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Votação representa uma derrota para o governo, além de revés para o ministro da Justiça, Sérgio Moro, e foi vista como uma reação dos parlamentares ao STF
O Plenário do Congresso Nacional derrubou 18 itens dos 33 vetados no projeto sobre abuso de autoridade. Entre os dispositivos da proposta retomados pelos deputados e senadores, está um que criminaliza o ato de uma autoridade de violar prerrogativas de advogados.
O Congresso também retomou o ponto do projeto que enquadra como abuso de autoridade a atitude de decretar medida de privação da liberdade, como prisão, "em manifesta desconformidade com as hipóteses legais." Para o Planalto, o dispositivo gera insegurança jurídica e fica aberto a interpretação.
Por outro lado, 15 vetos no projeto foram mantidos. Entre eles, o que proíbe o uso de algemas quando o preso não manifestar resistência. Na Câmara dos Deputados, o placar a favor da derrubada variou de 267 a 313 votos e, no Senado, de 41 a 56 votos.
A votação representa uma derrota para o governo, além de revés para o ministro da Justiça, Sérgio Moro. Além de ter sido vista como uma reação dos parlamentares ao Supremo Tribunal Federal.
Na semana passada, o Supremo autorizou buscas e apreensões em gabinetes ligados ao líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), e ao filho dele, deputado Fernando Filho (DEM-PE), investigados por corrupção.
Com a decisão desta terça, agentes públicos, incluindo juízes e procuradores, poderão ser punidos criminalmente por diversas condutas, incluindo algumas práticas utilizadas em investigações como a Lava Jato.
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Um juiz que decretar condução coercitiva sem intimação prévia do investigado ou de testemunha, por exemplo, pode ser enquadrado. As penas vão de 3 meses a 4 anos de prisão.
A proposta tinha sido aprovada no mês passado na Câmara. Pressionado pela repercussão negativa nas redes sociais e após pedido de Moro, ex-juiz da Lava Jato, Bolsonaro vetou parte dos 44 artigos.
Nesta terça, ainda sob impacto da operação que vasculhou o gabinete do líder do governo e do filho dele, o Congresso rejeitou 18 de 33 dispositivos, em 19 artigos da lei, em acordo costurado entre Alcolumbre e líderes de quase todos os partidos, com exceção do Novo e do PSOL. O próprio Alcolumbre votou para que todos os vetos de Bolsonaro fossem derrubados.
Senadores e deputados rejeitaram um dos vetos pedidos por Moro e mantiveram a possibilidade de punir juízes que decretarem prisões consideradas ilegais ou não concederem liberdade provisória a casos previstos em lei. A pena é de 1 a 4 anos de detenção. Outra medida mantida diz respeito à punição de magistrados que não substituírem a prisão preventiva por medida cautelar, quando prevista na legislação a possibilidade.
Os parlamentares também aceitaram o pedido da OAB e derrubaram o veto ao artigo que tratava da atuação dos advogados. Com isso, a lei torna crime, punível com até 1 ano de detenção, a violação de prerrogativas de advogados - como poder falar com o cliente em particular, ser atendido pelo magistrado e ter acesso à íntegra dos processos.
Deputados e senadores "lavajatistas" tentaram articular a derrubada de sessão. "A lei aprovada é um ataque à Lava Jato", afirmou o senador Alvaro Dias (Podemos-PR).
Apesar do enfrentamento ao Planalto e do ataque à Lava Jato, o Congresso manteve outros 15 vetos de Bolsonaro à Lei de Abuso de Autoridade. Entre eles, o que diz não serem passíveis de punição os agentes que submeterem o preso ao uso de algemas, mesmo nos casos em que não houver resistência ou risco. A medida era uma demanda da chamada "bancada da bala", que via no texto uma ameaça à atuação dos policiais.
O endurecimento da Lei de Abuso é parte de um "pacote de medidas" que a classe política tem adotado contra a Lava Jato. Em outra reação, senadores se reuniram na terça com o presidente do STF, Dias Toffoli, para pedir que a Corte anule a decisão que autorizou a operação em gabinetes do Congresso (mais informações nesta página).
Com a derrubada dos vetos, retornarão ao texto da Lei 13.869/19 os seguintes crimes:
A sessão desta terça gerou tumulto após os parlamentares derrubarem os 18 vetos. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), cancelou a sessão sem analisar os vetos presidenciais à retomada da franquia gratuita de bagagem aérea.
Para Alcolumbre, a derrubada dos vetos de Bolsonaro foi um desejo "legítimo" dos parlamentares. Ele chegou a anunciar uma nova sessão para as 16 horas desta quarta-feira, 25. Mais tarde, porém, disse que vai corrigir o horário para as 18h30.
Isso porque o Senado deve realizar a sabatina do subprocurador Augusto Aras, indicado para a Procuradoria-Geral da República, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A intenção é logo após a sabatina, realizar a votação da indicação no plenário.
Para o presidente do Senado, uma sessão do Congresso às 16 horas iria atrapalhar a votação de Aras. "Eu vou falar com os senadores agora para tentar antecipar (a sessão do Senado) para as 14h30 porque, pela nossa conta, quatro, cinco horas de sabatina sempre foi o suficiente." A sabatina está agendada para as 10 horas.
*Com Agência Câmara e Estadão Conteúdo
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