Itaú Unibanco caminha para lucrar mais de R$ 25 bilhões em 2018
E a maior parte dessa bolada vai parar no bolso dos acionistas, na forma de dividendos. No ano passado, o maior banco privado brasileiro distribuiu mais de 70% do resultado a seus sócios, incluindo os mais de 120 mil minoritários na bolsa

Crise? Que crise? A cada balanço o Itaú Unibanco parece provar que não faz tempo feio pelos lados do Jabaquara, onde fica a sede do maior banco privado do país. No terceiro trimestre, o Itaú registrou lucro líquido de R$ 6,454 bilhões.
De janeiro a setembro, o lucro da instituição foi de R$ 19,255 bilhões. Se apenas mantiver o ritmo nos últimos três meses do ano, o maior banco privado brasileiro caminha para fechar o 2018 com um resultado acima de R$ 25 bilhões.
Como o Itaú já anunciou que não quer acumular mais capital do que o necessário, uma parte relevante dessa bolada vai parar no bolso dos acionistas, na forma de dividendos. No ano passado, o banco distribuiu mais de 70% do resultado a seus sócios, incluindo os mais de 120 mil minoritários na bolsa.
O lucro do Itaú no terceiro trimestre representa uma alta de 3,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Mas ficou um pouco abaixo da estimativa de analistas compilada pela Bloomberg, que apontava para um lucro de R$ 6,515 bilhões.
Como o resultado do Itaú costuma surpreender para melhor, é possível que haja alguma reação negativa hoje no mercado. Mas a expectativa é que os investidores sigam mais ligados nas primeiras ações de Jair Bolsonaro e sua equipe após a vitória nas eleições presidenciais de domingo, até porque não houve nenhum número muito fora da curva.
Além do resultado, destaquei outros números do balanço do Itaú que você precisa saber. Principalmente se é acionista ou pensa em comprar ações na bolsa para tentar abocanhar um pequeno pedaço dos dividendos que o banco deve distribuir.
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Rentabilidade
O Itaú não costuma decepcionar nesse quesito, e não foi diferente neste trimestre. A rentabilidade do banco ficou em 21,3% no trimestre, o que deve colocar mais uma vez o banco na liderança de retorno entre os grandes bancos.
Houve uma pequena redução na rentabilidade na comparação com os 21,6% do mesmo período do ano passado. Mas se compararmos com os 6,5% da taxa básica de juros (Selic), podemos afirmar que o capital dos acionistas continua muito bem empregado.
Carteira de crédito
Depois de vários trimestres praticamente estagnado, o crédito começa a dar sinais mais claros de recuperação no balanço do Itaú. O total de financiamentos na carteira do banco atingiu R$ 636,4 bilhões em setembro, uma alta de 2,1% no trimestre e de 10,6% em 12 meses.
Esse número se refere ao saldo de operações. As concessões de novos financiamentos crescem a uma velocidade ainda maior. O aumento foi de 38% nas linhas para pessoas físicas e de 22% mais créditos para micro, pequenas e médias empresas no Brasil em relação ao terceiro trimestre de 2017.
A melhora vem em boa hora, porque ajuda a melhorar as receitas com crédito. A margem financeira do banco aumentou 3,8% na comparação com o terceiro trimestre de 2017, para R$ 17,4 bilhões, mas no acumulado do ano até setembro está praticamente estável.
Custo do crédito e inadimplência
Assim como em trimestres anteriores, o resultado do Itaú também melhorou graças à queda do chamado custo do crédito. No terceiro trimestre, as despesas para cobrir perdas com calotes foram de R$ 3,3 bilhões, uma redução de 18,2% em reação ao período de junho a setembro de 2017.
A trajetória de queda da inadimplência, que vem desde o ano passado, deu uma interrompida neste trimestre. O índice de atrasos acima de 90 dias na carteira do Itaú subiu de 2,8% para 2,9% entre julho e setembro deste ano.
Apesar da alta, não parece haver uma reversão da tendência de melhora. Isso porque a piora na inadimplência foi provocada por empréstimos a grandes empresas que o banco já tinha provisionado no balanço.
Despesas em alta
Este aqui pode ser um ponto que os analistas podem pegar no pé do banco. As despesas do Itaú somaram R$ 12,6 bilhões, alta de 7% em relação ao terceiro trimestre do ano passado. Bem acima da inflação do período, portanto.
O banco atribuiu o avanço dos gastos ao reforço das equipes comerciais, em especial na rede de agências, em seguros e adquirência. Nesse último negócio, o Itaú é dono da empresa de maquininhas de cartão Rede, que vem sofrendo com o aumento da concorrência de novos concorrentes, como PagSeguro e Stone.
Como o Itaú prometeu registrar um aumento de 0,5% a 3,5% nas despesas no ano como um todo, terá de apertar o cinto no último trimestre. O banco vai comentar hoje os resultados em conferências telefônicas com a imprensa e analistas.
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