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Impostos

Querem mexer no preço do seu vinho

Projeto em tramitação na Câmara impõe alíquota de 40% sobre garrafas importadas

Imagem: Shutterstock

Partindo do pressuposto que o vinho também é um tipo de investimento, se não financeiro, no nosso bem-estar, vale ficar de olho em um projeto de lei que define alíquota mínima de 40% no Imposto de Importação incidente sobre o produto.

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No alvo estão os vinhos do Chile e da Argentina, que não pagam esse tributo. Segundo o autor da proposta, deputado Jerônimo Goergen (PP-RS), “trata-se de medida que apenas visa restabelecer o equilíbrio comercial na produção de vinhos entre os países integrantes do Mercosul”.

O PL 10.272 de 2018 tramita em caráter conclusivo nas comissões da Casa. Isso quer dizer que a matéria é apreciada apenas nas comissões, sem ir ao Plenário a menos que tenhamos divergências nas comissões ou haja recurso para votação por todos deputados.

O que motiva Goergen é a queda na produção e comercialização de produtos nacionais. Na justificativa do projeto, o parlamentar cita dados do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) mostrando que a comercialização de vinhos de empresas do Rio Grande do Sul entrou em franco declínio na última década.

Em 2006, o setor comercializou quase 22 milhões de litros de vinhos finos e 245 milhões de litros de vinho de mesa. Esses números foram reduzidos, no ano de 2017, para 15,6 milhões e 173,7 milhões de litros, respectivamente. Assim, foram mais de 77 milhões de litros da bebida que deixaram de ser comercializados anualmente.

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De outro lado, pondera Goergen, as importações de vinhos vêm aumentando continuamente. Em 2017 foram importados 126 milhões de litros contra apenas 51 milhões registrados em 2006.

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“A diferença, coincidentemente, é bem próxima da redução registrada nas vendas internas no país para vinhos fabricados no Rio Grande do Sul. Crescimento de 75 milhões de litros importados”, diz o parlamentar, acrescentando que do total da elevação de importações registradas, quase a metade se refere a vinhos chilenos (36,4 milhões de litros), que, somadas às importações dos argentinos, representa mais da metade dos litros trazidos do exterior.

Ainda de acordo com o parlamentar, entre os principais motivos, “sem dúvidas”, está a tributação aplicada na cadeira produtiva nacional, enquanto que os vinhos do Chile e da Argentina não pagam Imposto de Importação em função de tratados comerciais.

O vinho feito no Brasil tem uma carga média próxima de 55%, entre IPI, PIS/Cofins e ICMS, segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT). Além disso, a alíquota do produto é majorada, pois o vinho é considerado prejudicial à saúde.

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Já a alíquota média do Imposto de Importação dos vinhos, excluindo Mercosul, é de 27%. No entanto, considerando outros tributos e custos, como frete, selo fiscal e afins, a diferença passa de 100% com tranquilidade.

Pode-se argumentar que seria mais justo reduzir a carga tributária local. No entanto, esse tipo de proposição é muito mais trabalhosa. Por envolver uma renúncia fiscal, tem que ser indicado, no projeto, a fonte de recursos que vai compensar a perda de receita.

Tramitação

O projeto está na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços (CDEICS) onde é relatado pelo deputado Covatti Filho (PP-RS). Depois será apreciado nas comissões de Finanças e Tributação (CFT) e de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ).

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