🔴 ONDE INVESTIR 2026: ESTRATÉGIAS DE ALOCAÇÃO, AÇÕES, DIVIDENDOS, RENDA FIXA, FIIS e CRIPTO – ASSISTA AGORA

Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Uma boa lição filosófica, aprendida na prática

Parece uma loucura, mas quando você passa a duvidar de si mesmo, das próprias convicções, e percebe que nada pode ser afirmado com tanta certeza, assume-se uma espécie de relaxamento, porque nada é mesmo tão certo

13 de novembro de 2019
12:41
Filosofia
Imagem: Shutterstock

Para Montaigne, o maior problema do sistema jurídico era não levar em consideração uma realidade fundamental da condição humana: as pessoas são falíveis. Esperava-se sempre um veredito final e, no entanto, por definição, muitas vezes era impossível alcançar uma decisão com um mínimo grau de certeza. As provas muitas vezes falhavam ou eram inadequadas e, para complicar as coisas, os juízes cometiam erros pessoais. Nenhum juiz poderia sinceramente considerar perfeitas todas as suas decisões: eles seguiam mais as próprias inclinações que as provas, e não raro a boa ou má digestão do almoço também influenciava. Era algo natural e, portanto, inevitável, mas pelo menos um juiz mais sábio podia adquirir consciência da própria falibilidade e levá-la em consideração. Podia aprender a ir mais devagar, tomando cuidado com as reações iniciais e examinando mais atentamente as coisas. A única coisa boa no sistema jurídico era o fato de tornar tão óbvias as falhas humanas: uma boa lição filosófica.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Se os advogados estavam sujeitos a errar, o mesmo se podia dizer das leis que produziam, já que eram concebidas por seres humanos. Também este era um fato que só podia ser reconhecido e acomodado, mas não alterado. Esse desvio na direção do autoquestionamento, da autoconsciência e do reconhecimento da imperfeição tornou-se uma marca do pensamento de Montaigne em todas as esferas, e não apenas no direito.”

Acho esse trecho maravilhoso. Ele consta do livro igualmente maravilhoso “Como viver: ou uma biografia de Montaigne em uma pergunta e vinte tentativas de resposta”, da Sarah Bakewell, também autora do bom (mas não tão maravilhoso) “No café existencialista: o retrato da época em que a filosofia, a sensualidade e a rebeldia andavam juntas”.

Michel de Montaigne reflete um tipo de posicionamento perante a vida, que, na minha visão, poderia (a rigor, deveria) muito bem ser aplicado às decisões de investimento. Não deve ser coincidência que Nassim Taleb já foi por vezes apontado como uma espécie de Montaigne contemporâneo, tendo inclusive relacionado os “Ensaios” do escritor francês entre sua lista de cinco livros recomendados e de influência sobre si mesmo. De certo modo, escrever um “ensaio” é o que tento fazer aqui todas as manhãs. Por favor, não tome isso como qualquer tentativa de paralelismo com os dois supracitados, tampouco como sugestão de uma qualidade literária que, nós quatro sabemos, não disponho. Um “ensaio” vem mesmo no sentido de “ensaiar”, de se colocarem ideias conforme o fluxo de pensamentos lhe parece, com argumentos sendo construídos ao mesmo tempo em que os próprios contra-argumentos, sem necessariamente um veredicto final. Colocamos ideias, elucubrações, possibilidades — como essa que acaba de me ocorrer: poderia o Ibovespa atingir 300 mil pontos no atual ciclo positivo?

Ora, se o brilhante Guilherme Aché está certo, conforme li ontem no InfoMoney, estamos no meio de um bull market para o mercado de ações brasileiro. Então, pensa comigo: se saímos de 38 mil pontos para os atuais 107 mil pontos, houve uma multiplicação de cerca de 2,8 vezes para o Ibovespa. Se estamos no meio do caminho, grosseiramente, multiplicamos os 107 mil pontos por outras 2,8 vezes. Eu faço a conta para você: 301 mil pontos. É uma pena uma esquadra tão brilhante ainda estar restrita aos investidores institucionais.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Montaigne tinha uma mania curiosa em seus textos. Ele desviava com frequência do argumento central, perdendo-se em veredas do próprio pensamento e do autoquestionamento, às vezes sem nem mesmo saber o motivo. Tenho essa mania esquisita também.

Leia Também

Outro ponto esgota nossas semelhanças. Montaigne era uma síntese de três filosofias helenísticas: o epicurismo, o estoicismo e, talvez principalmente, o ceticismo pirrônico. Conforme o nome sugere, esse último criado por Pirro de Élis, contemporâneo de Alexandre, o Grande, mas desenvolvido, estruturado e formalizado por ninguém menos que… Sextus Empiricus! Sim, ele mesmo, nosso grande pai.

Para essa turma, a ataraxia, a serenidade e a suspensão da ansiedade, tão desejadas pelos filósofos, seriam atingidas por meio da epoché, a suspensão do julgamento ou do juízo. Ou seja, não teríamos opinião, julgamento ou juízo sobre as coisas. Em resumo, um tratado definitivo contra o dogmatismo, sendo impossível afirmar qualquer coisa de maneira categórica, mantendo-se um constante estado de dúvida. Anedoticamente, é como se fosse acrescentado à frase, depois percebida como clichê e lugar-comum de Sócrates, “só sei que nada sei” algo como “e não estou muito certo disso”. Quando eu digo que não acredito em gestão ativa, não significa que acredite em gestão passiva, e vice-versa.

Parece uma loucura, mas quando você passa a duvidar de si mesmo, das próprias convicções, e percebe que nada pode ser afirmado com tanta certeza, assume-se uma espécie de relaxamento, porque nada é mesmo tão certo. Passa-se a rir de si mesmo, das pseudotentativas de se estar no controle.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

É essa postura que tem nos guiado como empresários, investidores e gestores de portfólio. Ao criar um argumento, surge igualmente no mesmo instante uma ponderação de igual força, amplitude e profundidade. Como um embate dialético que, diferentemente daquele proposto por Hegel, assume uma caminhada à frente pelo confronto entre tese e antítese, posteriormente condensado numa nova síntese, aqui ficamos quase andando em círculos, sem saber qual das vidas necessariamente é a verdadeira. Não há linha de chegada para a construção patrimonial, não há destino final — logo, não pode haver um veredicto definitivo sobre teses e antíteses também.

Acima de tudo, Montaigne era um filósofo prático e crítico ferrenho aos acadêmicos — aliás, tal como Sextus Empiricus, autor de “Contra os professores”. Por um mínimo de coerência, como podemos conectar essas pobres linhas com algum contorno pragmático?

O que vinha acontecendo desde meados de outubro? Duas coisas foram fundamentais:

1. Lá fora, houve um abrandamento da rivalidade comercial entre EUA e China, com sinais de que caminhávamos para um acordo fase 1 entre as partes, e, na margem, interrompemos a desaceleração dos PMIs em nível global — os mais otimistas notaram inclusive uma aceleração. Com isso, afastou-se a hipótese de uma recessão mundial iminente, permitindo ao capital estrangeiro voltar a dirigir-se para mercados emergentes, onde crescimento global importa (e muito);

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

2. Aqui dentro, formalizamos a reforma da Previdência, continuamos o processo de afrouxamento monetário e notamos melhora da atividade econômica, com um início de um processo, que entendo como sistemático, de revisão para cima nas projeções de crescimento para 2020.

Momentaneamente, parecíamos viver uma espécie de céu de brigadeiro e, não à toa, o Ibovespa saltou feito um foguete para algo próximo dos 110 mil pontos, novamente sem qualquer comedimento, linearidade ou gradualismo, como costuma ser mesmo.

Até que, subitamente, Lula saiu da cadeia, os protestos na América Latina e em Hong Kong levaram ao Congresso a preocupação com distribuição de renda (o que pode dificultar as reformas estritamente liberais, ainda que isso não seja uma interpretação adequada, pois não vejo as coisas como conflitantes), houve gente falando em suspeição de Sergio Moro, outros falando em unidade da esquerda, e Donald Trump voltou a dificultar as negociações com os chineses e com as tarifas sobre importação de carros na União Europeia. Voltamos dez casas.

Mais uma vez, o investidor é lembrado de que precisa de um portfólio diversificado, de carregar proteções em suas carteiras para surpresas no meio do caminho, da importância de não se alavancar e de focar no longo prazo, como remédio para a aleatoriedade típica e dominante do curto prazo. Em resumo, da imperiosa necessidade de duvidar de si mesmo e de lembrar que ele — e todos nós, “especialistas” — somos falíveis. Uma boa lição filosófica, aprendida na prática.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
METAIS PRECIOSOS EM QUEDA LIVRE

Ouro cai mais de 11% e prata derrete 31% em um único dia; entenda o que causou o nervosismo no mercado

30 de janeiro de 2026 - 18:30

Investidores reagem à indicação de Kevin Warsh para o Fed e a dados de inflação acima do esperado nos EUA

ALTO PADRÃO

Como será o hotel de luxo que casal bilionário dono da melhor vinícola do mundo vai construir no Brasil

30 de janeiro de 2026 - 16:03

Rede de hotéis de luxo associada à casal de bilionários terá primeira unidade no Brasil, no interior de São Paulo, com inauguração prevista para 2027 ou 2028

VAI TER DESCANSO?

Carnaval 2026 não é feriado nacional; veja quem tem direito à folga

30 de janeiro de 2026 - 11:13

Apesar da tradição, o Carnaval não é feriado nacional em 2026; datas aparecem como ponto facultativo no calendário oficial

DEBATE ACALORADO

Escala 6×1 com os dias contados? Por que essas empresas se anteciparam e decidiram acabar com ela

30 de janeiro de 2026 - 10:40

Enquanto o Congresso ainda discute o fim da escala 6×1, empresas de setores que operam no limite da jornada legal começam a antecipar mudanças e adotar modelos de trabalho com mais dias de descanso

A ESCOLHA FOI FEITA

Adeus, Jerome Powell, olá, Kevin Warsh: conheça o escolhido de Trump para ocupar a presidência do Fed

30 de janeiro de 2026 - 10:10

Em suas redes sociais, Trump afirmou que não tem dúvidas de que Warsh será lembrado como um dos grandes presidentes do Fed

ROUBOU A CENA

Quina aproveita bola dividida na Lotofácil 3600 e faz o maior milionário da rodada; Mega-Sena tem repetição improvável

30 de janeiro de 2026 - 7:10

Enquanto a Quina roubou a cena da Lotofácil, a Mega-Sena acumulou de novo na quinta-feira (29) e o prêmio em jogo subiu para R$ 115 milhões.

VAI CAIR MAIS

Selic em 11,50% em 2026 — o que levou o UBS BB a mudar a projeção para os juros? Spoiler: não foi apenas a sinalização do Copom de corte em março

29 de janeiro de 2026 - 18:32

Esta é a primeira revisão do banco suíço para a taxa básica desde março de 2025; projeção anterior era de 12% até o final do ano

REGULAMENTAÇÃO

Cannabis medicinal já pode ser cultivada por universidades no Brasil: veja o que muda com as novas regras aprovadas pela Anvisa

29 de janeiro de 2026 - 16:00

Anvisa aprovou novas regras para a cannabis medicinal, permitindo o cultivo da planta por universidades e instituições de pesquisa, sob exigências rígidas de controle e segurança; veja as novas regras para a Cannabis medicinal no país

DIRETORES AFASTADOS

Fiscal de si mesmo: BC abre investigação interna para apurar crescimento acelerado e liquidação do Master

29 de janeiro de 2026 - 9:35

O objetivo da medida é tentar entender o que aconteceu com o Master, e como o Banco Central pode reforçar a sua governança interna de fiscalização.

ÁGUA

Califórnia resolve um problema que as mudanças climáticas não garantem mais

29 de janeiro de 2026 - 8:42

Diante das secas cada mais vez imprevisíveis, o estado mais rico dos EUA passou a tratar a água como infraestrutura estratégica

GRANDES PRÊMIOS DE CONSOLAÇÃO

Lotofácil acumula de novo e prêmio dispara, mas não faz nem cócegas nos R$ 102 milhões em jogo hoje na Mega-Sena

29 de janeiro de 2026 - 7:09

Depois de acumular pelo segundo sorteio seguido, a Lotofácil pode pagar nesta quinta-feira (29) o segundo maior prêmio da rodada das loterias da Caixa, mas a Quina vem logo atrás.

NÃO FOI DESSA VEZ, MAS...

Copom mantém Selic em 15% ao ano — e sinaliza primeiro corte para março

28 de janeiro de 2026 - 18:38

Decisão correspondeu às expectativas do mercado e surpreendeu com sinalização direta sobre o início dos cortes

SELIC ALTA DEMAIS, BOLSA SEM LASTRO?

“Banco Central já deveria cortar a Selic em 0,25 p.p”, diz Felipe Guerra, da Legacy, que alerta para bolha na bolsa

28 de janeiro de 2026 - 17:10

Enquanto a Legacy defende corte imediato de 0,25 ponto nos juros, Genoa alerta para o risco de o Banco Central repetir erros do passado

NO MAPA DOS GRINGOS

Enquanto brasileiros miram a Europa, destino no Brasil está entre os queridinhos dos estrangeiros para 2026

28 de janeiro de 2026 - 11:55

Cidade brasileira aparece entre os destinos mais reservados para 2026, atrás apenas de Paris e Bangkok, segundo levantamento da eDreams ODIGEO

CASA DE SAL

Casa de garrafas de vidro salta aos olhos no litoral de Pernambuco — e você pode se hospedar nela por R$ 430

28 de janeiro de 2026 - 11:13

Na Ilha de Itamaracá, duas mulheres recolheram cerca de 8 mil garrafas de vidro abandonadas nas praias e a transformaram em lar

DEVO, NÃO NEGO...

Foi mais difícil pagar aluguel em 2025: inadimplência teve leve alta no último ano, mas jogo pode virar em 2026

28 de janeiro de 2026 - 9:00

Levantamento mostra que os imóveis comerciais lideraram as taxas de inadimplência, com média de 4,84%

ENCALHADAS

Mega-Sena encalha e prêmio em jogo agora passa dos R$ 100 milhões; Lotofácil, Quina e outras loterias também emperram

28 de janeiro de 2026 - 7:05

Mega-Sena não sai desde a Mega da Virada. Lotofácil acumula pela primeira vez na semana. +Milionária promete o maior prêmio desta quarta-feira (28).

ENTREVISTA SD

“Não há nenhuma emergência que leve o Banco Central a apressar o corte da Selic”, diz Tony Volpon

28 de janeiro de 2026 - 6:03

O ex-diretor do Copom espera que um primeiro corte venha em março ou abril, quando a expectativa de inflação futura chegar, enfim, aos 3%

POLÍTICA MONETÁRIA

Selic a 8% ou a 15%? Ex-diretores do Banco Central explicam o dilema que o Brasil terá pela frente

27 de janeiro de 2026 - 18:46

Para Bruno Serra e Rodrigo Azevedo, o país entrou na fase decisiva em que promessas já não bastam: o ajuste fiscal precisará acontecer, de um jeito ou de outro

LENDA DO MERCADO

Dólar a R$ 4,40, ou dívida acima de 80% do PIB: o alerta de Stuhlberger para 2026

27 de janeiro de 2026 - 14:42

Dólar, juros e eleição entram no radar do gestor do lendário fundo Verde para proteger a carteira

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar