Essas empresas podem passar por mudanças drásticas na sua estrutura societária – e elas devem mexer com o preço das ações
Há uma lista de companhias que estão no meio de processos de fusões e aquisições, fechamentos de capital e conversão de ações. E mesmo quem não é dono dessas ações pode ganhar ou perder dinheiro por causa delas.

Se você está em busca de boas ações para comprar, saiba que há eventos societários no radar que vão mexer com os papéis de várias empresas brasileiras. Há uma lista de companhias abertas que estão no meio de processos de fusões e aquisições, fechamentos de capital e conversão de ações. E mesmo quem não é dono dessas ações pode ganhar ou perder dinheiro por causa delas.
Muitos negócios já foram anunciados, mas o seu desfecho é incerto e as condições vão trazer alegrias ou tristezas para o investidor. Enquanto o fato não se concretiza, as incertezas (ou oportunidades?) pairam sobre esses papéis. Os gestores de recursos e os acionistas minoritários estão atentos a esses eventos para tentar lucrar – ou minimizar perdas – com eles. Eventos societários em aberto dão brechas para fundos dedicados operarem em cima deles. A maioria das empresas citadas são parte do Ibovespa, o que pode influenciar também o desempenho dos índices e os fundos passivos.
A agenda promete muito pano pra manga. E ganhar dinheiro com esse tipo de situação não é nada fácil e exige capital comprometido e muito, muito apetite por risco. A decisão é sua. O Seu Dinheiro está aqui para te fazer o alerta do que está no radar do mercado e te ajudar a pensar na melhor estratégia para suas aplicações. Aqui vai uma lista de algumas ações que têm evento societários para acontecer:
- Braskem
- Embraer
- Gol
- Smiles
- Multiplus
- Via Varejo
- Cemig
- Light
- Petrobras
- Cosan
O que está no radar
Embraer e Boeing. Agora vai?
Desde o fim de 2017, é pública a negociação entre Embraer e Boeing. Há uma incerteza no acordo diante da troca do governo brasileiro. A União tem uma “golden share” que lhe dá poderes especiais sobre assuntos estratégicos da empresa. Na prática, o governo pode vetar ou aprovar o acordo.
Esse não é o único porém para a finalização do acordo. Os minoritários se queixam da proposta. Para eles, o acordo fará com que a Boeing vire controladora da principal unidade geradora de lucros da Embraer sem ter de pagar um prêmio para os minoritários.
A ação da Embraer é uma das “queridinhas” do Alexandre Mastrocinque, colunista do Seu Dinheiro. Para ele, há detalhes do negócio que podem trazer ganhos expressivos para a Embraer e não estão no preço da ação. Todos os detalhes estão nessa reportagem.
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O adeus de Odebrecht e Petrobras à Braskem
A holandesa LyondellBasel já disse, há 5 meses, que quer comprar a Braskem. A venda seria uma solução para Odebrecht e Petrobras, sócias na companhia, levantarem capital. A principal dúvida é saber se a petroleira brasileira continua ou não no negócio, além dos detalhes da operação. Cada informação tem potencial para mexer com os papéis de Braskem e Petrobras.
E as refinarias da Petrobras?
Além da sua participação na Braskem, a Petrobras segue o seu plano de desinvestimentos. Entre os principais ativos para se desfazer estão as refinarias da estatal. O papel da Petrobras enfrentava um risco político durante a corrida eleitoral. O medo dos investidores era de uma ingerência política na empresa e de que o próximo presidente interferisse nos planos de venda da empresa.
Quem vai levar a Via Varejo?
A Via Varejo, dona de Casas Bahia e Ponto Frio, está à venda desde o fim do ano passado. Nos últimos meses seu controlador, o Grupo Pão de Açúcar, acelerou o processo de venda e está recebendo propostas. A venda se deve à uma necessidade de focar a operação no varejo de alimentos, deixando de lado o ramo de eletrodomésticos.
Contribui também para a venda o alto endividamento do grupo francês Casino, controlador do GPA e acionista indireto da Via Varejo. O Casino está vendendo ativos no mundo todo para fazer caixa para pagar a dívida.
Em uma situação extrema, se a venda da Via Varejo não vingar, o próprio GPA pode entrar na prateleira. É incerto, mas é uma possibilidade.
Tem negócio no shopping e praça de alimentação?
No setor de shoppings, antes de as eleições dominarem as conversas, havia expectativa para uma fusão entre Sonae Sierra e Aliansce. No setor de alimentos, a IMC e a Sapore desistiram da fusão aos 45 minutos do segundo tempo, mas o assunto, com a chegada de um novo investidor que queira as duas pode voltar à tona.
Luz acesa na Light?
No setor de energia, a Cemig precisa dar uma solução para a venda da participação que tem na Light. A empresa manifestou formalmente sua intenção de vender a Light, mas a operação ainda não está fechada. A saída pode ser uma oferta de ações estruturada assim que a volatilidade do mercado baixar.
Multiplus sai da Bolsa
A Latam fez uma oferta pública de aquisição de ações (OPA) para recomprar os papéis da Multiplus e tirar a empresa da bolsa. O negócio não agradou em nada o mercado. Dos 9 analistas que acompanham o papel, nenhum recomenda a sua compra. Os demais se dividem entre vender a ação ou, pra quem já é dono do papel, segurar pra ver o que acontece. A decisão final ainda depende de aprovação em assembleia de acionistas, então, muita água vai rolar.
A proposta indecente da Gol pela Smiles
A Gol seguiu a Latam e menos de um mês depois da concorrente fez uma proposta para fechar o capital do Smiles. A diferença é que, em vez de recomprar as ações dos minoritários em uma OPA, a Gol propõe uma operação de troca de ações da Smiles por ações da Gol. A operação será avaliada por um comitê independente, indicado pelo conselho do Smiles, e precisa ser aprovada em assembleia de acionistas. Ou seja, tem chão ainda...
No mesmo pacote que prevê a saída do Smiles da bolsa, está um processo de reestruturação da própria Gol. O desenho final trará uma estrutura societária inovadora. Em vez de listar ações preferenciais, a Gol terá na bolsa ações ordinárias e conseguirá entrar no Novo Mercado da B3.
Em um primeiro momento, a reação do mercado foi de que a proposta é positiva para a Gol e negativa para os acionistas da Smiles. Existe a possibilidade, no entanto, de a Gol mudar a proposta e vir a fazer uma OPA caso os minoritários do Smiles não aceitem a troca de ações.
Uma mexida nos papéis da Cosan
A Cosan, do empresário Rubens Ometto, informou no fim de outubro que quer incorporar a Cosan Log, para transformar-se em controladora direta da Rumo. Para tanto, a CZZ (veículo de Ometto) trocaria ações da RLOG3 (veiculo que o grupo controla a Rumo) que eles detêm por ações CSAN3 com a Cosan.
As relações de troca ainda não foram definidas e isso pode demorar até 12 meses, conforme o comunicado. E a empresa já sinalizou a possibilidade de criar um comitê independente para tratar da negociação. A preocupação dos minoritários é que a relação possa favorecer RLOG3 e CZZ, prejudicando CSAN3, onde estão os acionistas menores e não o controlador.
Cuidado com o ‘pacote de maldades’
Algumas das propostas vêm sendo chamada por acionistas e defensores de minoritários como um “pacote de maldades” dos controladores. É o caso, por exemplo, da oferta da Gol para incorporar o Smiles e da própria oferta da Cosan.
Um dos acionistas internacionais do Smiles disse estar incomodado com essa movimentação, mas reconhece que é muito difícil conseguir provar uma tese de que o controlador pode ter agido para derrubar as ações da Smiles e definir assim uma relação de troca na reestruturação mais favorável a ele.
Há três pontos que chamam a atenção de minoritários em operações de incorporação, mas que têm o aval da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
- A CVM exige a formação de um comitê independente para analisar as propostas. A questão é que já houve vários casos em que essa “independência” dos integrantes do comitê foi questionada.
- A criação de ações superprefenciais, que valem mais do que uma preferencial comum, admitidas pela CVM nas estruturas acionárias de Azul, por exemplo.
- E, por fim, o uso sem medida de ações preferenciais resgatáveis, recentemente liberado pela autarquia na análise de operação entre Fibria e Suzano.
O investidor internacional questiona as decisões recentes da CVM, que avalia que podem prejudicar o ambiente de negócios no mercado de capitais brasileiro.
No caso de Fibria e Suzano, ele reforça, a maior parte da operação acabou sendo paga em dinheiro, por conta da previsão de ações resgatáveis, e a CVM não viu problema, apesar das queixas dos minoritários de que, na prática, o modelo retirava deles a possibilidade de receber algum prêmio.
“Eu entendo que a operação seguiu a lei e a CVM talvez não tivesse como vetar. Mas será que a autarquia não poderia emitir algum tipo de parecer limitando o percentual em ações resgatáveis nessas operações, para evitar que isso seja utilizado em prejuízo dos minoritários?”, questionou.
A diferença entre Suzano e Fibria e, agora, Gol e Smiles, é que nesse novo caso trata-se de controlador e controlada e empresas com partes relacionadas, o que eventualmente pode influenciar a análise da operação.
A CVM está avaliando todas as operações, como sempre faz nesses casos, dentro de seu programa de supervisão baseada em risco.
*Colaborou Marina Gazzoni
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