É pavê ou é pra… O que rolou em 2018 e que mexeu com a bolsa
Eleição, Copa, Greve dos caminhoneiros... Ano foi marcado por altos e baixos nos mercados, mas terminou com saldo positivo

Não tem jeito, vai chegando o fim do ano e você pode ter certeza: vai ter retrospectiva na Globo, o Rei vai fazer show de fim de ano e alguém vai fazer piadinha com pavê. Aconteça o que acontecer, o Palmeiras vai continuar sem mundial e o presidente, seja ele qual for, vai mandar um indulto de Natal.
Tão certo quanto as dietas milagrosas nas primeiras semanas de janeiro, os especialistas financeiros vão te contar como foi o ano e, em algum momento, vão te dizer o que esperam para os mercados no ano seguinte.
Apesar de tentar ser relativamente original e trazer ideias novas, eu sempre fui a favor de manter tradições. Sou metódico: todos os dias calço primeiro o pé esquerdo e depois o direito, penteio o cabelo e ajeito a barba fazendo a mesma careta na frente do espelho e, ao entrar no elevador, dou aquela ajeitada na camisa fazendo precisamente os mesmos movimentos.
Alice e Malu tiram sarro, mas me orgulho de manter o traço que herdei de meu pai – minha mãe carinhosamente o apelidou de “um-dois-três-quatro”. Homens e suas manias.
Assim, não vou deixar a oportunidade passar: o ano está no fim e PRECISO te dizer o que aconteceu nos últimos 12 meses, sob o risco de minha família cair vítima de uma maldição cigana – é esse sentimento que fica toda vez que uma rotina é quebrada.
Por mais que estejamos acostumados com as esquisitices brasileiras, 2018 foi um ano para lá de maluco – teve prisão de ex-presidente e facada em candidato; no meio do caminho, greve de caminhoneiros e uma Copa do Mundo, só para deixar tudo um pouco mais interessante.
Leia Também
No fim, atravessamos o ano e chegamos do lado de cá vivos. Tirando, claro, aqueles que morreram pelo caminho.
O que rolou em 2018?
O ano ainda não acabou oficialmente, mas é pouco provável que alguma coisa mude dramaticamente nesses últimos dois pregões – até o fechamento do dia 28, o Ibovespa subiu 15,03%, o que por si só é um bom desempenho, mas fica ainda melhor quando comparamos com os -7,03% do S&P 500 nos EUA.
Olhando assim, até parece que o ano foi tranquilo, mas, se geralmente as coisas não são lineares no mercado brasileiro, tudo fica ainda mais emocionante num Brasil em ano de eleições – o principal índice da Bolsa chegou a acumular queda de 8,6% em 2018 (uma diferença de 22,3% entre a máxima e a mínima).
Começamos o ano bem: em 24 de janeiro, o TRF-4 não só confirmou a sentença proferida por Sergio Moro, como ampliou a pena do ex-presidente Lula – de um dos maiores líderes políticos do mundo, a nove anos de prisão. What a journey!
Com a condenação em segunda instância, Lula se tornou oficialmente inelegível e o mercado acabou por eleger Geraldo Alckmin antes mesmo do Carnaval – a festa durou bastante tempo: em dia 16 de maio, a Bolsa marcava 86,5 mil pontos, uma alta de mais de 13% contra o fechamento de 2017.
O problema é que os caminhoneiros, vindo de alguns anos difíceis para o setor, não aguentaram a alta do petróleo e pararam o país.
Teme, que depois da crise da JBS tem menos prestígio e poder político do que o cachorro da primeira-dama, se viu refém dos bloqueios nas estradas e cedeu a todas as exigências dos caminhoneiros.
O episódio expôs a fragilidade do país, custou o cargo do presidente da, então, maior empresa brasileira e acabou com qualquer tração na economia. A Bolsa foi buscar os 69,8 mil pontos em meados de junho (20% para baixo da máxima de fevereiro).
Durante a Copa e às vésperas das eleições, não havia santo que convencesse investidores a colocar dinheiro no Brasil, ainda mais enquanto o Santo tucano mantinha o discurso morno em meio a uma das eleições mais quentes da história do país.
Sem esperanças de uma arrancada de Alckmin, o mercado começou a comprar o discurso liberal de Bolsonaro, amparado na (excelente) reputação de Paulo Guedes. O crescimento de “Andrade” nas pesquisas e todo o estardalhaço petista deixaram investidores assustados e, até a definição do primeiro turno (que na prática definiu as eleições), o mercado operou em compasso de espera.
A partir de meados de setembro, o rali do capitão: a Bolsa entrou em modo bullsonaro e só parou de subir quando as coisas azedaram nos EUA e Trump resolveu comprar briga com a China e com o Fed. De meados de setembro até o comecinho de dezembro, foram 20% de alta. Os entusiastas da Bolsa lavaram a alma!
Se tem uma lição para tirar dessa bagunça toda é a soberania dos fundamentos: as luzes verdes e vermelhas piscando nas telas das mesas dos bancos e gestoras são representações (imperfeitas) de empresas.
Por trás dos números estão negócios com dados sobre vendas, margens, planos estratégicos e crescimento. Foram anos sofrendo com as bagunças da Nova Matriz. Redução de custos, racionalização da estrutura, ajuste nos serviços. Quem chegou até aqui, chegou pronto para crescer volumes e margens.
E, a despeito dos caminhoneiros, das eleições, de Lula e do Andrade, os resultados trimestrais se sobrepuseram ao barulho. Os balanços foram maiores do que os boatos.
É o ruído contra o sinal. Spoilers à parte, o sinal sempre vence!
O que teve de fundo tentando acertar o timing e, a cada mudança de “estação”, tendo que correr atrás do rabo para não ficar para trás não foi brincadeira.
Admiro muito a capacidade dos gestores de multimercado para operar câmbio e juros, mas, quando o assunto é Bolsa, eles estão longe de ser smart Money – é um tal de comprar na alta e vender na baixa...
Quem fez a lição de casa, comprou as boas empresas, teve estômago e soube esperar, fechou o ano mais do que bem – Magazine Luiza e Suzano mais do que dobraram em 2018, Cemig e B2W deram mais de 90% e Petrobras, mesmo com a situação do petróleo e a queda de Parente, deu retorno de 45% até agora.
Se você acha que é muito difícil acertar essas grandes vencedoras, vale bater um papo com o Cerize e ver como conseguiu dar mais de 100% para seus cotistas!
FECHAMENTO DOS MERCADOS
No último pregão antes das eleições, Ibovespa dispara, chega nos 192 mil pontos e sobe 2,63%
2 de outubro de 2026 - 17:36POR QUE É TÃO IMPORTANTE?
Mais petróleo na Margem Equatorial: Petrobras (PETR4) anuncia nova descoberta e confirma boa qualidade do óleo encontrado em agosto
2 de outubro de 2026 - 10:50Conteúdo BTG Pactual
Fundo multimercado que já rendeu CDI + 4,36% desde sua criação segue na ‘contramão’ das tendências; conheça
1 de outubro de 2026 - 14:00PODCAST TOUROS E URSOS
Eleições podem levar o Ibovespa acima de 200 mil pontos? A visão de Rodrigo Glatt, sócio da gestora GTI
1 de outubro de 2026 - 11:32BALANÇO DO MÊS
Tesouro Direto dispara em setembro com retorno de mais de 5% — mas outro investimento toma a dianteira e fica no topo do ranking
30 de setembro de 2026 - 19:16FECHAMENTO DOS MERCADOS
O vento a favor que fez o Ibovespa decolar 4 mil pontos, inverter o sinal e fechar setembro no azul
30 de setembro de 2026 - 17:49MESMO QUE 'DÊ RUIM'
Faça chuva ou faça sol nas urnas: JP Morgan seleciona ações que podem ganhar com o melhor ou o pior resultado eleitoral
30 de setembro de 2026 - 13:05TAG SUMMIT
Não tem tempo ruim para a infraestrutura: as empresas preferidas da Perfin para atravessar crises e juros altos
29 de setembro de 2026 - 17:53PRÊMIO DE RISCO
Dólar a R$ 4,80? As pistas que as últimas eleições na América Latina dão para o desempenho do real
28 de setembro de 2026 - 18:45VISÃO DO GESTOR
“Não se ganha dinheiro comprando o que é popular”: onde a Inter Asset está vendo pechinchas na bolsa brasileira
27 de setembro de 2026 - 12:01INTER INVEST SUMMIT
Ações “órfãs” na bolsa, juros altos e uma armadilha no crédito: onde investir em 2027, segundo especialistas
26 de setembro de 2026 - 18:08RALI NA B3
Ibovespa a 207 mil pontos? Especialista do Inter diz o que pode destravar a bolsa brasileira após as eleições
25 de setembro de 2026 - 16:40ALÉM DA BOLSA
Os fundos imobiliários cetipados vieram para ficar? Entenda por que eles estão em alta e o que você precisa saber antes de investir
25 de setembro de 2026 - 15:54SETOR DE AUTOPEÇAS
JP Morgan pisa no freio e rebaixa Frasle (FRAS3) para venda. Analistas preferem outras 3 ações que podem saltar até 69%
25 de setembro de 2026 - 13:18MAIS AQUISIÇÕES
TRXF11 enche o carrinho de novo e paga R$ 2,83 bilhões, mas FII cai na bolsa; veja o que entra no portfólio
24 de setembro de 2026 - 13:02O OUTRO LADO DA MOEDA
R$ 4,50 ou R$ 5,80? O gatilho que vai definir o preço do dólar depois das eleições
23 de setembro de 2026 - 18:33RADAR DE FIIS
Fundo imobiliário leva calote de inquilino em recuperação judicial; entenda o impacto no bolso dos cotistas
23 de setembro de 2026 - 13:01SD ENTREVISTA
Tubarões saem e varejo entra: sinal de alerta para os FIIs? LAREAL revela o que os institucionais estão vendo
23 de setembro de 2026 - 6:01AS MAIS SAUDÁVEIS
Dasa (DASA3) é compra para o UBS BB, mas banco revela outras 2 favoritas — uma delas para dividendos
22 de setembro de 2026 - 19:50EM DESACELERAÇÃO