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Estadão Conteúdo
Disputa por partes da Avianca

“Objetivo é tirar a Azul da ponte aérea”

Para John Rodgerson, presidente da Azul, a entrada de Gol e Latam na disputa pela Avianca Brasil é uma estratégia para barrar a companhia no aeroporto de Congonhas (SP)

5 de abril de 2019
8:06 - atualizado às 15:49
CEO da Azul, John Rodgerson
John Rodgerson, CEO da Azul - Imagem: Raphael Lopes/Seu Dinheiro

A entrada de Gol e Latam na disputa pela Avianca Brasil, em recuperação judicial, é apenas uma estratégia para tirar a Azul da jogada e impedi-la de crescer no aeroporto de Congonhas (SP), o mais disputado do País, segundo o presidente da Azul, John Rodgerson.

"Elas vão quebrar uma empresa para evitar que a gente faça a ponte aérea”, disse. A Azul havia oferecido US$ 105 milhões por aviões e autorizações de pouso e decolagem (slots) da Avianca. Na terça-feira, 2, foi surpreendida com um novo plano de recuperação da empresa, que prevê o leilão dos ativos divididos em sete UPIs (Unidades Produtivas Independentes). Latam e Gol se comprometeram a ficar, cada uma, com uma dessas UPIs e pagar US$ 70 milhões por elas. A seguir, a entrevista concedida ao jornal O Estado de S. Paulo.

A Azul vai participar do leilão das UPIs da Avianca?

Acho que não. Latam e Gol fizeram de tudo para barrar nossa entrada em Congonhas. Elas têm 90% do aeroporto e tentarão ficar com 95%. Vão quebrar uma empresa (Avianca) para evitar que a gente faça a ponte aérea. Mas o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) não permitirão. A Anac foi clara que não se vende slots. Se você quer um slot, tem de comprar a empresa que opera o slot.

Mas o projeto da Azul era semelhante a esse.

É muito difícil dividir uma empresa aérea quando se tem engenharia, piloto-chefe... A companhia tem de durar até o processo do Cade. Eles vão operar até lá? Vejo problema nisso, mas faz parte do jogo.

Mas a Azul pode participar do leilão...

Gol e Latam dividiram (os slots da Avianca) para que não tenhamos como montar uma malha aérea. Teríamos um voo às 9h e o próximo às 11h. Não seríamos competitivos.

Quão limitador é para o crescimento da Azul a pouca participação em Congonhas?

Nosso crescimento nunca dependeu de Congonhas. Temos 13 slots lá, a Avianca tem 21. Gol e Latam têm mais de 130 cada. Vai ser interessante ver o Cade porque haverá concentração forte. Ficaríamos com 34 slots. A marca Azul dá medo.

As empresas não podem querer aumentar a participação nos principais aeroportos?

A Avianca voa hoje em Brasília, mas o novo plano não fala de Brasília. A única coisa que estão preocupados é com Congonhas. É um jogo sobre Congonhas. Olharam o que queríamos e tentaram quebrar em sete para evitar que pegássemos.

Vocês vão entrar na Justiça?

Vamos lutar para entrar em Congonhas. Não acho que o plano seja viável. Estão empurrando com a barriga até que quebre. Tenho muitas dúvidas de como vai sobreviver.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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