Menu
2019-05-13T18:29:05+00:00
Naiana Oscar
Naiana Oscar
Naiana Oscar é jornalista freelancer. Formada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e com MBA em Informação Econômico-Financeira e Mercado de Capitais no Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Foi subeditora de Economia do Estadão. Trabalhou como repórter no Jornal da Tarde, no Estadão e na revista Exame
CHOQUE DE REALIDADE

O Brasil corre o risco de ter mais um Pibinho em 2019. Como ficam seus investimentos?

A expectativa de um crescimento de 3% em 2019 depois da eleição deu lugar a uma onda de cortes nas projeções do PIB, hoje de 1,7%. Se economia crescer menos, todos sentem no bolso. Mas será que isso é motivo para você mudar sua carteira de investimentos?

2 de maio de 2019
5:59 - atualizado às 18:29
Homem 'planta' moedas sobre a terra
Imagem: Shutterstock

Tudo indica que a economia brasileira não vai sair do lugar neste ano (de novo), ao contrário do que se imaginava no fim de 2018, sob a euforia do resultado das eleições. Alguns economistas dizem que a chance de o País ter mais um ano perdido é real.

A expectativa de um crescimento de 3% em 2019 deu lugar a uma onda de cortes nas projeções do PIB. Os profissionais do mercado que têm suas apostas divulgadas semanalmente no boletim Focus do Banco Central indicaram, nesta semana, que esperam um crescimento de apenas 1,70% no PIB deste ano - foi o nono corte consecutivo. É muito pouco para uma economia que cresceu só 1,1% em 2017 e em 2018.

Que essa mudança de humor afeta a vida das famílias e os planos de investimento das empresas, não há dúvida. Ninguém põe a mão no bolso enquanto as expectativas não melhorarem - e isso vira uma bola de neve. Mas como ficam os seus investimentos em meio a esse cenário? Foi a pergunta que fiz a analistas de investimentos nas últimas semanas, enquanto também conversava com economistas para entender os motivos da estagnação e o que esperar para os próximos meses.

Se entre os economistas, o tom é de frustração e preocupação com o que pode vir pela frente, nas mesas de operação das gestoras de investimento ainda há otimismo, principalmente com renda variável. “Há uma diferença grande entre o que o economista fala e o resultado do mercado financeiro”, diz Pedro Boesel, analista da Rico, uma plataforma de investimentos do grupo XP Investimentos.

“O PIB não precisa estar acima do esperado para a Bolsa subir.”

Isso é um fato. Em 2011, quando o País cresceu 4%, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira caiu 18,11%. Em 2016, o PIB caiu 3,3%, mas o Ibovespa subiu 38,93%. A comparação ajuda a entender por que a renda variável é a grande aposta da corretora para este ano, já que a taxa básica de juros da economia, a Selic, está num patamar baixo, de 6,5%, e pode até cair mais no futuro com o avanço da reforma da Previdência.

O que azedou o humor dos economistas?

A Proposta de Emenda Constitucional que muda as regras de aposentadoria no País é o pano de fundo do pessimismo dos economistas (que esperavam mais coordenação e rapidez na tramitação) e do otimismo dos gestores (que consideram inevitável a aprovação no Congresso, mesmo que seja mais para o fim do ano). “É um olhar no médio e longo prazo. Estamos focados mais nisso do que em PIB no momento”, afirma Boesel. Dito isso, ele sugere aplicações em ações e fundos multimercado - aqueles que combinam em um só lugar ativos de mercados diferentes (como os de ações, câmbio e renda fixa).

Para um cliente com perfil moderado, por exemplo, a Rico indica a seguinte carteira:

  • 42,5% de investimentos em multimercado,
  • 5% em renda variável,
  • 15% em ativos de renda fixa indexados à inflação,
  • 37,5% em pós-fixados.

Para um cliente mais agressivo, a indicação é:

  • 60% em multimercado,
  • 20% em renda variável,
  • 17,5% em ativos indexados à inflação,
  • 2,5% em pós-fixados.

O economista chefe da Guide Investimentos, Victor Candido, seguiu a mesma linha de raciocínio. “Mesmo anos muito ruins para a economia, de muita frustração, podem ser bons para a bolsa”, disse. “Já tivemos anos de crescimento econômico em que a bolsa despencou, porque o mercado anteviu que no ano seguinte ia piorar.”

Embora o resultado de muitas empresas possa ficar prejudicado num cenário de estagnação, Candido diz que o impacto, nesse momento, é menor porque as companhias vêm de um período extremamente negativo entre 2015 e 2016, em que foram obrigadas a fazer ajustes, enxugar a operação, renegociar dívidas e buscar mais eficiência. “Por isso, não aconselho sair da renda variável”, afirma.

Como a renda fixa vai sentir

“A visão é mais pessimista para renda fixa. Se a economia cresce menos, a ociosidade da indústria aumenta, não tem investimento, e isso tem efeito sobre a inflação. Os juros também podem cair até o fim do ano. Se o investidor está numa operação pós-fixada, indexada à Selic ou ao CDI, pode ver o rendimento da aplicação diminuir.”

A taxa básica de juros da economia está em sua mínima histórica, de 6,5%. Para uma corrente de analistas, o Banco Central pode optar por novos cortes da Selic na tentativa de dar um empurrãozinho na retomada do crescimento - que parece ainda estar distante.

Está fraco mesmo...

Os indicadores dos três primeiros meses do ano divulgados até agora vieram surpreendentemente fracos. Em março, 43,2 mil postos de trabalho com carteira assinada foram fechados; os índices de confiança da indústria, comércio e serviços tiveram queda generalizada de 1,8 a 3,5 pontos percentuais; além do Boletim Focus que revisou o crescimento para 1,70% na semana passada (o mais baixo para 2019 desde que as projeções para o ano começaram a ser coletadas), instituições financeiras também estão fazendo suas revisões. O Itaú Unibanco reduziu de 2% para 1,3% a previsão para o crescimento do PIB em 2019. O Bradesco cortou de 2,4% para 1,9%. O Monitor do PIB divulgado pela FGV registrou uma retração de 0,4% na economia em fevereiro, reforçando as chances de um resultado negativo no primeiro trimestre.

O que está havendo, na avaliação da economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, é um “realinhamento de expectativas”. “O que se dizia era que, passadas as eleições, muitos projetos seriam desengavetados. Ficou claro que isso não era verdade. Também se imaginou que a reforma da Previdência sairia rápido, sem ser desidratada. Outro equívoco.”

O mercado superestimou o potencial de crescimento do Brasil, diz a economista. “Temos um quadro de estagnação, sem motor de crescimento de fora (que garanta aumento de exportações), nem de dentro. Não tem apetite de investimento. Há um consumo reprimido, mas como ele vai se materializar se a taxa de desemprego parou de cair?”. Segundo ela, é preciso estar preparado para novas revisões do PIB. Zeina não tem muita esperança de que seja possível reverter isso nos próximos meses, já que, à medida que a reforma da Previdência vai se arrastando no Congresso, o ano vai sendo comprometido. A proposta já passou pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara e começará a ser debatida na comissão especial, mas ainda há um longo caminho pela frente.

“Tempo, em economia, importa”, diz Silvia Matos, pesquisadora do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia) da Fundação Getulio Vargas. “A lentidão com a agenda de reformas e o risco político faz aumentar o custo da tomada de decisão.” Silvia prevê um crescimento de 1,5% a 1,8% este ano e também não descarta mais cortes na projeção, embora torça para que a pressão gerada por uma economia estagnada possa mudar os rumos nos próximos meses.

O que comprar na bolsa?

Diante das incertezas em relação ao cronograma da reforma, Filipe Villegas, analista da Genial Investimentos, prefere adotar um tom mais cauteloso nos novos investimentos. “Não estou falando em realizar posições agora. Não é mudar de um perfil agressivo para um conservador. Mas buscar um conservadorismo em novos investimentos”, afirma.

Em renda variável, ele sugere uma carteira com empresas mais resilientes, com menos estatais. Com um PIB andando de lado, as empresas que tendem a ser mais afetadas são aquelas ligadas a atividades primárias, mais suscetíveis a perdas com a redução da confiança. “Setores que pagam bons dividendos, como elétrico e bancário, podem ser bons pontos de fuga.”, diz. “Evitaria setores como siderurgia (CSN, Usiminas, Gerdau), industrial e ligados ao consumo”, diz.

É importante lembrar que os setores indicados por Villegas para os novos investimentos são diferentes dos que a maioria dos analistas indicava no fim do ano passado, quando o clima era de euforia com a economia brasileira. Naquela época, entre as grandes apostas estavam as empresas do segmento de consumo, que deveriam ter aumento de receitas na esteira do crescimento da economia brasileira. Não que elas sejam agora um mau negócio, mas no novo cenário as cifras esperadas nos seus balanços são menores.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

App da Pi

Aplique de forma simples, transparente e segura

aporte de peso

Microsoft anuncia investimento de US$ 1 bi em iniciativa de inteligência artificial associada a Elon Musk

Empresas planejam estender os recursos do serviço de nuvem corporativo Microsoft Azure em sistemas de IA em larga escala

Balanço

Santander tem lucro de R$ 3,635 bilhões no segundo trimestre e rentabilidade bate em 21,3%

Tanto o lucro líquido, que aumentou 20,2% em relação ao segundo trimestre do ano passado e ficou mais uma vez acima das projeções, como a rentabilidade representam o maior patamar histórico para o Santander

Operação lava Jato

Juiz condena delator e valida acordos de R$ 700 mi da Lava Jato

Para fraudar a competitividade de procedimentos licitatórios da Petrobras, um cartel composto pelas maiores empreiteiras do Brasil, incluindo a Construtora Camargo Corrêa, pagava propina para Paulo Roberto Costa, diretor de Abastecimento da estatal.

a bula do mercado

O inevitável afrouxamento monetário se aproxima

Dados do IPCA-15 serão decisivos para calibrar expectativas sobre corte de juro

Ah, poxa vida!

Em nova proposta, governo agora quer limitar saques do FGTS a R$ 500 em 2019

O público-alvo da medida são 100 milhões de contas do fundo (um trabalhador pode ter mais de uma conta)

O Seu Dinheiro na sua noite

Atrás do trio elétrico

Questionado certa vez sobre quem seria o “novo Caetano Veloso”, o cantor e compositor baiano respondeu: “o novo Caetano Veloso sou eu.” Na época, a música popular brasileira apresentava uma renovação com nomes como Lenine, Zeca Baleiro e, principalmente, Chico César. O paraibano era apontado como o principal candidato a herdar o trono do baiano, […]

Vish!

CVM suspende atuação irregular de empresa que tem Ronaldinho Gaúcho como garoto-propaganda

A empresa oferece produtos por meio de site, de eventos presenciais e de redes sociais como Facebook e Twitter

Medidas

Multa de 40% sobre o saldo do FGTS não será tratada agora, diz secretário de Fazenda

Waldery Rodrigues não apresentou detalhes, mas afirmou que a diretriz das medidas que serão apresentadas na semana é melhorar o acesso aos recursos do fundo

Hakuna Matata

Os críticos não gostaram muito do novo Rei Leão. Mas, para os mercados, a Disney segue com cinco estrelas

Com O Rei Leão, a Disney emplacou um sexto sucesso de bilheteria somente em 2019, apesar das críticas mornas ao novo filme. E o mercado mostra-se cada vez mais confiante em relação à empresa

Olha só...

Indicada para o FED, Judy Shelton é a favor de corte de juros em 50 pontos-base já neste mês

As informações são do jornal Washington Post. Em declarações feitas por e-mail, ela ressaltou que defenderia um corte já na reunião feita em junho em que o banco optou por manter o juro entre 2,25% e 2,5% ao ano

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements