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Deputados e senadores eleitos (e reeleitos) iniciam os trabalhos hoje e a expectativa recai na eleição para as presidências da Câmara e do Senado
O novo Congresso Nacional assume hoje, após as eleições de outubro promoverem a maior renovação na composição da Câmara e do Senado desde 1990. Fragmentado partidariamente e conservador nos valores, o poder Legislativo será fundamental para as pretensões liberais e reformistas do governo Bolsonaro
Ciente disso, o mercado financeiro brasileiro está atento às eleições dos presidentes das duas Casas, que também acontecem hoje (18h). Os partidos políticos têm se articulado para definir os votos. Mas o Congresso caminha para ter a mesma “cara”, com Rodrigo Maia e Renan Calheiros à frente dos eleitos sob o signo da rejeição da velha política.
Entre os deputados, o nome do DEM é franco favorito. Já no Senado, o (pe)emedebista alagoano pode chegar à presidência da Casa pela quinta vez. Mas a escolha de ambos pode ser uma boa notícia ao Executivo, já que sinalizam apoio à agenda de reformas e às propostas de privatizações.
Mas enquanto Maia deve ser reeleito com larga vantagem, a situação no Senado é mais complexa. O maior adversário de Renan na disputa pode ser o voto aberto. Até por isso, os contrários à reeleição dele articulam para que a votação não seja secreta. Em tese, isso pode constranger seus apoiadores, tornando mais difícil a vitória de Renan.
Outro mal-estar na Casa vem de Flávio Bolsonaro e a pressão por causa de movimentações bancárias atípicas apontadas pelo Coaf, envolvendo um ex-assessor do senador mais votado do Rio. Aliás, quem também volta aos trabalhos hoje é a Corte Suprema (STF) e a liminar que suspende a investigação de Fabrício Queiroz deve ser cassada.
O investidor vem “apostando alto” na aprovação da reforma da Previdência. E é a perspectiva de que as regras para aposentadoria serão alteradas em breve - talvez até a virada do primeiro para o segundo semestre, sem solavancos, que tem levado a Bolsa brasileira a sucessivos recordes, rumo aos 100 mil pontos, e afundado o dólar para abaixo de R$ 3,70.
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Por isso, será fundamental aferir o apoio do Congresso na aprovação das reformas. O texto da Previdência deve contar com o aval de Estados e municípios, devido à crise fiscal espalhada pelo país. Ainda mais depois da sinalização do presidente Jair Bolsonaro, de que ninguém ficará de fora das novas regras - o que inclui servidores civis e os militares.
O entendimento do mercado financeiro é de que a aprovação da reforma da Previdência irá mudar de patamar o nível de juro neutro no Brasil, o que contribui para uma estabilidade maior do dólar e reduz o prêmio de risco do país. Tais condições criam um ambiente favorável à reavaliação da nota de crédito soberano (rating) pelas agências.
E o mercado, como se sabe, antecipa movimentos e já vislumbra uma melhora no rating brasileiro, recolocando o país em direção ao grau de investimento e à conquista do selo de “bom pagador”. Essa nota, é bom lembrar, é tida como critério para determinar a alocação de recursos de muitos fundos e investidores estrangeiros, atraindo capital ao país.
Em meio a essa antecipação, o principal índice acionário da Bolsa, o Ibovespa, encerrou janeiro com valorização de quase 11%. O dólar foi na direção contrária e encerrou o mês cotado na faixa de R$ 3,65, no menor nível desde o fim de outubro do ano passado - ou seja, no período pós-eleições. Já o prêmio dos juros futuros (DIs) derreteu.
Esse movimento local, porém, acompanhou o desempenho robusto dos mercados globais, com as ações ao redor do mundo registrando a melhor performance mensal em mais de sete anos.
No exterior, depois que o Federal Reserve reiterou que irá exercitar a “paciência” antes de adotar algum movimento em relação à taxa de juros norte-americana, é fundamental que o mercado de trabalho nos Estados Unidos pare de emitir sinais de acúmulo de pressão inflacionária vinda dos salários. Do contrário, o próximo passo do Fed pode ser de alta.
Originalmente, a expectativa era de geração de 190 mil vagas de trabalho em janeiro, com a taxa de desemprego seguindo nos menores níveis em décadas, em 3,9%, ao passo que o ganho médio por hora deveria manter o ritmo de crescimento, com +0,3% no mês e +3,2% no confronto anual. É válido lembrar que a paralisação do governo dos EUA (shutdown) durante praticamente todo o mês passado tende a distorcer os números finais.
À espera dos dados efetivos, os índices futuros das bolsas de Nova York exibem leves ganhos, após uma sessão mista na Ásia. Os investidores mostram certa decepção com a ausência de acordo entre EUA e China na questão comercial, mas veem progresso nas negociações. Um novo encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping deve ocorrer em breve.
Segundo o líder da Casa Branca, existem alguns pontos de desacordo, mas "quando Xi e eu nos encontrarmos, todos os pontos serão aceitos”. O cessar-fogo entre os dois países deve terminar em 2 de março e espera-se que a Casa Branca eleve os impostos de importação sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses, de 10% para 25%.
Nos demais mercados, o petróleo ensaia ganhos, enquanto o dólar está mais fraco. De volta à agenda econômica, o relatório oficial sobre o emprego nos EUA (payroll) será divulgado às 11h30. Depois, às 13h, saem dados sobre a atividade nos setores da indústria e da construção civil, além da confiança do consumidor.
Ao longo do dia, serão conhecidos os resultados das vendas das montadoras norte-americanas em janeiro. Também serão conhecidos dados sobre a atividade industrial na zona do euro (7h) e no Brasil (9h), além de números sobre a inflação ao consumidor na região da moeda única e nas principais capitais brasileiras em janeiro, ambos às 8h.
A previsão para o desempenho do setor nacional é de estabilidade em dezembro, após interromper em novembro quatro meses seguidos de queda. Se confirmado, o número deve corroborar a lentidão da recuperação econômica, com a atividade perdendo tração no confronto anual e registrando o segundo resultado negativo consecutivo.
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