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Diferentes teses circulam no mercado para tentar avaliar a retomada dos leilões de dólar no mercado à vista

Inquietação comum de parte do mercado quando o Banco Central (BC) atua no dólar é tentar saber se ele defende alguma linha de preço, quer suavizar tendência ou se há outros fatores menos técnicos conduzindo a atuação.
Esse tipo de discussão sempre ocorreu e ocorrerá apesar de o BC sempre deixar claro que não tem meta para taxa de câmbio e que suas atuações acontecem em momentos de mau funcionamento do mercado, problemas de liquidez e quando o real se descola muito dos pares sem que tenha mudança nos fundamentos.
Para as atuações desta terça e quarta-feira temos diversas teses em circulação. Há quem diga que o BC defende sim uma linha de preço, pois voltou a vender dólares, hoje, quando a cotação marcou os R$ 4,27, mesmo patamar de terça-feira - veja nossa cobertura de mercados.
Quem advoga por essa tese, avalia que o real não estava tão descolado dos pares emergentes como ontem. Podemos ponderar que o BC usa outras medidas para ver esse descolamento e decidir pela intervenção, além de olhar também as condições de liquidez do mercado.
No fim, sempre teremos essa discussão entre princípios e percepção do mercado. Por vezes, as percepções se consolidam e ganham ares de convicção. Quando isso acontece, não tem discurso oficial que mude a mentalidade do mercado. Vimos muito disso acontecer nos anos Dilma/Mantega.
Além disso, o dólar sempre escapa das discussões de mercado e esbarra na política. Tem sido bastante comum ver a oposição apontando o dólar alto como algo negativo do governo. Aqui não importam fundamentos e lado técnico, mas sim fazer o raso discurso político e relacionar o dólar com qualquer outra bandeira que se queira empunhar.
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Outra discussão que se desenrola desde ontem é se teria chegado o momento de colocar em prática uma tese levantada por Paulo Guedes no fim de outubro do ano passado, de vender reservas internacionais para abater dívida se o dólar escalasse para R$ 4,20, R$ 4,30, R$ 5,0.
Segundo disse o ministro na época, essa alta do dólar seria algo interessante, pois o BC poderia vender US$ 100 bilhões das reservas internacionais e abater R$ 500 bilhões em dívida. O ministro condicionou essa ação a um ambiente de crise.
Esse momento teria chegado? Apesar da alta do dólar e dos consequentes respingos nos mercados de juros e bolsa de valores, não é possível falar em crise. No entanto, teríamos atingindo um preço interessante para fazer uma revisão do tamanho das reservas? São questionamentos que ficam em aberto.
Guedes é um defensor da redução das reservas. Já chamou do instrumento de seguro caro e também de “carteira de transgressor”, algo como uma ficha de bons antecedentes para ser apresentada todo ano de eleição contra ataques especulativos ou em momentos de crise.
O BC, naturalmente, tem postura mais reservada, defendendo as reservas como um seguro que tem funcionado e que tem custo de carregamento perto de zero considerando os últimos 15 anos.
O fato é que avaliações objetivas e desinteressadas sobre câmbio, ou qualquer outro ativo, são sempre muito difíceis, pois o mercado que comenta e “dá nota” para a atuação do BC é o mesmo que está apostando na alta ou na queda do dólar.
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