Fundos de crédito privado têm resgate de R$ 4,3 bilhões desde outubro
Saques são liderados pelos chamados fundos de caixa, aqueles com liquidez imediata ou carência máxima de cinco dias para resgates, que somam R$ 3,6 bilhões. Com a queda dos juros, eles surgiram como uma opção (errada) para os investidores em busca de um maior retorno na renda fixa

Depois de uma explosão na captação nos últimos anos motivada, em muitos casos, por uma promessa irreal de rendimentos acima do CDI sem risco e com liquidez, o jogo virou para os fundos de crédito privado.
Desde o início de outubro, os fundos que investem em títulos de dívida de empresas, como debêntures, acumulam um resgate líquido de R$ 4,3 bilhões, de acordo com dados da Economatica que foram compilados por uma fonte de mercado ao Seu Dinheiro.
O patrimônio líquido total dessa amostra de 64 fundos – que exclui os voltados apenas a investidores qualificados – é de pouco mais de R$ 52 bilhões.
Os saques são liderados pelos chamados fundos de caixa, aqueles com liquidez imediata ou carência máxima de cinco dias para resgates, que somam R$ 3,6 bilhões. Com a queda da taxa básica de juros (Selic), eles surgiram como uma opção (errada) para os investidores em busca de um maior retorno na renda fixa, mas sem abrir mão da liquidez.
Existem hoje pelo menos 33 fundos com essas características. Com a possibilidade de resgatar o dinheiro a qualquer momento, eles chegaram inclusive a ser vendidos em corretoras e plataformas de investimento como alternativa de aplicação da reserva de emergência – aquele dinheiro que você pode precisar a qualquer momento.
O problema é que não existe mágica no mundo dos investimentos. E o forte aumento na captação desses fundos provocou uma distorção no mercado de debêntures.
Leia Também
Com muito mais demanda do que oferta de papéis, as taxas das emissões despencaram. Bom para as empresas que se aproveitaram da situação para captar dinheiro mais barato, mas péssimo para o investidor.
A situação piorou depois que as debêntures começaram a ser vendidas a taxas mais altas no mercado secundário. Com isso, os gestores foram obrigados a marcar na cota a nova taxa, o que na prática representou uma perda para os fundos.
Bola de neve
Daí começou o efeito bola de neve. Com a queda na rentabilidade, os investidores começaram a pedir resgates. Os fundos que têm liquidez imediata costumam ter um nível maior de caixa para fazer frente aos pedidos de saque, mas em alguns casos esse dinheiro não foi suficiente, o que obrigou os gestores a venderem debêntures no mercado para honrar o compromisso.
Com mais gente querendo vender do que comprar, houve um novo aumento nas taxas das debêntures no mercado e, por consequência, queda nas cotas. Que estimulou mais pedidos de resgate.
Da amostra de fundos sem carência ou com prazo máximo de cinco dias para resgate, apenas um apresenta retorno acima do CDI nos últimos 30 dias. Cinco deles foram ainda pior e acumulam rentabilidade negativa, em um sinal de que os gestores podem ter assumido riscos incompatíveis com a natureza do produto.
O aumento nas taxas das debêntures também afetou o desempenho dos fundos de crédito que possuem carência de pelo menos um mês para resgate. Desde outubro, eles já registraram pouco mais de R$ 717 milhões em saques.
O que fazer?
O principal risco para quem investe em um fundo que aplica em debêntures e outros títulos privados é o de calote da empresa emissora. Mas a atual crise não vem da qualidade de crédito das companhias, mas das taxas de juros que os gestores aceitaram para investir nesses papéis.
Como em praticamente os momentos de turbulência do mercado, esse também deve abrir oportunidades para os bons gestores entregarem retornos interessantes aos cotistas. É claro que sempre há exceções, mas eu não considero os chamados fundos que pagam o resgate imediato ou em um prazo menor que uma semana como uma boa opção de investimento em crédito privado.
Apesar da liquidez mais restrita (ou justamente por ela), os produtos com carência de pelo menos 30 dias são os mais adequados para quem quer diversificar suas aplicações de renda fixa nessa modalidade.
Pode parecer pouco intuitivo, mas o maior prazo para o pagamento dos resgates garante mais tempo para que o gestor consiga administrar a compra e venda de papéis da carteira sem prejudicar os demais cotistas.
No curto prazo, porém, a maior parte deles deve continuar sofrendo com a alta das taxas das debêntures no mercado secundário. Tome cuidado, portanto, para não pedir o resgate e acabar saindo no pior momento possível.
Agora, se você quer investir e deseja saber se o fundo que aparece na prateleira do seu banco ou corretora é bom, aqui vão algumas dicas.
