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O Seu Dinheiro traz uma série com a história dos 10 homens mais ricos do mundo. Quem são? Como vivem? Como ficaram bilionários? E que lições você pode aprender com eles?
Se você não sabe quem é Larry Page e pretende descobrir, vai acabar encontrando a resposta justamente na ferramenta mais importante que ele já criou: o Google.
Aos 46 anos, com uma fala suave e personalidade discreta, o fundador do maior site de pesquisas da história é atualmente o décimo homem mais rico do mundo, segundo a lista de 2019 da revista Forbes. Com fortuna estimada em US$ 50,8 bilhões, ele trabalha na empresa que criou pelo salário de US$ 1.
Nascido em 26 de março de 1973 em Michigan, nos Estados Unidos, Page é filho de um casal de professores da Universidade de Michigan, e sempre teve interesse por computadores. Desmontar máquinas e montá-las novamente era uma diversão para o jovem Larry, que queria entender como elas funcionavam. Outro hobby da juventude era tocar o saxofone.
Aos 12 anos de idade, o pequeno gênio leu a biografia de Nikola Tesla, um inventor que morreu sem dinheiro algum, e com isso aprendeu uma lição que gosta de compartilhar: “inventar não é o suficiente, você tem que levar para as pessoas e ter certeza de que elas podem utilizar”. Para ele, ter criado o Google foi uma forma de ajudar a melhorar o mundo, ao organizar toda a informação disponível para que fosse útil na vida das pessoas.
Apesar do grande impacto que a ferramenta teve na internet, Page gosta de dizer publicamente que o seu trabalho não está concluído e que a próxima barreira está em desenvolver a inteligência artificial. “O trabalho não está terminado. Hoje a computação é uma bagunça, seu computador não sabe onde você está, o que você está fazendo e o que você já sabe”, afirmou em uma entrevista no TED2014.
Fazer os computadores compreenderem o contexto é um dos objetivos que motivam o empresário nos dias de hoje. Outra paixão é melhorar os sistemas de transporte, desenvolvendo carros voadores e carros que dirigem sozinhos. “Em Los Angeles metade do espaço é ocupado com estacionamentos e estradas, e é loucura usarmos o espaço dessa maneira”, disse na mesma entrevista.
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A jornada de Page começou quando ele foi para Stanford para fazer um doutorado, e conheceu o colega Sergey Brin, em 1995, com quem criaria o Google. Curiosamente, a semente para a criação do site mais acessado do mundo veio em um sonho.
Segundo o empresário conta, aos 23 anos ele acordou de um sonho se perguntando se poderia “baixar” toda a internet. A partir disso, passou a trabalhar em uma maneira de classificar as páginas da internet por seus links de entrada, e não de acordo com a quantidade de palavras compatíveis com a busca.
Com isso, as páginas eram listadas de acordo com a sua relevância. Ajudado pelo sócio, em 1996 ele criou um mecanismo de busca que foi batizado inicialmente de BackRub.
O nome foi alterado para Google pouco tempo depois, com a missão de organizar toda a informação disponível no mundo e torná-la acessível e útil. A partir deste momento, em 1998, o Google começou a chamar atenção não apenas da comunidade acadêmica, mas também de investidores do Vale do Silício.
Em agosto de 1998, o cofundador da Sun, Andy Bechtolsheim, deu um cheque de US$ 100 mil para a empresa, permitindo que a equipe saísse de um dormitório para o seu primeiro escritório, que ficava em uma garagem no subúrbio de Menlo Park, Califórnia. O imóvel era de Susan Wojcicki, que foi a 16ª funcionária do Google a atualmente comanda o Youtube.
Em 2018, para comemorar os 20 anos de sua fundação, a empresa divulgou imagens tridimensionais para os fãs fazerem um tour virtual na famosa garagem cheia de computadores velhos, uma mesa de ping pong e um tapete azul.
Atualmente, o Google tem mais de 60 mil funcionários em 50 países e é dona de outros ícones da era da informação: o Android e o Youtube. A compra do YouTube por 1,65 bilhão de dólares, em 2006, foi um dos momentos mais marcantes para o Google em termos de aquisições.
Page foi CEO do Google até 2001, quando passou o bastão para Eric Schmidt. Assim como os cofundadores do Google, Schmidt era um frequentador assíduo do festival de arte Burning Man, o que foi decisivo na sua nomeação para o cargo.

Conhecido por não gostar muito de lidar com pessoas, Page foi retomar o cargo somente em 2011, ficando na posição até 2015, quando o Google passou por uma reestruturação.
A empresa passou a ficar sob a holding Alphabet, assim como outras subsidiárias, e Page virou o CEO da Alphabet. Entre as empresas que fazem parte da Alphabet está a Waymo, que desenvolve carros que dirigem sozinhos, e a Sidewalk Labs, que trabalha em soluções digitais para problemas urbanos.
Enquanto muitos bilionários gostam de usufruir a fama e o luxo que o dinheiro pode comprar, Page não gosta de ostentar riqueza e prefere viver em harmonia com a natureza. Para isso, mora com a família em uma mansão ecológica em Palo Alto, com painéis solares e um jardim no telhado, e dirige um carro elétrico.
Não por acaso, ele é amigo íntimo do Elon Musk, CEO da Tesla Motors, empresa especializada em carros elétricos, e também é investidor da empresa.
Discreto sobre sua vida pessoal, um dos poucos detalhes revelados pelo executivo foi o seu quadro de paralisia nas cordas vocais, condição que faz a sua voz ser mais suave que o normal, o que gera dificuldades para fazer discursos muito longos.
Em 2007, ele se casou com a cientista Lucinda Southworth, em uma festa com 600 convidados em uma ilha no Caribe, com a presença do fundador do grupo Virgin, Richard Branson, que foi padrinho de Page. Eles continuam casados e têm dois filhos. Apesar de viver uma vida relativamente simples para um bilionário, Page se permite alguns luxos. Ele é dono de um iate de US$ 45 milhões, com direito a jacuzzi e heliponto, comprado em 2011.
Mas nem só de mecanismos de busca vive o fundador do Google. Outra paixão do empresário são os carros voadores. Ele é investidor da Kitty Hawk, uma startup que desenvolve este tipo de projeto, e da Zee.Aero, que desenvolve novos meios de transporte considerados revolucionários. Outros investimentos foram feitos na empresa Planetary Resources, que procura água em asteroides, e na Twigtale, startup de livros infantis.
No comando da Alphabet, ele segue em busca de projetos nos quais acredita. De acordo com o bilionário, sua grande motivação para trabalhar no Google é a sensação de estar trabalhando em algo “realmente importante”. “Quando você está literalmente mudando o mundo, levantar de manhã e ir ao escritório é muito fácil e também muito divertido.”
Para ele, criar coisas que ainda não existem e materializar como será o futuro é o grande desafio que deveria mover as empresas, mas a maioria está concentrada em trabalhar da mesma forma que 20 ou 50 anos atrás. “Não é disso que precisamos, mas sim de mudanças revolucionárias.” Como fazer isso? Da mesma forma que o Google foi criado: trabalhando em algo que ninguém está pensando ainda.

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