Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos
Daniele Madureira

Daniele Madureira

Daniele Madureira é jornalista freelancer. Formada pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero, tem pós-graduação em Jornalismo Social pela PUC-SP. Foi editora-assistente do site Valor Online, repórter dos jornais Valor Econômico, Meio & Mensagem e Gazeta Mercantil. Colaborou com as revistas Exame, Capital Aberto e com a edição do livro Guia dos Curiosos.

Bom, mas nem tanto

Mercosul e União Europeia: acordo para ‘liberar geral’ o comércio pesa na bolsa?

A receita vai crescer, mas as cotas continuam nos produtos considerados “sensíveis”, que envolvem um prazo maior para implantação das normas, de até 15 anos. Na lista está justamente o agronegócio.

Daniele Madureira
Daniele Madureira
16 de julho de 2019
5:49 - atualizado às 12:31
União Europeia e Mercosul
União Europeia e Mercosul - Imagem: Shutterstock

A primeira vez que eu visitei a Itália foi em 2008. Minha tia, casada com um italiano, fez questão de me ciceronear por Florença, terra natal do marido. Em uma das lojas do centro da cidade, me apaixonei por uma bela bota de camurça. Na época, custava algo em torno de 80 euros – muito caro para o meu bolso. Tentei barganhar (a indefectível mania dos brasileiros) e o sisudo vendedor não gostou da minha estratégia. Disse que aquele era um legítimo produto italiano e, como tal, tinha o seu preço. Não era como o tênis que eu usava, feito na China – ironicamente, era um Fila, a tradicional marca italiana que, ao contrário do que o “maleducato” vendedor achava, havia sido produzido no Brasil.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Eu acabei levando a bota e fiquei pensando naquele italiano. Em 2008, toda a Europa sentia o peso do gigante asiático. A economia chinesa crescia 9% ao ano, enquanto os países ricos patinavam na recessão. Depois de ingressar em 2001 na Organização Mundial do Comércio (OMC), após 15 anos de negociações, os chineses mostraram ao mundo que era possível fazer tudo rápido, em larga escala e a preços competitivos, ainda que a qualidade fosse questionável.

Após o anúncio do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul no fim de junho, depois de 20 anos de conversas, fico imaginando o que o vendedor italiano diria. A Europa é naturalmente protecionista e muito zelosa da sua agricultura – setor em que o Brasil se destaca no comércio internacional, assim como a pecuária. Parte dos europeus teme, realmente, que o acordo possa gerar um “efeito China” sobre seus negócios – latinos vendendo produtos competitivos no continente, mas com lastro socioambiental duvidoso. Mas será que o Brasil já tem motivos para comemorar a futura expansão do agronegócio em terras europeias? E a nossa indústria de bens de consumo estaria pronta para atingir o padrão europeu de qualidade?

Depois de ouvir analistas e especialistas em comércio exterior, a resposta é não – pelo menos, por enquanto. É claro que a redução de tarifas nos médio e longo prazos é positiva para a entrada de produtos brasileiros no Velho Mundo. A receita vai crescer, mas as cotas continuam nos produtos considerados “sensíveis”, que envolvem um prazo maior para implantação das normas, de até 15 anos. E boa parte desses produtos são justamente os do agronegócio, como carnes, açúcar e etanol.

“Tudo ainda é muito incipiente”, lembra Antônio Barreto, analista do Itaú BBA. “Como não sabemos os detalhes, nem como se dará a implantação das normas durante os próximos 10 anos [período de transição previsto para a maioria dos produtos], o acordo não é suficiente para mudar a nossa recomendação sobre as ações das empresas exportadoras”, diz. De acordo com o analista, a recente alta envolvendo as ações dos frigoríficos estão relacionadas diretamente às notícias sobre a febre suína na China.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Leia Também

Cotas continuam

No agronegócio, as regras do acordo com a União Europeia envolvendo o setor de carnes são as mais relevantes para a indústria: haverá uma cota de 99 mil toneladas de carne bovina para todo o bloco do Mercosul; 180 mil toneladas para carne de frango e 25 mil toneladas para carne suína. Hoje, 1% do total exportado pelos produtores de carne do Mercosul vão para a União Europeia; a partir do acordo, esse montante deve subir para 4%, diz Barreto. “É bom, mas não transformacional”, diz. “Ninguém vai ficar rico do dia para noite”, afirma.

Os outros dois produtos mais relevantes para o agronegócio no acordo – açúcar e álcool – também deixam a desejar em volume, diz Ribeiro. A cota para o açúcar continua a mesma de 180 mil toneladas, o que representa 1% da produção brasileira. “A diferença é que se consegue um preço médio melhor”, afirma. Já em relação ao etanol, o Brasil vai poder exportar ao bloco europeu o equivalente a 2% sua produção. “O mercado doméstico é muito mais importante para a indústria de etanol”, diz.

Ainda no caso das carnes, não está claro até o momento como será a divisão da cota entre os países latinos que integram o Mercosul – Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. “O lado positivo é que a ‘cota Hilton’, imposta pela Europa sobre cortes bovinos de alta qualidade, deixa de existir”, afirma Barreto. Assim, as 99 mil toneladas que chegarão ao continente europeu serão de maior valor agregado.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Para Luciana Carvalho, analista do Banco do Brasil, as medidas anunciadas no acordo devem beneficiar o agronegócio de forma gradativa. “Com tamanhas indefinições no momento, só esse fato não muda nossa recomendação”, diz a analista, em relação às ações das empresas do setor.

As próprias empresas ainda estão reticentes em relação ao acordo com os europeus. O Seu Dinheiro entrou em contato com 12 companhias listadas na bolsa para saber das suas expectativas e preparativos. São empresas que atuam em setores apontados por especialistas com potencial para se beneficiarem das novas regras entre os blocos. Apenas três responderam: Marfrig, BRF e SLC. Também foram contatadas JBS, Cosan/Raízen, São Martinho, Embraer, Suzano, Vale, Natura, Arezzo e Camil. A maioria não quis se pronunciar.

Na visão de Miguel Gularte, presidente da Marfrig na América do Sul, “as expectativas são muito boas”, embora o rateio interno de cada país nas cotas não tenha sido definido. “Com certeza, vamos ter aumento nas exportações, já que a Marfrig possui plantas habilitadas no Brasil, Uruguai e Argentina para exportar para Europa. E ainda somos detentores da maior cota Hilton na América do Sul”, afirmou. “Vamos trabalhar nosso pricing e as estratégias, como sempre fazemos, e nos adiantar às oportunidades”.

Para a BRF, o acordo “é positivo e irá fortalecer o país com impactos benéficos para o setor agropecuário”, respondeu a companhia, em comunicado. “O trabalho realizado pelo Itamaraty, com participação direta da Ministra da Agricultura, Tereza Cristina, é positivo para o cenário econômico deste e dos próximos anos, mesmo não sendo possível avaliar o impacto para a empresa neste momento”.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Já a SLC Agrícola respondeu que não tem “quase nenhum negócio com a Europa”, uma vez que tem como foco a Ásia, e que não traçou “nenhum plano específico” após as recentes mudanças no comércio mundial.
Para o economista Carlos Braga, professor da Fundação Dom Cabral, a distribuição da eficiência é desigual na indústria brasileira. “A Natura, por exemplo, não tem nada a temer”, diz. “Para as companhias que estão mais próximas à fronteira tecnológica, será mais fácil se adaptar ao novo ambiente competitivo ao longo dos próximos 10 a 15 anos”, afirma.

Na opinião do economista Mauro Rochlin, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), é importante saber se e como o acordo vai pôr fim às barreiras fitossanitárias impostas ao Brasil. “É algo que afeta a confiabilidade da indústria e nos últimos anos serviu como barreira burocrática, dificultando a entrada dos produtos brasileiros na Europa”, diz.

Por outro lado, o economista diz temer os efeitos do acordo sobre a indústria nacional, em especial o setor automobilístico – o Mercosul vai eliminar a tarifa de importação de automóveis ao longo de 15 anos. “A indústria brasileira, de maneira geral, tem baixa competitividade e estará exposta a uma concorrência muito maior”, diz. “Eu não sei se esse prazo é suficiente para compensar as décadas perdidas”.

Em suma, os europeus estão longe de “liberar geral” para os latinos. E há um longo tempo de maturação do acordo pela frente – começando pelo período para aprovação das medidas pelo parlamento de todos os países envolvidos. Mas nada impede que, numa futura visita à Europa, eu encontre um belo par de sapatos brasileiros nas vitrines italianas. Para mim, soaria como “una piccola vendetta”.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
VEJA O TOP 100

Natura (NATU3) segue no topo de ranking ESG pelo 12º ano consecutivo; Grupo Boticário e Mercado Livre (MELI34) completam o pódio

16 de abril de 2026 - 17:24

A nova edição do ranking de responsabilidade corporativa da Merco no Brasil traz um recorte mais detalhado por pilares — ambiental (E), social (S) e governança (G), mostrando a posição de cada empresa em todos eles

VAREJO EM ALERTA

Receita Federal mira 3 mil empresas em operação sobre PIS/Cofins que pode alcançar R$ 10 bi; Assaí (ASAI3) e Grupo Mateus (GMAT3) sentirão o impacto, diz JP Morgan

16 de abril de 2026 - 16:30

Notificação a milhares de companhias coloca créditos de PIS/Cofins em xeque e pode mexer com as estimativas do setor; veja o que dizem os especialistas

ESSA ELE NÃO PREVIU

Guru da Faria Lima, Nassim Taleb, assustou influencer Jade Picon com o tamanho de um de seus livros

16 de abril de 2026 - 16:15

A repercussão foi tamanha que Nassim Taleb, cuja fama costuma ser restrita ao mundo das finanças, respondeu a Jade Picon no X

LAR DOCE LAR

Quer financiar um imóvel? Veja os documentos exigidos e outras formas de comprovar renda

16 de abril de 2026 - 13:28

O financiamento imobiliário exige planejamento por representar décadas de dívidas e a organização de documentos é a primeira etapa; veja o que é preciso ter em mãos

INTERDIÇÃO JUDICIAL

Ex-presidente FHC é interditado pela Justiça: entenda o que é a interdição judicial e como ela funciona

16 de abril de 2026 - 12:53

Filho mais velho de FHC foi nomeado como curador provisório do pai, que sofre em grau avançado da doença de Alzheimer

CONSUMO NO BRASIL

Retail therapy? Pesquisa confirma o novo hábito de compras do consumidor brasileiro

16 de abril de 2026 - 11:19

Mais conectado, mais desconfiado e com menos paciência: o brasileiro digital não perdoa erro, demora ou taxa surpresa

TENSÃO GLOBAL

Governo abre acesso a R$ 15 bi em meio a tensões externas e Guerra no Oriente Médio — veja quem pode se beneficiar do Plano Brasil Soberano

16 de abril de 2026 - 10:44

O montante, anunciado em março deste ano, será direcionado a empresas consideradas estratégicas ou afetadas por choques externos

GRANDES PRÊMIOS DE CONSOLAÇÃO

Lotofácil 3662 acumula e prêmio aumenta bem, mas não chega nem perto dos R$ 52 milhões em jogo hoje na Mega-Sena 2997

16 de abril de 2026 - 7:20

Depois de acumular pela 2ª vez na semana, prêmio da Lotofácil cresce, mas nem faz cócegas nas estimativas para os próximos sorteios da Quina, da Timemania e da Mega-Sena, que também ocorrem hoje (16)

JÁ VAI COMEÇAR

Temporada de balanços do 1T26 bate à porta: confira as datas das divulgações e teleconferências das principais empresas da B3

16 de abril de 2026 - 6:03

Romi (ROMI3), Usiminas (USIM5) e Assaí (ASAI3) dão o pontapé na temporada, e Ruy Hungria, analista da Empiricus Research, conta o que esperar dos resultados do primeiro trimestre

É HOJE

Bolsa Família: pagamentos de abril começam hoje (16); veja o cronograma completo do benefício

16 de abril de 2026 - 5:44

Pagamento do Bolsa Família segue calendário por NIS, garante valor mínimo de R$ 600 e pode incluir adicionais

OUTRA ‘FOLGUINHA’

Dia de Tiradentes vem aí — e no início de maio já tem outro feriado; confira o calendário

16 de abril de 2026 - 5:43

No mesmo dia de Tiradentes, alguns estados também celebram feriados locais

BOTIJÃO GRATUITO

Governo planeja reajuste do Gás do Povo, antigo Auxílio Gás, para atenuar impacto da guerra no Irã

15 de abril de 2026 - 13:55

Reajuste do Gás do Povo pode chegar a R$ 10, de acordo com o ministro do Planejamento e Orçamento

TOUROS E URSOS #267

Economia no azul, brasileiro no vermelho: por que os dados não batem com o bolso da população?

15 de abril de 2026 - 12:50

No Touros e Ursos desta semana, André Loes, economista-chefe da Vivest, fala sobre porque essa conta não fecha e o peso desse descolamento nas eleições de 2026

‘SEM CANCELA’

Free-flow na Berlinda? Governo adia, mais uma vez, o início de operação de estradas livres de praças de pedágio; veja onde

15 de abril de 2026 - 11:48

Governo paulista adia de novo a cobrança automática do pedágio eletrônico em rodovias no interior de SP, incluindo a Castello Branco e a Raposo Tavares

VOTAÇÃO MAIS RÁPIDA

Fim da escala 6×1? Governo envia projeto com urgência para reduzir jornada a 40 horas semanais

15 de abril de 2026 - 10:14

Proposta mantém salários, amplia descanso e abre novo embate com setor produtivo

É HOJE

Abono salarial PIS/Pasep começa a ser pago a quem nasceu em março e abril; veja como receber o benefício

15 de abril de 2026 - 10:05

Pagamentos do abono salarial Pis/Pasep serão feitos via Caixa Econômica Federal ou Banco do Brasil nesta quarta-feira (15)

DESENCANTOU

Lotofácil 3661 tem 51 ganhadores, mas apenas um fatura prêmio milionário; Mega-Sena 2996 acumula e +Milionária promete R$ 35 milhões

15 de abril de 2026 - 6:48

Lotofácil foi a única loteria a ter ganhadores na rodada de terça-feira, 14 de abril. Além da Mega-Sena, a Quina, a Dia de Sorte e a Timemania também acumularam.

ATENÇÃO BENEFICIÁRIOS

Caixa inicia amanhã (16) o pagamento do Bolsa Família de abril; confira o calendário completo

15 de abril de 2026 - 5:43

Pagamento do Bolsa Família segue calendário por NIS, garante valor mínimo de R$ 600 e pode incluir adicionais

CANETAS EMAGRECEDORAS

Versões genéricas do Monjauro e do Ozempic têm registro negado pela Anvisa no Brasil; entenda o porquê

14 de abril de 2026 - 13:56

Até o momento, Anvisa recebeu pedidos de registro de 16 medicamentos à base de semaglutida e de sete que têm liraglutida como princípio ativo

CASA MAIS VIGIADA DO BRASIL

Globo abre inscrições para o BBB27 com o BBB26 ainda no ar; confira passo a passo de como se inscrever

14 de abril de 2026 - 11:14

Enquanto os brothers do BBB26 ainda entregam conteúdo, Globo já está de olho no BBB27

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia