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2018-11-30T12:15:40-02:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Atividade

PIB cresce 0,8% no 3º trimestre. E meus investimentos com isso?

Sendo direto e franco, o crescimento “passado” pouco importa. O desempenho da sua carteira em renda fixa ou variável depende mesmo do que acontecerá aqui em Brasília

30 de novembro de 2018
12:06 - atualizado às 12:15
Keep-Going-siga-placa
Imagem: Shutterstock

A economia brasileira deu continuidade à recuperação depois da pior recessão da história e mostrou um crescimento de 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre em comparação com o período anterior. O número veio em linha com o previsto e não muda perspectivas para ações ou títulos do Tesouro. O que importa mesmo é a agenda de reformas.

O clichê é conhecido, dizendo que o PIB é um olhar pelo retrovisor. E essa imagem cabe bem, pois dificilmente os dados trazidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) surpreendem muito para mais ou para menos.

Segundo o economista-chefe da Quantitas Asset Management, Ivo Chermont, apesar de ser um indicador relevante, raramente o PIB vai ser tão surpreende a ponto de levar o mercado e a autoridade monetária a reverem a trajetória esperada para a taxa de juros.

O Banco Central (BC) tem a difícil, e por vezes ingrata, tarefa de olhar para frente e pelas suas projeções com relação ao crescimento, a retomada segue moderada, com elevação de 1,4% neste ano e 2,4% em 2019, o que mantém espaço para que a recuperação continue acontecendo sem gerar pressão sobre a inflação. O chamado hiato do produto (diferença entre o PIB atual e o PIB potencial, que mede o quanto a economia poderia crescer) continua bastante aberto.

Assim, a perspectiva é de estabilidade da Selic nos atuais 6,5% ao ano por mais tempo, boa notícia para bolsa de valores, Fundos Imobiliários e para quem está prefixado no Tesouro.

Na Quantitas, Chermont trabalha com um ajuste para cima no juro básico apenas em outubro de 2019, com o ciclo de aperto indo até 7,75% ao ano.

O movimento da Selic continua sendo um ajuste, uma normalização, e não uma mudança de instância da política monetária para o modo restritivo, que acontece quando o BC precisa conter o ritmo de crescimento para manter a inflação e as expectativas na meta.

O ponto principal, segundo o economista, continua sendo a realização ou não de reformas em 2019. Isso sim pode mudar as perspectivas.

“Se não tiver reforma nenhuma os preços serão outros, as expectativas não estarão mais ancoradas nas metas e o BC tem de antecipar o ciclo de ajuste”, afirma.

O contrário também é valido. Pois se o governo consegue realizar os ajustes necessários no lado fiscal, as perspectivas mudam, podendo postergar também o ciclo de alta do juro.

Olhando para frente

O economista e sócio da GO Associados, Eduardo Velho, avalia que o dado interessante foi o aumento do investimento (alta de 6,6%), mesmo que parte do crescimento se deva a questões metodológicas envolvendo a contabilidade de plataformas de petróleo.

Esse aumento do investimento, aliado ao crescimento do consumo das famílias cria condicionantes melhores para que esse cenário de retomada se mostre sustentável. Quadro reforçado pela queda da inflação e a manutenção dos juros em patamar baixo.

“A tendência para comércio e serviços é continuar melhorando”, avalia.

Ainda sobre comércio e serviços, Velho chama atenção para os indicadores de inadimplência no setor financeiro e fora dele (contas de luz, água, telefonia e financiamentos com varejistas) que estão diminuindo. Isso mostra que as famílias estão ajustando seus orçamentos o que dá sustentação a um crescimento da demanda interna.

No lado da demanda externa é esperada uma menor contribuição das exportações, em função da queda no preço das commodities e de uma desaceleração da China. Além disso, o crescimento doméstico tende a ampliar a demanda por importação de bens e serviços.

“A demanda externa está com contribuição negativa, sinal claro do crescimento maior do Brasil. Mas a demanda interna vai superar essa contração externa”, explica.

Segundo o economista, o viés para o crescimento futuro é positivo, algo reforçado pelos últimos indicadores de confiança de diversos segmentos empresariais, que estão voltando para patamares não vistos desde 2014. Sinal de que os empresários estão bem confiantes e devem acelerar os investimentos.

“O que pode atrapalhar é a questão das reformas, a questão política”, conclui.

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