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Ministro da economia quer acabar com a isenção dada na cobrança do imposto para essas aplicações; assunto volta à agenda com discussões do projeto de Lei Orçamentária de 2020
O ministro da Economia, Paulo Guedes, quer acabar com a isenção dada na cobrança do Imposto de Renda para as aplicações em Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) e Letra de Crédito Imobiliário (LCI). O assunto voltou à agenda da área econômica nas discussões do projeto de Lei Orçamentária de 2020, apesar das resistências históricas dos setores.
LCA e LCI são investimentos em renda fixa isentos de Imposto de Renda. O que os diferencia é o propósito: os bancos emitem títulos e os recursos arrecadados com a compra desses papéis são usados para o financiamento de atividades imobiliárias ou do agronegócio. Como “recompensa”, o emissor oferece um taxa de rentabilidade anual que é definida no momento da compra.
No cenário de grande dificuldade fiscal, a avaliação do ministro Guedes, segundo apurou o Estado, é que não cabe mais essa diferenciação tributária entre as aplicações financeiras, que drena recursos do governo e provoca distorções no mercado de capitais. Ainda mais no cenário atual de juros mais baixos - a Selic, taxa básica de juros, está em 6% ao ano, o menor patamar da história.
Essa não é primeira vez que a área econômica busca acabar com a isenção. Em 2017, para fechar o projeto de Orçamento de 2018, a equipe econômica incluiu o fim da isenção num pacote de aumentos de tributos que atingia, principalmente, os contribuintes com renda mais alta e que incluiu também mudanças na tributação dos fundos de investimento imobiliário, que hoje são isentos da cobrança do IR.
No fim do ano passado, durante a transição de governo, a equipe econômica do ex-presidente Michel Temer preparou propostas de mudanças para reduzir incentivos fiscais que incluíam a taxação da LCA e LCI em 15%.
O ganho fiscal em 2020, nos cálculos da época, era de R$ 1,3 bilhão. O governo também propôs mudanças na tributação dos fundos exclusivos, aplicações de investidores de altíssima renda.
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Diante do aperto fiscal por causa das limitações do teto de gastos (o instrumento que impede o crescimento das despesas acima da variação do IPCA, índice oficial de inflação), Guedes orientou que o assunto voltasse a ser discutido. Para entrar em vigor em 2020, o fim da isenção tem de ser aprovado até o fim do ano pelo Congresso e só valeria para novas aplicações.
A mudança torna essa aplicação menos rentável para o investidor. “Não vejo outra vantagem além da fiscal nesse tipo de produto em relação a outros”, diz Luís Barone, sócio-diretor da corretora Ativa Investimentos. Ele lembra que, sem a isenção, as condições das letras de crédito e aplicações como o CDB são praticamente as mesmas: tributação regressiva, mesmo risco de crédito bancário, além da cobertura do Fundo Garantidor do Crédito.
A tendência é, portanto, que esses investimentos fiquem ainda mais parecidos. Nos bancos, a rentabilidade desses produtos já se equiparam. “É comum ver uma LCI que rende 95% do CDI e um CDB que rende 114% na mesma prateleira. Como o CDB já é tributado, as duas rentabilidades estão próximas”, diz Fabio Macedo, diretor comercial da Easynvest. Para ele, a retirada da isenção torna as LCIs e LCAs menos atrativas, o que deve levar o investidor a buscar outros produtos de renda fixa como os próprios CDBs ou títulos de crédito privado, para quem tem mais apetite a risco.
Para Gabriel Sjlender, gerente de renda fixa da Guide, a tributação deve aquecer outros tipos de captação como CRAs e CRIs (títulos de renda fixa emitidos por companhias securitizadoras). Esse títulos, por não contarem com o Fundo Garantidor de Crédito, entregam rentabilidades mais elevadas aos investidores. Ele acredita que se a isenção for retirada, haverá um desinteresse dos bancos em emitir esses títulos, o que diminuiria a disponibilidade desse papel para os clientes.
Por outro lado, Luís Barone, da Ativa Investimentos, pontua que o mercado financeiro não deve sofrer nenhum solavanco com a medida. “A quantidade de emissores de LCI e LCA não é grande, os papéis estão muito concentrados no Banco do Brasil e na Caixa. Logo, o efeito da mudança também será menor sobre o mercado”, diz Barone.
*Com informações do jornal O Estado de S. Paulo e Estadão Conteúdo
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