Samba de uma nota só
Privatizações deram o tom dos mercados nesta terça-feira. Entre as empresas, Cielo anunciou "novos tempos" para a companhia

Ao contrário do que diz o título, a canção Samba de Uma Nota Só, de Tom Jobim e Newton Mendonça, tem bem mais que uma nota. A base aparentemente simples se desenrola pela letra marota, que vai se desmentindo a cada verso.
Eu me lembrei da música (imortalizada no segundo disco de João Gilberto) ao participar hoje de um evento promovido pelo banco Credit Suisse, daqueles que reúnem a “nata do PIB”, como de fala por aí. Foi uma ótima oportunidade para sentir como empresários e investidores estão encarando este começo de governo Bolsonaro.
E, em diferentes tons e contextos, a palavra que mais ouvi foi “privatização”. Logo na abertura, a fala do secretário do Ministério da Economia Salim Mattar soou como música para os ouvidos da plateia.
No samba do homem responsável pelo programa de desestatização do governo, está prevista a privatização de nada menos que 131 das atuais 134 empresas estatais. As únicas que devem ficar de fora desse grande pacote são Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Petrobras. Ainda assim, as empresas devem ter subsidiárias vendidas.
Na parte da tarde, o vice-presidente do BB Carlos Hamilton confirmou que o banco está disposto a firmar "parcerias estratégicas" com empresas privadas nos negócios de gestão de fundos, banco de investimento e recuperação de créditos.
Quem também falou em privatização foi o governador de São Paulo, João Doria. Ele disse que a venda do Porto de Santos, de 23 aeroportos e das estradas estaduais estão entre as prioridades da gestão.
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Como esperado, a mesma nota deu o tom da participação do presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Júnior. Embora não se trate de uma privatização “clássica”, o governo deixará de deter a maioria do capital da companhia de energia depois do processo de capitalização, que será realizado por meio de uma oferta de ações na bolsa. Ferreira inclusive atualizou o valor que a operação deve movimentar.
Leia aqui todos os detalhes sobre as privatizações que devem movimentar o mercado nos próximos meses, nas reportagens que a Bruna Furlani e eu escrevemos direto do evento.
Dia 29 de Bolsonaro - "Privatiza tudo! Menos o que importa?"
O presidente Jair Bolsonaro segue em recuperação em São Paulo e o evento digno de nota do dia foram as declarações do secretário especial de Desestatização, Salim Mattar, de que o governo vai privatizar 131 das 134 estatais. Ficam com o governo, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e… (leia mais)
Respiro
Toda essa conversa sobre privatizações ajudou a bolsa a se recuperar no pregão de hoje. Apesar da queda nas bolsas americanas, o Ibovespa teve força para fechar em alta de 0,20%. Um dia depois de perder R$ 71 bilhões em valor de mercado, as ações da Vale chegaram a subir quase 3%, mas perderam fôlego no fim do dia e encerraram o pregão em alta de 0,85%. Confira a nossa cobertura de mercados para saber tudo o que rolou na bolsa nesta terça-feira.
Cielo nublado
A vida é feita de escolhas, e Cielo fez a dela. Depois de mais um resultado decepcionante no quarto trimestre, a empresa de maquininhas de cartão controlada por Banco do Brasil e Bradesco afirmou que vem mais por aí. O novo presidente da companhia, Paulo Caffarelli, disse que a empresa está disposta a sacrificar ainda mais as margens de lucro para manter a liderança em um setor cada vez mais competitivo. Mas o mercado parece que deu o benefício da dúvida à empresa. Leia aqui o por quê.
Elite em reforma?
Ninguém questiona a importância que a criação do Novo Mercado da bolsa teve para o desenvolvimento do mercado de capitais brasileiro. Mas será que o excesso de rigor estaria agora sendo prejudicial para as companhias e empreendedores? A resposta colocou em campos opostos dois grandes empresários: Rubens Ometto, presidente do conselho da Cosan, e Walter Schalka, presidente da Suzano. Leia aqui os argumentos de cada um e decida de que lado você está.
Lágrimas sobre o sorriso
O governo Temer conseguiu cumprir sua meta fiscal para o ano de 2018. Boa notícia? Quem dera... O resultado final dessa conta foi um déficit primário de R$ 120,3 bilhões, ou 1,7% do PIB. Para você ter uma ideia, as contas públicas tiveram o quinto ano seguido de déficit, a pior sequência desde a Constituição de 1988. O Eduardo Campos acompanhou a divulgação dos dados lá em Brasília e conta por que Paulo Guedes vai precisar de muito samba no pé para conseguir entregar a meta de déficit zero já neste ano.
DANÇA DAS CADEIRAS
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