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No ano, o IGP-M acumulou elevação de 4,09% e, em 12 meses, passou de 4,95% até agosto para 3,37% no período até setembro
A Fundação Getulio Vargas (FGV) anunciou hoje que o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), conhecida como a inflação do aluguel, caiu 0,01% em setembro. O resultado do mês reduz o ritmo de queda que vinha acompanhando o índice e que havia registrado um recuo de 0,67% em agosto.
No ano, o IGP-M acumulou elevação de 4,09% e, em 12 meses, passou de 4,95% até agosto para 3,37% no período até setembro.
O resultado do IGP-M foi composto por uma queda do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-M), de 0,09%, também menos intensa do que no mês anterior (-1,14%), e no Índice de Preços ao Consumidor (IPC-M), de 0,04% (ante alta de 0,23%).
Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M), avançou de 0,34% para 0,60% entre agosto e setembro. O IPA industrial seguiu com a tendência de deflação, embora também em ritmo reduzido: de 1,31% em agosto para 0,61% nesta divulgação. Em 12 meses, o setor tem alta de 3,63% nos preços e, no acumulado do ano, de 4,32%.
Ainda que tenha reduzido a deflação frente a agosto, o IGP-M de setembro registrou a menor taxa para o mês desde 2005 (-0,53%), diz o economista André Braz, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), que divulga o índice.
Braz acrescenta que a taxa próxima da estabilidade tampouco significa uma piora do cenário de inflação. Segundo o economista, tanto o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-M) quanto o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) devem fechar o ano próximos de 3,50%, o que também indica um desempenho do IGP-M bem aquém de 2018 (7,54%).
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No nono mês, segundo Braz, a deflação menor do IGP-M frente a agosto foi influenciada pela queda menos intensa de minério de ferro (-7,47% para -6,86%), e pela aceleração de soja (1,80% para 8,12%) e de derivados, como o farelo (-2,19% para 0,23%), assim como de milho (-2,82% para 0,38%). No caso dos grãos, o economista avalia que o encarecimento tem relação com a redução da oferta global.
Já houve também aumento de óleo diesel, de -0,57% para 3,56%, e de óleos lubrificantes (-0,21% para 1,17%), como resultado do reajuste de alta da Petrobras após o ataque a refinarias na Arábia Saudita.
Esse tem sido um dos únicos impactos da depreciação cambial sobre os preços, mesmo no atacado, diz Braz. O dólar médio subiu 5,28% entre agosto e setembro, mas o economista diz que o repasse tem sido muito limitado pela demanda fraca. "Pode ter alguma influência também sobre a aceleração de grandes commodities e de minério de ferro, mas não é a causa predominante."
Em outubro, a expectativa de Braz é de que o IGP-M volte a subir, com a continuidade dos aumentos de combustíveis, grãos e também com a expectativa de redução da deflação de alimentos in natura, tanto no IPA quanto no IPC, que registram recuo de 0,09% e 0,04% em setembro, respectivamente. Nesta sexta-feira, a Petrobras anunciou outro reajuste de gasolina, de 2,50%. No IPC de setembro, o derivado de petróleo ainda teve queda de 0,53%, após -0,43%.
"A gasolina deve ser uma pressão para outubro, como reflexo dos desdobramentos do ataque na Arábia Saudita, mas não deve ter fôlego para dominar o mês todo. Não será algo destacado, porque os aumentos não foram grandes, mas vai contribuir para aceleração do IPC e do IPA", avalia Braz.
A perspectiva de continuidade de encarecimento de grãos também deve se refletir em proteínas, acrescenta Braz, porque a soja é matéria-prima para a ração bovina e o milho, para a de frango.
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