Parte dos fundos multimercados já rende menos do que a poupança
Levantamento revela que, de janeiro a julho deste ano, mais de 500 fundos multimercados entregaram ao investidor rendimento inferior ao da caderneta

Juros baixos e elevadas taxas de administração têm derrubado a remuneração de fundos de investimento no Brasil. Levantamento feito para o Estadão/Broadcast revela que, de janeiro a julho deste ano, mais de 500 fundos multimercados entregaram ao investidor rendimento inferior ao da caderneta de poupança, que rendeu pouco mais de 2% no período. O mesmo fenômeno ocorre entre os fundos de ações: 110 carteiras não conseguiram surfar na alta de 16% da Bolsa paulista e ficaram atrás da poupança.
Ao contrário do passado, quando o rendimento de 1% ao mês era considerado fácil por muitos gestores, os números mostram que uma nova realidade se impôs à indústria de investimentos do Brasil. De um lado, gestores tentam fugir do menor juro da história com a busca por aplicações seguras e mais rentáveis. De outro, o setor não alterou comissões e taxas e continua cobrando porcentuais muito parecidos com os vistos quando o juro brasileiro estava em dois dígitos.
"O investidor precisa fazer pressão e mudar sua mentalidade. Ele também precisa entender que hoje só a referência do CDI (principal indicador da renda fixa e da indústria de investimento no Brasil) não importa", afirma o coordenador do mestrado em economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), Ricardo Rochman, que produziu o estudo, analisando 3.818 fundos multimercados e 1.540 carteiras de ações. Segundo ele, com a tendência de novas quedas nos juros à frente, a vigília por parte dos investidores deve redobrar.
A taxa Selic está em 6% ao ano e a referência do CDI gira em torno de 5,9% ao ano. Assim, a principal referência para os investimentos no Brasil foi de 3,6% de janeiro a julho de 2019.
Para piorar, as taxas de administração dos fundos não caíram e, proporcionalmente, acabam sendo cada vez maiores, porque abocanham parte maior do rendimento. Com juros de dois dígitos, essa cobrança era mais diluída e menos percebida. Nos fundos multimercados, a taxa mais comum é de 2% de administração acrescida de 20% de taxa de performance - ou seja, um pedágio adicional quando a rentabilidade é maior que a referência.
Leia Também
Uma conta rápida: se o fundo tem boa gestão e consegue pagar 110% do CDI, mas cobra 2% de taxa de administração, o rendimento que sobrará ao investidor será de 3,8% no ano.
O professor da FGV destaca que a melhor forma de o investidor analisar o fundo é manter atenção às taxas de administração e considerar o rendimento, usando como referência o CDI mais a rentabilidade adicional, ou seja: CDI (que hoje está em 5,9% ao ano) + x%. Dessa forma, defende o professor, fica mais fácil visualizar a rentabilidade.
O engenheiro Rodrigo Quaresma trocou os títulos do Tesouro por fundos, um deles é multimercado. Ele admite, porém, que poderia estar mais atento ao investimento. "Eu deveria acompanhar mais, mas falta tempo. Peço que os gerentes ou o pessoal da corretora acompanhe e me sinalize o que for necessário", conta. "Saí do Tesouro em parte porque as taxas não estavam me agradando quando comparadas ao rendimento. Mas é muito recente, ainda não sei se fiz um bom negócio."
Retorno baixo
O coordenador do Centro de Estudos em Finanças da FGV, William Eid Júnior, avalia que o principal problema é a baixa rentabilidade de uma grande parcela dos fundos e não as taxas cobradas em si.
De qualquer modo, ele reconhece que muitos gestores cobram a administração sem entregar nenhum diferencial. "Essas taxas só se justificam quando oferecem um retorno diferenciado. Se o fundo está entregando apenas o CDI, é melhor o investidor comprar o ETF (fundos negociados na Bolsa que buscam replicar uma carteira de ações que compõem determinado índice de mercado), que tem um custo baixo", comenta.
A consultora de investimentos da Órama, Sandra Blanco, afirma que o Brasil deverá seguir os passos já observados nos Estados Unidos, onde fundos multimercados e de ações começaram a reduzir as taxas de administração. Por aqui, o movimento começou nos fundos de renda fixa, com algumas casas zerando taxas de carteiras com papéis do Tesouro. No entanto, ela reconhece que é justificável a cobrança de 2% para fundos que trabalham com maior volatilidade, visto que é esse capital que remunera a gestora.
