🔴 [TESTE GRÁTIS] 30 DIAS DE ACESSO A SÉRIE RENDA IMOBILIÁRIA – LIBERE AQUI

Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Mercados

Buy acima de tudo, Deus acima de todos

Setembro terminou com alta na bolsa e queda do dólar, mas e a eleição?

Eduardo Campos
Eduardo Campos
1 de outubro de 2018
5:15 - atualizado às 11:35
Ex-presidenciável Fernando Haddad (PT) em debate do SBT
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad - Imagem: Marcelo Chello/Seu Dinheiro

O que antes era visto como um cenário desastroso se consolidou. A uma semana da eleição, Jair Bolsonaro deve enfrentar Fernando Haddad em um segundo turno. E o mercado não parece mais tão preocupado com isso. Não parece...

Nas conversas com “gente de mercado”, a impressão que foi se consolidando ao longo da última semana é de que o PT, no caso de retorno ao poder, será pragmático. Vai sim conter a ala mais radical do partido e fazer um ajuste fiscal e algum tipo de reforma da Previdência.

Fernando Haddad abandonou o programa que ajudou a escrever e passou a adotar um discurso mais “market friendly”. E ele tem se esforçado. Desautorizou o eterno assessor econômico Márcio Pochmann, que também baixou o tom, acenou ao presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, e teve encontros com analistas e gestores.

Falta dizer quem vai ocupar o Ministério da Fazenda. E a escolha pode sedimentar essa tese de que o PT não seria tão ruim assim. O nome que vai comandar o Bloco P da Esplanada dos Ministérios e seu anúncio, no entanto, devem vir após deliberação a ocorrer lá em Curitiba.

A visão estrangeira

Outro ponto interessante é a diferença de avaliação entre locais e estrangeiros. Segundo um amigo, “lá fora os investidores não têm medo dele [Haddad]”.

Fui conferir com um “gringo original”, que acompanha de perto o Brasil. E ele me confirmou.

“É isso mesmo. O estrangeiro ainda considera que o PT não é tão ruim assim. Ele acredita que o PT não terá muito espaço para promover ainda mais estragos.”

Esse mesmo amigo gringo discorda frontalmente de seus pares, mas pondera que “eles têm o dinheiro”. E de forma bem-humorada completa dizendo: “eles leem a ‘The Economist’ e o ‘Financial Times’”. Além disso, conta que algumas consultorias políticas têm dito ao estrangeiro que o Haddad não é tão perigoso assim.

Para esse gringo, o estrangeiro não tem dimensão de quão grave é a situação fiscal do Brasil. E não importa quem assuma o Planalto, se não atacar essa questão vai colocar o país em um caminho de destruição.

A cor local

Por aqui, mesmo com muitos “locais” também entrando nessa tese. A dispersão de percepções é maior. Ouvi com frequência um “não sei, não”. E de alguns o famoso “vai dar merda”, seguido da previsão de dólar para cima e bolsa para baixo. Também ouvi que se o PT de fato voltar, a preocupação é com as ruas. Ou que o movimento da semana é mera “correção de preços”, e que há, sim, preocupação com o PT.

Outra postura em voga é de que confirmado um segundo turno PT contra Bolsonaro, a eleição é plebiscitária e que “não tem como o PT voltar depois de tudo que aconteceu”.

O que se nota também é que é mais fácil para o mercado acreditar em uma conversão de Bolsonaro de estatal-desenvolvimentista em liberal do que em um Haddad convictamente reformista. Tentando resumir a questão:

Bolsonaro é aceito, não por seus predicados, mas por outras razões. Haddad é engolido, tolerado ou nem isso.

Quando um mesmo fato tem mais de uma explicação é sinal de que ninguém sabe nada. E não poderia ser diferente. A resposta vem domingo e a semana deve trazer surpresas variadas. Há quem aposte que as tais pesquisas vão mostrar Haddad na frente, há quem diga que podemos ter algum “dossiê”, que aliás estão desaparecidos nesta campanha, e há, também, quem não espere nada.

Aliás, o trocadilho “buy acima de tudo, Deus acima de todos”, que ouvi de alguns participantes do mercado na semana, aceita variações, como “buy acima de tudo, Volatilidade acima de todos”. Quem estiver na Bolsa, é bom preparar o estômago.

Compartilhe

ELEIÇÕES 2022

Hegemonia em risco? Datafolha mostra Haddad bem à frente de concorrentes e risco de PSDB não ir nem ao segundo turno em São Paulo

1 de julho de 2022 - 7:59

A poucas semanas da definição das alianças, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) parece ter presença assegurada no segundo turno. A dúvida está em relação a quem o enfrentará na disputa

Eleições

Lula já descarta candidatura de Haddad em SP

17 de janeiro de 2020 - 15:48

A escolha do candidato está marcada para o dia 15 de março. O ex-presidente quer uma definição antes desse prazo

Investigando o 'zap'

Suspeitando irregularidades, TSE pede a WhatsApp dados sobre disparos nas eleições de 2018

10 de novembro de 2019 - 9:29

Rede social deverá informar ainda se realizou alguma medida para bloquear ou banir as linhas referidas

Críticas

Bolsonaro leva à frente agenda de Temer, com cortes de direitos, diz Haddad

1 de maio de 2019 - 17:27

Ex-candidato questionou onde estavam os empregos que a oposição ao governo do PT havia prometido. “Não era só tirar a Dilma? Cadê o emprego e a renda?”

mito?

Bolsonaro perde ‘voto de confiança’ dos mais pobres

29 de abril de 2019 - 11:45

Análise do jornal O Estado de S. Paulo com base nas pesquisas do Ibope mostra que as quedas mais bruscas na avaliação positiva se deram entre nordestinos e eleitores com baixa escolaridade e renda

VISÕES DIVERGENTES NA ESQUERDA

Venezuela gera discussão entre Gleisi e Haddad em reunião do PT

10 de fevereiro de 2019 - 12:59

A ida de Gleisi à posse de Maduro dividiu opiniões no PT. Ela teria tomado a iniciativa sem consultar a direção.

OPOSIÇÃO

PT enaltece Haddad como ‘nova liderança’ em documento

1 de dezembro de 2018 - 16:35

Diretório Nacional do PT aprovou neste sábado, 1º, uma nova resolução política para orientar os rumos do partido a partir de 2019.

Candidato derrotado

Em Nova York, Haddad diz que Brasil pode crescer com governo liberal de Bolsonaro

30 de novembro de 2018 - 13:43

Candidato derrotado na corrida eleitoral disse que Brasil terá de se “prevenir” de agenda conservadora e neoliberal radical

Seu mentor de investimentos

Entusiasmo ou alívio?

29 de outubro de 2018 - 10:56

Seja lá o que for que Bolsonaro fale até a posse, não diminuirá meu alívio por ter votado 17. O que estou interessado em saber é se ele vai transformar esse alívio em entusiasmo

Eleições 2018

Nova governabilidade é desafio para Bolsonaro

28 de outubro de 2018 - 22:29

Prometendo não entregar cargos em troca de apoio, eleito terá de inaugurar nova forma de relação com o Congresso

Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies