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O resultado da unidade brasileira do banco espanhol pode passar dos R$ 12 bilhões no ano como um todo, se mantiver o ritmo no último trimestre
O Santander Brasil manteve a sequência de resultados acima do esperado pelo mercado. No terceiro trimestre, o banco registrou lucro líquido de R$ 3,108 bilhões no terceiro trimestre, alta de 20%.
Desta vez os analistas quase acertaram. A média das projeções compiladas pela Bloomberg apontava para um resultado de R$ 3,058 bilhões.
De janeiro a setembro, o lucro atingiu R$ 8,992 bilhões. Isso significa que o resultado da unidade brasileira do Santander pode passar dos R$ 12 bilhões no ano como um todo, se mantiver o ritmo nos últimos três meses. Em 2017, o banco chegou perto, mas não rompeu a barreira dos R$ 10 bilhões, ao lucrar R$ 9,953 bilhões.
A rentabilidade do Santander atingiu 19,5% no terceiro trimestre, um salto em relação aos 17,1% do mesmo período do ano passado.
A menos que o Bradesco tire algum coelho da cartola no balanço amanhã, o Santander deve se manter como o segundo mais rentável por mais um trimestre, atrás apenas do Itaú, que teve retorno de 21,3%.
O resultado do Brasil representou 26% do lucro de todo o grupo Santander, de acordo com o balanço do banco espanhol, que também saiu hoje.
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Apesar do lucro acima do esperado, nem todos os números do balanço vieram bons. E o mercado decidiu dar mais importância a eles. Tanto que os recibos de ações (units) do Santander Brasil caíram 5,17%, a maior queda entre as ações do Ibovespa. Ainda assim, os papéis do banco acumulam valorização de quase 40% no ano.
Para o BTG Pactual, ainda que o lucro tenha sido bom, a "qualidade dos resultados" veio pior do que o esperado. "As expectativas para o banco agora são muito mais altas", escreveram os analistas, em relatório a clientes.
O Santander vem surfando uma onda de melhora nos resultados desde que Sérgio Rial assumiu a presidência, há quase dois anos.
O banco largou na frente dos concorrentes ao acelerar no crédito enquanto os demais mantiveram as torneiras fechadas em razão da crise. A estratégia se reflete no balanço.
A carteira de crédito do Santander encerrou setembro em R$ 380,7 bilhões, o que representa um aumento de 3,4% no trimestre e de 13,1% em 12 meses. O desempenho é puxado pelas linhas a pessoas físicas e a pequenas e médias empresas.
A alta nos financiamentos contribui para a margem financeira, que somou R$ 10,6 bilhões, um avanço de 7,8% na comparação com o terceiro trimestre do ano passado. No acumulado do ano até setembro, a margem cresce 12,3%.
O banco vem mantendo os índices de inadimplência comportados em meio à aposta na concessão de crédito para melhorar os resultados.
O índice de calotes acima de 90 dias na carteira atingiu 2,9% no final de setembro de 2018, estável em doze meses e aumento de 0,1 ponto percentual no trimestre.
Já as despesas com provisão para calotes aumentaram 7,8% em relação ao terceiro trimestre do ano passado, para R$ 2,6 bilhões. A tendência é oposta à dos concorrentes, que vêm registrando redução no custo do crédito.
Além do crédito, o Santander vem turbinando os resultados com o aumento nas receitas de prestação de serviços. Mas aqui surgiu um número que pode preocupar quem acompanha o balanço.
Os ganhos com tarifas e outras cobranças somaram R$ 4,1 bilhões. Apesar da alta de 6,8% em relação ao terceiro trimestre do ano passado, na comparação com o trimestre anterior houve uma queda de 3,3%. A redução das tarifas pode ser uma boa notícia para o cliente, mas não para quem é acionista do banco.
Do lado das despesas, o Santander gastou R$ 5 bilhões, um aumento de 4,5% em relação aos meses de julho a setembro do ano passado e de 3,2% no trimestre. O banco atribuiu o desempenho às maiores despesas com processamento de dados e com pessoal.
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