Ajuste
O vice-presidente da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), Carlos André, pondera que é natural que em determinado período uma parcela dos fundos não tenha desempenho positivo. Por isso, uma análise tem de ser feita utilizando uma janela maior de tempo, diz.
Em relação às taxas, André afirma que o mercado tende a se ajustar e uma mudança em relação às cobranças é decisão de cada participante e não da associação. (Colaborou Talita Nasciment)
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
ESTÁ NO PREÇO
O Brasil vai quebrar? Entenda por que o risco fiscal mexe com a renda fixa, as ações e até o dólar
22 de setembro de 2026 - 6:03DEPOIS DO ALERTA
Nvidia e outras empresas de IA enfrentam o “vale das sombras” após alerta da Anthropic; o que fazer com as ações?
21 de setembro de 2026 - 19:30MAIS SELETIVO
Safra pisa no freio e corta preço-alvo de 5 ações do setor imobiliário — e uma destoa ainda mais das outras
21 de setembro de 2026 - 16:30A ORDEM IMPORTA
Como fazer um ajuste fiscal de R$ 80 bilhões em 4 passos antes mesmo de mexer no salário-mínimo, segundo Felipe Salto, da Warren
21 de setembro de 2026 - 7:08DANÇA DAS CADEIRAS
+Milionária promete o triplo da Mega-Sena e lidera ranking das loterias da Caixa com prêmio de quase R$ 100 milhões
21 de setembro de 2026 - 6:48ATENÇÃO ESTUDANTES
Pé-de-Meia tem sexta parcela paga hoje; confira valor e quem tem direito em setembro de 2026
21 de setembro de 2026 - 5:50TOUROS E URSOS #288
Isenção de LCIs e LCAs é ‘uma balela’, diz Felipe Salto, que defende a revisão do benefício no ajuste fiscal previsto para 2027
20 de setembro de 2026 - 15:01ANOTE NA AGENDA
Ata do Copom e diplomacia entre EUA e China comandam as atenções do mercado na semana — mas não é só isso
20 de setembro de 2026 - 11:59BOMBOU NO SD
Lotofácil da Independência paga R$ 300 milhões, Europa oferece moradia de graça para quem ama gatos e Nubank perde brilho: os destaques da semana
19 de setembro de 2026 - 14:19Conteúdo BTG Pactual
‘Crise do petróleo’ em 2027? Estoques globais acendem sinal de alerta, e podem pressionar sua carteira de investimentos; entenda
19 de setembro de 2026 - 14:00NOBEL POLÊMICO
Fritz Haber: o Nobel de Química que inventou o fertilizante moderno e inaugurou a era da guerra química
19 de setembro de 2026 - 10:39TOUROS E URSOS #288
A ‘Faria Lima’ está errada? O que o mercado não enxerga sobre o risco fiscal, segundo Felipe Salto
18 de setembro de 2026 - 15:29O FIM DO FUTEBOL?
O futebol não vive sem bet? Por que os clubes se juntaram para publicar manifesto contra MP que proibiria apostas online
18 de setembro de 2026 - 14:15DÍVIDA VELHA NA MIRA
Governo prepara nova rodada de renegociação de dívidas antigas, diz jornal. Alívio para os bancos pode virar dor de cabeça?
18 de setembro de 2026 - 12:44PARA TODOS OS GOSTOS
Bolão fatura mais de R$ 100 milhões na Mega-Sena e ofusca prêmios milionários na Lotofácil e na Quina
18 de setembro de 2026 - 6:43POR DENTRO DA CARTEIRA
Brasileiros querem mais que renda fixa: interesse em LCA cresce 119%, mas outro investimento rouba a cena
17 de setembro de 2026 - 20:20VIDEOGAMES
Rockstar anuncia Grand Theft Auto VI: The Album, tracklist oficial do GTA 6 que conta com Travis Scott, Keith Richards, Pinkpantheress e mais
17 de setembro de 2026 - 15:27O QUE A FARIA LIMA NÃO VÊ
Você tem medo de investir? Emoções e bets travam as finanças — mas também podem ser combustível
17 de setembro de 2026 - 14:03APOSTAS ONLINE
O rombo das bets: apostas online podem ter engolido metade do crescimento do PIB em 2025
17 de setembro de 2026 - 13:28PODCAST TOUROS E URSOS