pé e deixa 2 vencedores a poucos meses do primeiro milhão de reais; Mega-Sena pode pagar R$ 72 milhões hoje

19 de fevereiro de 2026 - 7:01

Os ganhadores do concurso 3615 da Lotofácil efetuaram suas apostas por meio dos canais eletrônicos da Caixa Econômica Federal.

LONGO CAMINHO

Como é a “Casa da Tesla”, que ganhou fama por causa de Elon Musk, mas ainda está longe chegar ao Brasil

18 de fevereiro de 2026 - 15:38

Até o momento, apenas 15 dos 50 estados dos Estados Unidos podem receber o módulo que ficou conhecido como a “casa da Tesla”

SEM QUERER, VIROU MILIONÁRIO

Menino de 10 anos faz investimento acidental em inteligência artificial e transforma cem dólares em US$ 70 milhões anos depois

18 de fevereiro de 2026 - 11:36

Menino da Malásia comprou domínio com as iniciais de seu nome em 1993; anos depois ganhou milhões com o investimento

QUEM RECEBE?

Rombo no FGC continua a escalar: fundo deve desembolsar quase R$ 5 bilhões após liquidação do Banco Pleno

18 de fevereiro de 2026 - 10:07

Segundo o FGC, cerca de 160 mil credores poderão ser ressarcidos após a liquidação do Banco Pleno; veja os próximos passos

LOTERIAS

Com R$ 72 milhões em jogo, Mega-Sena volta do Carnaval com prêmio mais alto da semana, mas destaque de hoje é a +Milionária

18 de fevereiro de 2026 - 8:40

Como a Mega-Sena só corre amanhã, a +Milionária é a loteria da Caixa com o maior prêmio em jogo na noite desta quarta-feira (28), mas outras modalidades também prometem prêmios milionários hoje. Confira os valores.

MERCADO DE COMMODITIES

A alta do petróleo tem prazo de validade? Descubra o que pode mudar o cenário, segundo o Citi

17 de fevereiro de 2026 - 12:01

Sem acordo entre EUA e Irã, Brent pode seguir firme; com diplomacia, banco projeta queda e reação da Opep+

AS APARÊNCIAS ENGANAM

Milionários discretos: aprenda a interpretar os sinais de que alguém tem muito mais dinheiro do que aparenta

17 de fevereiro de 2026 - 10:21

Pode ser que você conheça alguém que é milionário e nem percebeu por causa dos hábitos dessas pessoas

LEÃO À ESPREITA

IRPF 2026: estes são os documentos que você precisa reunir para a declaração de imposto de renda deste ano

16 de fevereiro de 2026 - 17:55

Com declaração pré-preenchida ou sem, o indicado é reunir todos os documentos e revisar as informações antes de submetê-las ao Fisco

ALÍVIO NO CAIXA

Maior fôlego para o Banco do Brasil? BNDES aprova R$ 7,5 bilhões para renegociações de dívidas no agronegócio

16 de fevereiro de 2026 - 17:25

Linha subsidiada pelo Tesouro busca dar fôlego ao agronegócio e reduzir risco de retração na produção

PLANTAS FALANTES

Que fertilizante é esse? Jardim permite que visitantes conversem com plantas que respondem perguntas

16 de fevereiro de 2026 - 10:27

Não tem o menor problema conversar com uma planta. Isso só é um problema se você ouvir uma resposta, diria um psiquiatra. Mas não se você estiver no Jardim Botânico da Universidade de Cambridge, na Inglaterra. Pode até parecer mentira, mas visitantes do jardim podem conversar com o total de 20 plantas e, o mais […]

BOMBOU NO SD

A conta do Master chega para o Banco do Brasil (BBAS3), o calendário do Pé-de-Meia em fevereiro e o brilho de um sol artificial: os destaques da semana

15 de fevereiro de 2026 - 15:12

A tormenta do Banco do Brasil, a fatura da crise do Banco Master e o Pé-de-Meia foram destaque no Seu Dinheiro; veja as matérias mais lidas dos últimos dias

LEÃO DE OLHO

IRPF 2026: gastos no cartão de crédito podem levar à malha fina — saiba como declarar no imposto de renda

15 de fevereiro de 2026 - 14:03

A Receita Federal mantém uma fiscalização forte sobre as operações de crédito, que obriga as instituições financeiras a reportarem movimentações que ultrapassem R$ 2 mil mensais

LOTERIAS

Teimosinha dá samba: aposta insistente ganha na Lotofácil, enquanto prêmio da Mega-Sena salta a R$ 72 milhões

15 de fevereiro de 2026 - 10:07

Enquanto a Quina e a Mega-Sena acumularam, a Lotofácil fez três vencedores ontem. Confira os números sorteados nas principais loterias da Caixa Econômica Federal

SEM BENEFÍCIO ESPECIAL

STF barra aposentadoria especial para vigilantes; benefício traria conta de R$ 154 bilhões ao INSS em 35 anos

14 de fevereiro de 2026 - 17:30

Segundo Alexandre de Moraes, o Supremo decidiu, em 2019, que guardas municipais não têm direito à aposentadoria especial por atividade de risco, e vigilantes não poderiam ter mais benefícios

TEM ATÉ PORTA-AVIÕES

Forças Armadas dos EUA se preparam para operações no Irã que podem durar semanas

14 de fevereiro de 2026 - 16:30

Exército se prepara para a possibilidade de operações prolongadas caso o presidente Donald Trump ordene um ataque contra o Irã

VAZAMENTO DE DADOS

Banco Central alerta: quais dados foram expostos em vazamento de mais de 5 mil chaves Pix do Agibank?

14 de fevereiro de 2026 - 15:21

Banco Central informa que 5.290 chaves Pix do Agibank tiveram dados cadastrais expostos após falha pontual no sistema da instituição

QUAL O PROBLEMA

O mundo rico deveria temer a “Brasilificação” da economia, diz The Economist

14 de fevereiro de 2026 - 14:30

O mundo rico deveria temer as consequências de juros altos para a economia, de olho nos problemas que essas taxas geram no Brasil

GUARDIÃ

Nem São Paulo nem Rio: a capital com aluguel mais caro do Brasil acaba de substituir Brasília por alguns dias

13 de fevereiro de 2026 - 16:22

Uma alteração momentânea no ano passado fez a cidade se tornar a primeira capital cerimonial do país no século XXI

PRESENTE PARA OS CONCURSEIROS

Salários iniciais de até R$ 13 mil e mais de 270 vagas: IFCE divulga concurso público para técnicos e professores

13 de fevereiro de 2026 - 15:34

O Instituto Federal do Ceará (IFCE) divulgou dois editais de concurso público voltados a professores e técnicos administrativos

MERCADO DE TRABALHO

78,1% dos brasileiros estão satisfeitos com o trabalho, mas falta uma coisa para a satisfação ir a 100%

13 de fevereiro de 2026 - 14:04

Dados do FGV IBRE revelam a maior insatisfação dos trabalhadores brasileiros

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar