Um bom airbag para a sua carteira. Afinal, é hora de abandonar o dólar e investir em ouro?
Enquanto o retorno nominal obtido pelos títulos públicos americanos terminou o ano passado no negativo, a demanda global por ETFs de ouro cresceu 3% no mesmo período.
Quando eu era menor, lembro que um dos programas que eu mais gostava de acompanhar era o Show do Milhão. Não sei ao certo se o grande encanto estava no prêmio de R$ 1 milhão em barras de ouro, ou se era o tom dos questionamentos sempre difíceis, o que mais me intrigava.
Os donos de grandes fortunas talvez não conheçam o antigo quadro do programa do Silvio Santos, mas eles também têm um forte por esse tipo de commodity, especialmente em momentos de grande incerteza global. Não é à toa que o gestor do maior fundo de investimentos do mundo, Ray Dalio, diz que o ouro é uma das peças-chave para garantir que o seu portfólio seja capaz de superar qualquer adversidade.
Na visão dele, uma carteira matadora deve ter 30% das aplicações em ações; 40% em títulos de longo prazo dos Estados Unidos; 15% em títulos de médio prazo norte-americanos; 7,5% em ouro e 7,5% em outros tipos de commodities. As informações estão no livro "O Jogo de Dinheiro", de Tony Robbins.
Ainda que o portfólio seja mais focado para o contexto americano, é possível replicar o conceito para o Brasil. Afinal, o ouro é um dos ativos que os investidores costumam buscar para amortecer as perdas em períodos mais delicados.
É hora de ir pro ouro
E não há momento melhor para se proteger do que agora. A razão está atrelada às perspectivas mais negativas para a economia mundial. Nos Estados Unidos, por exemplo, o VIX - índice que mede o "medo" do investidor e a sensibilidade do mercado por meio das opções do S&P 500 - fechou o ano de 2018 na média de 16,6 pontos. O valor é maior do que a média obtida em 2017, equivalente a 11,1 pontos.
Até mesmo os títulos públicos dos Estados Unidos - ativos para onde os investidores correm em busca de proteção - apresentaram retorno nominal negativo de 1,64% no acumulado do ano passado. Mas os temores não estão apenas na economia norte-americana.
Leia Também
A contribuição do Microempreendedor Individual (MEI) subiu em 2026; veja o novo valor
Calendário 2026: Ano terá nove feriados durante a semana — veja quando vão cair
Há também maiores preocupações com as economias europeias e chinesas, por conta de brigas de acordos comerciais, problemas com o Brexit e dados mais fracos de crescimento industrial na China.
Diante desse cenário, o primeiro sinal de que o ouro voltou a chamar a atenção dos investidores é por meio do aumento na demanda pelos Exchange Traded Funds (ETFs) lastreados em ouro. Eles nada mais são do que fundos de investimento que têm as cotas negociadas em bolsas de valores, e que reproduzem os índices de ouro. Ao comprar uma cota, o investidor garante a variação do índice por um valor muito menor.
Apenas no ano passado, a demanda global por ETFs lastreados em ouro registrou um aumento de 3% e atingiu o patamar de 2.440 toneladas. Essa é a primeira vez desde 2012 que o valor total de alocações em ETFs de ouro terminou o ano acima de US$ 100 bilhões, segundo dados de uma das maiores instituições da área, o World Gold Council.
Brasileiros também compram
E algumas gestoras no Brasil já começaram a se movimentar. Ricardo Kazan, sócio e gestor internacional da gestora independente Novus Capital, é um exemplo disso. Kazan foi um dos especialistas que acertaram o movimento de alta do ouro no passado.
"Fizemos um rebalanceamento da carteira. Estamos comprando ouro desde dezembro e seguimos aumentando a posição na commodity. Em compensação, mudamos a posição quanto à moeda americana. Atualmente, estamos vendidos em dólar, ou seja, acreditamos que a moeda vai enfraquecer", destacou o gestor.
Para garantir a boa administração de cerca de R$ 1,3 bilhão em ativos que a casa possui e que estão distribuídos em quatro fundos multimercado, Kazan disse que a troca de algumas posições foi em decorrência da dificuldade do cenário internacional.
O especialista conta que, até o início de 2018, os Estados Unidos passaram por um momento bastante positivo de diferenciação dos ativos americanos em relação ao resto do mundo.
Impulsionado por dados fortes de emprego e de maior confiança de que a inflação se encaminhava para a meta, o FED voltou a subir os juros. Em contrapartida, os demais bancos centrais preferiram adotar uma postura de acomodação. Aliado a isso, a economia americana teve forte incentivo por conta das políticas de Trump de corte de impostos.
Segundo Kazan, todos esses fatores em combinação provocaram a alta nos rendimentos dos títulos públicos americanos (treasuries) - o que fez com que os investimentos em dólar ficassem mais atrativos. Com a moeda americana mais forte, o preço das ações também aumentou.
Porém, a situação começou a mudar na virada do primeiro para o segundo semestre.
"Os principais responsáveis pela mudança foram os fatores econômicos que passaram a mostrar um crescimento menor da economia, e questões ligadas à política monetária do Banco Central americano (FED) de subida de juros, em meio a desaceleração da Europa e piora da China", disse o gestor.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADECONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Tudo isso impactou em diversas classes de ativos que tiveram o retorno negativo em dólar, desde as bolsas mundiais até os títulos públicos americanos - um dos ativos mais seguros e que os investidores costumam buscar em momentos de grande instabilidade.

Ouro pra que te quero!
E é justamente nesse cenário de instabilidade em que o ouro começa a ganhar maior importância. Paulo Corchaki, CEO da gestora independente Trafalgar Investimentos e um dos especialistas que anteciparam o movimento de alta da commodity, me contou que há três variáveis que ajudam a entender melhor como esse ativo é precificado.
Em primeiro lugar, quanto maior a taxa de juros, menos interessante fica investir nele. A razão é que, ao aumentar os juros, a moeda americana acaba ganhando maior valor e fica mais interessante investir nos Estados Unidos do que buscar ativos de maior risco em outros mercados como os emergentes, por exemplo.
"O que não é intuitivo é que mesmo com a alta dos juros americanos, o ouro esteja ganhando valor. Nesse caso, o que ocorre é que o mercado antecipou o fato de que pode começar uma recessão e por isso, é provável que a valorização continue. Dessa forma, quanto mais forte for a recessão, melhor será a performance do ouro", disse o gestor.
O segundo ponto é que o ouro é uma commodity cotada em dólar. Logo, se a moeda americana se valorizar frente a outras cestas de moedas como o real, as commodities caem de preço. Mas, se ele perder fôlego, as commodities como ouro e petróleo ganham força.
Em seguida, está a demanda direta. Nesse caso, o destaque vai para China e Índia que são grandes compradores diretos de jóias. Logo, quanto maior for o crescimento de ambos os países, maior será a demanda por esse tipo de mercadoria.
Ainda que alguns dados da China como o índice de preços ao produtor chinês (PPI) tenham desacelerado bastante em dezembro, o desenvolvimento da classe média e o desenvolvimento tecnológico nesses países ajudará a aumentar a busca pelo ativo, na visão de Corchaki.
Sozinho, nunca
Mesmo que, à primeira vista, o ouro possa reluzir, o investidor não pode se enganar. A ideia é que o ativo componha a carteira, mas não seja a única aplicação financeira. É preciso pensar nele como um seguro, assim como ocorre com o dólar. A diferença é que agora o ouro começa a ganhar maior importância por conta do cenário internacional.
Na hora de decidir se você deve aumentar ou diminuir a posição dos seus seguros na carteira, Corchaki diz que tudo depende da visão do investidor.
"Se a pessoa estiver pensando em um cenário mais negativo para o Brasil, ela deve se proteger com uma exposição maior ao dólar. Mas se a preocupação for mais a nível mundial, o melhor é buscar ouro", destacou o especialista.
No fundo, não é que um seguro seja melhor do que outro. A dica de Corchaki é que o investidor se pergunte: Qual é o seguro que eu acho mais importante ter na carteira diante das preocupações que eu tenho com a economia interna e externa?
Amortecedor
Ainda que as expectativas sejam de valorização, esse tipo de investimento não é preferência entre os investidores. O motivo é que a função dele não é oferecer retornos, mas sim amortecer as perdas da carteira, no caso de cisnes negros. O próprio Warren Buffett não é um fã de ouro.
Queridinho ou não, há alguns fatores que podem atrapalhar o ciclo de alta e a maior procura por esse tipo de ativo. Segundo Tarcísio Joaquim, diretor de câmbio do Banco Paulista, o primeiro seria o aumento das taxas de juros americanas. Depois, o possível fortalecimento do dólar. Mas, o especialista acredita que é difícil que as duas situações ocorram.
Ele destaca que as disputas de Trump com os democratas sobre a construção do muro, e a consequente paralisação dos serviços de governo (shutdown) já estão gerando uma série de problemas de credibilidade para o governo.
Para Joaquim, mesmo que o FED continue a aumentar os juros - ainda que de maneira mais branda, a governabilidade de Trump está prejudicada e deve atrapalhar uma possível alta da moeda americana.
Equilíbrio é tudo
Para não errar, o melhor é que o investidor mantenha uma carteira balanceada e invista até 10% do seu patrimônio em seguros como ouro e dólar. E na hora de balancear os percentuais, pense em quais cenários vê maior risco para tomar a melhor decisão.
Lembrando que isso não significa que ele deve vender o fundo cambial que já adquiriu anteriormente. A ideia é que o investidor separe um décimo das aplicações financeiras da carteira para distribuir entre os dois ativos com foco em mantê-los durante prazos maiores, de pelo menos três anos.
Novas regras de multa do Simples Nacional entram em vigor a partir de hoje
Microempresas e empresas de pequeno porte devem ficar atentas à entrega mensal do PGDAS-D, que informa o faturamento da empresa, e ao envio anual da DEFIS, que reúne os dados econômicos e fiscais do negócio
Adiado, sorteio da Mega da Virada de 2025 está previsto para as 10h; acompanhe ao vivo aqui
Prêmio da Mega da Virada supera a marca de R$ 1 bilhão pela primeira vez na história; acompanhe aqui o sorteio.
Imposto de Renda: nova faixa de isenção começa a valer hoje; veja quem fica livre do tributo
Nova lei do Imposto de Renda amplia faixa de isenção para quem ganha até R$ 5 mil e cria tributação sobre lucros e dividendos de altas rendas
Mega da Virada de 2025 só em 2026! Caixa adia o sorteio. Veja quando ele vai acontecer.
Caixa atribui adiamento da Mega da Virada a problemas técnicos derivados do intenso movimento em seus canais eletrônicos
Chegou a hora da Mega da Virada de 2025; assista aqui ao sorteio ao vivo
Prêmio da Mega da Virada supera a marca de R$ 1 bilhão pela primeira vez na história; acompanhe aqui o sorteio.
Caixa encerra apostas para Mega da Virada, mas ainda há uma brecha para quem não conseguiu jogar
Até as 20h30, casas lotéricas de todo o Brasil seguirão comercializando as cotas de bolão ainda disponíveis para a Mega da Virada.
Ainda dá tempo de apostar na Mega da Virada de 2025, mas é preciso correr
Mega da Virada de 2025 sorteia hoje um prêmio estimado em R$ 1 bilhão. O valor é recorde na historia das loterias e não acumula.
Touros de 2025: Ibovespa, Axia (AXIA3), Galípolo e ouro — confira os melhores do ano, e uma menção honrosa na visão do Seu Dinheiro
Podcast Touros e Ursos faz a retrospectiva de 2025 e revela quem mandou bem na política, economia e investimentos; veja os indicados
China anuncia tarifa de 55% para importação de carne bovina; veja o que muda para o Brasil, maior exportador da proteína ao país
O Brasil, que responde por 45% da carne bovina importada pela China, terá uma cota isenta de tarifas, assim como outros grandes players
CVM terá novo presidente interino; colegiado da autarquia abrirá 2026 com 3 cadeiras vagas
Sem uma indicação pelo presidente Lula para liderar a reguladora, a presidência interina passará, na virada do ano, para o diretor João Accioly, o mais antigo na casa
Lotofácil 3575 faz 3 novos milionários na véspera da Mega da Virada
Lotofácil foi a única loteria a ter ganhadores na faixa principal na terça-feira, 31 de dezembro, véspera de ano-novo e da Mega da Virada de 2025.
O ouro brilhou, mas o Ibovespa também! Já o bitcoin (BTC) comeu poeira… veja a lista dos melhores e piores investimentos de 2025
Principal índice da B3 fechou ano em alta de 34%, acima dos 160 mil pontos, atrás apenas do metal dourado, que disparou
Toffoli volta atrás e decisão da acareação em inquérito sobre o Banco Master fica nas mãos da PF; entenda o que está em jogo e como fica o processo agora
Nesta tarde, a Polícia Federal (PF) vai colher os depoimentos individuais dos envolvidos e, caso considere necessário, os participantes poderão passar por uma acareação
Desemprego até novembro cai para 5,2% e volta a atingir menor taxa da série histórica; renda média sobe
O indicador de desemprego tem registrado, sucessivamente, as menores taxas da série histórica desde o trimestre encerrado em junho de 2025
Bancos funcionam no Ano Novo? Veja o que abre e o que fecha
Bancos, B3, Correios e transporte público adotam horários especiais nas vésperas e nos feriados; veja o que abre, o que fecha e quando os serviços voltam ao normal
‘Imposto sobre Pix acima de R$ 5 mil’ é fake news, alerta Receita Federal
Órgão desmente alegações de taxação sobre transações financeiras a partir de R$ 5 mil
Desta vez não foi o PIB: as previsões que os economistas erraram em 2025, segundo o Boletim Focus
Em anos anteriores, chamou atenção o fato de que os economistas de mercado vinham errando feio as projeções para o crescimento do PIB, mas desta vez os vilões das previsões foram a inflação e o câmbio
Está mais caro comprar imóveis no Brasil: preços sobem 17,14% em 2025, mostra Abecip — mas há sinais de desaceleração
Considerando só o mês passado, na média, os preços subiram 1,15%, depois de terem registrado alta de 2,52% em outubro
Inflação, PIB, dólar e Selic: as previsões do mercado para 2025 e 2026 no último Boletim Focus do ano
Entre os destaques está a sétima queda seguida na expectativa para o IPCA para 2025, mas ainda acima do centro da meta, segundo o Boletim Focus
Novo salário mínimo começa a valer em poucos dias, mas deveria ser bem mais alto; veja o valor, segundo o Dieese
O salário mínimo vai subir para R$ 1.621 em janeiro, injetando bilhões na economia, mas ainda assim está longe do salário ideal para viver
