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Faltou demanda

No 1º bimestre de 2019, 54% dos setores industriais brasileiros registraram queda na produção

Rafael Cagnin, do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial, afirma que a indústria brasileira está em um ciclo negativo decorrente, em parte, do alto índice de desemprego e da precarização do mercado de trabalho

Trabalhador da indústria
Trabalhador da indústria - Imagem: Shutterstock

O primeiro bimestre deste ano foi de retrocesso para mais da metade (54%) dos segmentos industriais do País. Mas a situação é ainda pior para setores como o de calçados e o têxtil, que acumulam perdas pelo menos desde outubro. Segundo representantes desses segmentos, a explicação para a queda na produção é simples: não há demanda.

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Até agora, no entanto, a trajetória mais preocupante é a dos fabricantes de bens intermediários, de acordo com o economista Rafael Cagnin, do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). Isso porque esse segmento já está em recessão técnica, quando se considera os resultados desde setembro do ano passado: são dois trimestres consecutivos de queda.

Outro motivo de apreensão, segundo o economista, é o fato de o setor ser fornecedor de insumos para outros ramos da indústria. "Os bens intermediários são o coração da indústria. Quando não vai bem é porque o panorama geral do setor está fraco", diz.

Cagnin afirma que a indústria brasileira está em um ciclo negativo decorrente, em parte, do alto índice de desemprego e da precarização do mercado de trabalho. Como grande parcela da população está sem uma fonte de renda fixa, acaba sem acesso ao crédito e reduzindo suas compras.

Recuo

Levando-se em conta apenas o primeiro bimestre, a indústria farmacêutica foi a que apresentou o pior desempenho, com um recuo de 12,3% na comparação com o mesmo período de 2018.

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Para o presidente executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), Nelson Mussolini, uma das causas dessa queda é que a economia costuma perder força em início de mandato presidencial, até que o governo consiga se organizar.

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Outro fator que ajuda a explicar o recuo na produção farmacêutica, diz Mussolini, é que o aumento dos preços dos medicamentos é concedido em abril, o que faz com que as empresas desacelerem nos primeiros meses do ano para aguardar o reajuste. Enquanto em 2018, a alta permitida pelo governo foi de 2,5%, em 2019 será de 4,3% - daí o impacto maior.

Na indústria têxtil, que também atravessa um período de dificuldades, nem as exportações têm salvado - já que grande parte da produção era destinada à Argentina, que está em recessão -, segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel. O setor registrou um retrocesso de 1,8% no primeiro bimestre, na comparação com o mesmo período do ano passado. "A realidade é que a economia não está andando na velocidade necessária", afirma o executivo.

No começo do ano, a Abit estimava que o segmento cresceria 3% este ano, acompanhando a evolução do Produto Interno Bruto (PIB). Agora, com as quedas nas projeções do PIB - no boletim Focus, do Banco Central, a projeção para o crescimento da economia, na semana passada, era de 1,98% -, a associação também reduziu seu número para 2%.

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*Com informações do jornal O Estado de S. Paulo.

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