Em primeiro lugar, saiba para quem você vai pagar taxa de administração e procure se informar sobre a experiência da equipe responsável pela gestão.
No caso específico de fundos de crédito privado, dê preferência a gestoras que atuam na área há pelo menos cinco anos e sobreviveram aos duros anos de recessão econômica. No caso das assets mais novas, confira se os profissionais já atuaram com crédito no passado – em bancos, por exemplo.
Verifique ainda como os fundos da casa se comportaram em diferentes períodos, e não apenas no último mês ou ano, como eles costumam ser apresentados pelas plataformas de investimento.
OS ENDIVIDADOS
Não conseguiu pagar o aluguel? Entenda os riscos que você corre e como não deixar a dívida virar uma bola de neve
1 de outubro de 2026 - 6:02BENEFÍCIO NA CONTA
Bolsa Família será maior em outubro de 2026: veja quando reajuste começa a ser pago e quem poderá se beneficiar
1 de outubro de 2026 - 5:06DESTAQUES DA BOLSA
Tenda (TEND3) vai na contramão do Ibovespa e fecha em queda, mas Itaú BBA ainda tem motivos para considerar a ação atrativa
30 de setembro de 2026 - 18:45COMEÇOU A TRANSIÇÃO
‘Pense em um mundo sem imposto’: o recado de Bernard Appy para as empresas na reta final da reforma tributária
30 de setembro de 2026 - 13:50OLHO NO PIX
IRPF 2026: dinheiro de lote de restituição da malha fina do imposto de renda cai hoje na conta
30 de setembro de 2026 - 8:42SEM DESCONTO
Greve na Caixa: Justiça do Trabalho toma decisão e banco anuncia quando as agências reabrem
30 de setembro de 2026 - 7:55BOLA DIVIDIDA
Lotofácil 3792 tem 37 ganhadores, mas só dois ficam a meio caminho do primeiro milhão de reais; Mega-Sena 3064 acumula e prêmio vai a R$ 75 milhões
30 de setembro de 2026 - 6:49ATENÇÃO, BENEFICIÁRIOS!
Bolsa Família com novo valor, Gás do Povo, Pé-de-Meia e mais: confira o calendário completo dos programas sociais para outubro de 2026
30 de setembro de 2026 - 5:05DESTAQUES DA BOLSA
Ação da Tupy (TUPY3) atinge máxima nesta terça-feira (29) e fecha com alta de mais de 3%. O que animou os investidores?
29 de setembro de 2026 - 18:30TAG SUMMIT 2026
De olho no marco de R$ 1 trilhão, Nu Asset coloca ETFs no centro da estratégia; entenda o que está por trás da aposta
29 de setembro de 2026 - 15:49NOVO OBSTÁCULO
El Niño pode atrapalhar queda da Selic em 2027 — mas há uma saída para os juros voltarem a cair, diz CEO da Bradesco Asset
29 de setembro de 2026 - 15:08ASSUNTO 'PROIBIDO'?
“Isso não ganha voto”: por que o ajuste fiscal deve ficar para depois da eleição, segundo Bruno Funchal, ex-secretário do Tesouro
29 de setembro de 2026 - 14:45CORTOU PROJEÇÕES
Maior queda do Ibovespa hoje, CSN (CSNA3) derrete 11% e divisão de mineração (CMIN3) vai junto: o que preocupa os investidores?
29 de setembro de 2026 - 13:35CHEGOU AO TST
Greve na Caixa: Justiça do Trabalho julga dissídio em meio a impasse entre banco e funcionários
29 de setembro de 2026 - 9:59PÉ NA AREIA
Lotofácil 3791 premia bolão no Nordeste; Mega-Sena corre hoje valendo R$ 52 milhões
29 de setembro de 2026 - 7:25E AGORA, PETROBRAS?
EUA podem fechar a torneira do diesel e deixar o Brasil mais vulnerável, segundo Citi; é hora de rever a carteira de BDRs?
28 de setembro de 2026 - 18:10CASAS DE APOSTAS
R$ 1,7 bilhão na mesa: bets terão de devolver dinheiro a 22,9 milhões de apostadores após MP de Lula
28 de setembro de 2026 - 17:16O PREÇO DAS ELEIÇÕES
Sem rali eleitoral? Gatilho para a bolsa brasileira fica para depois das eleições; saiba qual é, segundo o JP Morgan
28 de setembro de 2026 - 12:00INSEGURANÇA
Bets estudam medidas para tentar reverter proibição depois de MP de Lula, mas proximidade da eleição atrapalha
28 de setembro de 2026 - 10:04É BOM SABER