Despesas da Vale por Brumadinho ultrapassam a marca de US$ 4,5 bilhões
A Vale divulgou nesta quinta-feira (9) seu balanço referente aos três primeiros meses de 2019 — o primeiro a contabilizar os impactos do rompimento da barragem em Brumadinho. E a mineradora teve um prejuízo bilionário.

Quase quatro meses depois do rompimento da barragem I na mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho, o mercado finalmente consegue ter uma dimensão mais concreta dos impactos financeiros da tragédia para a Vale. E as despesas são bilionárias.
Ao todo, a mineradora estima que os custos relacionados a Brumadinho cheguem a US$ 4,504 bilhões. Desse montante, US$ 2,423 bilhões dizem respeito a provisões para os programas e acordos de compensação, enquanto as provisões para o descomissionamento de barragens soma US$ 1,855 bilhão.
Despesas incorridas no processo totalizam US$ 104 milhões, enquanto outros gastos respondem por US$ 122 milhões. A Vale ressalta que as cifras relacionadas a Brumadinho são resultado de estimativas com base nos fatos conhecidos até o momento.
Com os efeitos de Brumadinho, a empresa encerrou o primeiro trimestre de 2019 com prejuízo líquido de US$ 1,642 bilhão, revertendo o ganho de US$ 1,590 bilhão apurado no mesmo período do ano passado.
Além disso, o Ebitda ajustado da mineradora — isto é, o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização — ficou negativo em US$ 652 milhões entre janeiro e março deste ano, ante Ebitda positivo de US$ 3,926 bilhões nos primeiros três meses de 2018.
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Trata-se de uma situação sem precedentes na história da Vale: é a primeira vez na que a mineradora fecha um trimestre com Ebitda negativo.
A receita operacional líquida também recuou na base anual, somando US$ 8,203 bilhões no primeiro trimestre de 2019 — cifra 4,6% menor que a apurada há um ano.
Investimentos caem
Os investimentos da Vale no trimestre somaram US$ 611 milhões, uma queda de 31,3% ante os US$ 890 milhões investidos nos três primeiros meses de 2018. No entanto, na comparação com o período entre outubro e dezembro do ano passado — quando os desembolsos chegaram a US$ 1,498 bilhão — o recuo foi bem maior: de 59,2%.
Desses US$ 611 milhões investidos, a maior parte diz respeito à manutenção dos projetos já existentes, com US$ 512 milhões. Também neste caso, os montantes gastos diminuíram: a cifra é 3,2% menor que a alocada no primeiro trimestre de 2018 e 60,5% inferior à contabilizada no quarto trimestre do ano passado.
Dívida de US$ 12 bi
A dívida líquida da Vale ficou em US$ 12,031 bilhões ao fim de março. Em relação ao mesmo mês de 2018, o endividamento recuou 19,2%, mas, na comparação com o nível de dezembro, a dívida da mineradora saltou 24,6%.
Com isso, a alavancagem da Vale, medida pela relação entre dívida líquida e o Ebitda ajustado dos últimos 12 meses, fechou o primeiro trimestre deste ano em uma vez — mesmo patamar registrado há um ano. No fim de 2018, contudo, a alavancagem era menor: de 0,6 vez.
Receitas diminuem em todas as divisões
As três principais divisões de negócio da Vale — minerais ferrosos, carvão e metais básicos — tiveram queda na receita operacional líquida no trimestre.
A principal área de atuação da Vale, minerais ferrosos, gerou US$ 6,343 bilhões de receita entre janeiro e março deste ano, uma retração de 2,81% na mesma base de comparação. O setor de metais básicos foi responsável por US$ 1,451 bilhão (-11,2%), e o de carvão respondeu por US$ 333 milhões (-12,4%).
Os dados operacionais da Vale, divulgados na quarta-feira (8), já davam uma pista de que as receitas da Vale poderiam cair na base anual. A produção de minério de ferro totalizou 72,870 milhões de toneladas, queda de 11% ante os primeiros três meses do ano passado.
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