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Durante palestra em São Paulo nesta semana, Nobel de Economia fez duras críticas à política econômica e diplomática do presidente americano e deu sua opinião sobre as ações de empresas de tecnologia
O Nobel de Economia Richard Thaler, especialista em Economia Comportamental, esteve nesta semana em São Paulo para palestrar no evento de comemoração aos nove anos da Empiricus. Durante sua fala, o professor da Universidade de Chicago foi questionado sobre suas opiniões em relação ao governo Trump, do qual é um crítico ferrenho.
“Quanto tempo nós temos?”, questionou, rindo, antes de responder à pergunta.
“Se nos limitarmos às questões econômicas - afora o problema de que Trump está completamente divorciado da realidade -, ele começa essas guerras comerciais porque acha que negociações internacionais são como desenvolvimento imobiliário [principal negócio de Trump como empresário]”, disse Thaler.
Ao impor tarifas para os bens chineses, continuou o economista, o presidente americano fala como se fosse a China a responsável por pagá-las. “Mas são os consumidores americanos que estão pagando. É assim que funciona. Se meu iPhone custava mil dólares e agora custa 1.010 dólares por causa de uma tarifa, sou eu que pago”, exemplificou.
Outra crítica de Richard Thaler foi quanto à renegociação do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta, na sigla em inglês), repaginado por Donald Trump e renomeado como Acordo Estados Unidos-Canadá-México.
“Ele quis renegociar o Nafta e acabou com algo bem similar, com um nome diferente, mas que inclui vários elementos do tratado do Obama do qual ele falou tão mal”, disse.
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Mas o problema mais sério da administração Trump, segundo o professor, é a negação das mudanças climáticas. Para o professor, o maior erro do presidente americano foi anunciar a retirada dos Estados Unidos do Acordo Global sobre o Clima, o Acordo de Paris.
Apesar de parecer sem efeito, pois o acordo não impõe obrigações, a decisão foi uma sinalização ruim. “Nós temos que cooperar como sociedade, e para que as pessoas cooperem, é preciso haver confiança. E isso [a saída do acordo] fez com que os Estados Unidos parecessem menos confiáveis”, opinou Thaler.
“Trump não acredita em ciência e expertise. Todos os presidentes que estiveram no poder ao longo da minha vida tiveram ótimos economistas trabalhando com eles, exceto Trump. Não tem ninguém lá! E isso não tem nada a ver com política. Eu sou democrata, mas o Bush teve bons economistas com ele, o pai dele também, e ninguém quer trabalhar com a administração atual.”
Questionado sobre se as ações de empresas de tecnologia americanas estão superavaliadas, Thaler disse que essas companhias hoje valem muito, mas estão fazendo dinheiro, diferentemente do que aconteceu nos anos 2000.
“Elas podem até estar superavaliadas, mas estão fazendo dinheiro e está havendo disrupção”, disse.
Ele citou o exemplo da Netflix, que passou por três disrupções tecnológicas e não só sobreviveu como foi bem-sucedida em todas: a inovação na forma de se alugar filmes em DVD, o streaming e, mais recentemente, a produção de conteúdo próprio.
A fala de Richard Thaler pareceu afastar a ideia de que o setor de tecnologia ainda é pouco compreensível, arriscado e propenso à formação de bolhas, uma vez que as companhias do setor já parecem ser sólidas e bem-sucedidas.
Mas o Nobel ainda guarda suas dúvidas quanto ao Bitcoin: “O Bitcoin é um exemplo interessante de que é difícil investir. Eu havia dito que Bitcoin era uma bolha, mas se eu tivesse operado vendido em Bitcoin naquela época, teria quebrado”.
Para Thaler, vale a máxima de Warren Buffett: “Se você não entende o que está acontecendo, fique longe”, lembrou.
Presidentes, políticos, bilionários, atrizes e ganhadores de Prêmios Nobel passaram por essa universidade, unidos pelo lema “Veritas” — a verdade.
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