Confirmado, Mattar comandará área estratégica no plano econômico de Paulo Guedes
À frente da Secretaria Geral de Desestatização e Desmobilização, Salim Mattar comandará as privatizações; conheça alguns dos seus desafios

O futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, confirmou na sexta-feira, 23, que o empresário Salim Mattar aceitou assumir a Secretaria Geral de Desestatização e Desmobilização, criada para tocar as privatizações na gestão de Jair Bolsonaro. A informação foi antecipada pelo jornal "O Estado de S. Paulo". A secretaria vai integrar a estrutura do Ministério da Economia e será uma das mais importantes do novo governo.
Mattar é fundador da Localiza, uma das maiores locadoras de veículos do mundo. Hoje ele preside o conselho de administração da empresa, que criou em 1973, aos 24 anos. Também é sócio de uma companhia de táxi aéreo, de uma seguradora e do Haras Sahara, em Minas Gerais.
O empresário é membro do Instituto Millenium, fundado por Guedes para promover o liberalismo econômico. Ele já ensaiava há algum tempo sua entrada no mundo político e chegou a ser sondado pelo partido Novo para se candidatar ao governo de Minas Gerais.
Área estratégica
Agora, Mattar vai comandar uma área estratégica no plano econômico de Paulo Guedes. As privatizações são uma grande aposta do futuro governo para ajudar no ajuste fiscal.
Guedes já estimou em R$ 1 trilhão o valor a arrecadar com privatizações, concessões, venda de imóveis da União. "Algumas estatais serão extintas, outras privatizadas e, em sua minoria, pelo caráter estratégico serão preservadas", diz o programa de governo do presidente eleito.
Na lista de privatizações do futuro governo estão a Eletrobras e partes da Petrobras, a Casa da Moeda, subsidiárias dos bancos públicos, entre outros.
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A futura secretaria receberá também a estrutura que administra os imóveis da União, hoje dentro do Ministério do Planejamento.
As concessões de infraestrutura seguirão com a Secretaria do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) e não estarão vinculadas ao Ministério da Economia.
Missão
Atualmente, existem 138 empresas estatais federais. Dessas, 18 dependem de recursos do Orçamento Federal para funcionar. O programa de Bolsonaro cita um estudo do Tesouro Nacional segundo o qual essas empresas consumiram R$ 122 bilhões entre 2012 e 2016. No mesmo período, deram retorno de R$ 89 bilhões.
As privatizações no Brasil começaram nos anos 1980, durante o governo de José Sarney (1985-1990). Também à época, a ideia era vender empresas para ajudar no ajuste das contas públicas. Foi privatizada, por exemplo, a Aracruz Celulose.
No governo de Fernando Collor (1990-1992), que tinha um programa liberal, foi criado o Programa Nacional de Desestatização (PND). Uma das empresas entregues ao mercado à época foi a Usiminas.
Um avanço importante foi alcançado no governo de Itamar Franco (1992-1994), com a venda de empresas como a Embraer e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).
Sucessor de Itamar, Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) privatizou o sistema Telebrás e a Companhia Vale do Rio Doce.
Já nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) e Dilma Rousseff (2011-2016), de uma linha mais à esquerda e favorável à presença do Estado na economia, não houve privatizações. Foram feitas concessões, um modelo no qual o bem é explorado pelas empresas privadas, mas continua sendo do governo.
Ações da Localiza sobem
A Localiza informou na sexta ao mercado que o presidente do conselho de administração, Salim Mattar, fará uma reunião no dia 13 de dezembro para apresentar seu pedido de renúncia e indicar seu sucessor.
No fim do pregão, as ações da locadora de veículos terminaram cotadas a R$ 27,90, com alta de 0,25%. Mas no meio da tarde, os papéis chegaram a cair mais de 1% pouco antes de a empresa divulgar o fato relevante ao mercado sobre o tema.
O valor de mercado da Localiza atualmente está em R$ 18,5 bilhões. Ao longo do último ano, a empresa ganhou cerca de R$ 3 bilhões na Bolsa - uma alta de 33% em um ano. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".
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