Menu
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Investimentos

Inflação respalda Selic em 6,5% ao ano por mais tempo

Mais uma leitura de inflação surpreende para baixo. Boa notícia para os ativos de risco e para quem está em títulos prefixados

23 de novembro de 2018
10:55 - atualizado às 11:42
Painel de ações negociadas na bolsa de valores - Imagem: Shutterstock

Tido como uma prévia da inflação oficial, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) marcou alta de 0,19% para novembro, recuando de 0,58% em outubro, e abaixo da mediana de 0,25% obtida pelo “Projeções Broadcast”. De fato, essa foi a menor leitura para meses de novembro desde 2003.

Para o investidor isso quer dizer que a chance de a Selic seguir nos atuais 6,5% ao ano por mais tempo continua aumentando. Juro baixo é boa notícia para ativos de risco, como bolsa de valores e Fundos Imobiliários, e também gera ganhos para quem está em títulos prefixados, notadamente para os investidores que entraram nesses papéis quando se chegou a estimar uma possibilidade de alta da Selic ainda em 2018.

Vamos a um exemplo. Uma LTN (Tesouro prefixado) para 2025 está negociada a 9,56% no seu Tesouro Direto. Em meados de outubro essa taxa estava ao redor de 10,6%. Mas nem é preciso ir tão longo, há uma semana a taxa ainda estava pouco acima dos 10%.

Inflação controlada

As últimas leituras de inflação mostram que a pressão cambial vista em setembro teve impacto limitado sobre os demais preços da economia, o que o Banco Central (BC) chama de efeitos secundários sobre os preços.

De fato, a queda do dólar dos R$ 4,20 para a linha entre R$ 3,70 e R$ 3,80, se alia a uma redução nos preços do petróleo no mercado internacional ainda não plenamente transferida aos preços locais. Também favorece o cenário, a redução no preço da energia elétrica, que capta a mudança na bandeira tarifária.

A inflação também está menos disseminada pela economia, algo mostrado pelo índice de difusão que caiu de 61,92% para 53,15%.

Mais relevante que o índice cheio, os núcleos de preços, que tentam captar a tendência da inflação, seguem bem-comportados, com algumas medidas rodando no piso na meta.

Medido em 12 meses, o IPCA-15 acumula alta de 4,39% recuando dos 4,53% vistos até outubro. Para o IPCA fechado do mês, que vamos conhecer no começo de dezembro, a CM Capital Markets projeta variação de apenas 0,06%. Em novembro do passado, a leitura tinha sido de 0,28%.

Projeções para a Selic

No boletim Focus, a mediana para a Selic no fim de 2019 segue em 8%. Mas se olharmos as médias, que servem como um indicador antecedente da mediana, elas estão recuando desde o começo de outubro e estão em 7,79%.

Isso indica que cada vez mais agentes de mercado estão revendo sua projeção para a Selic no fim do próximo ano. O grupo Top Five, composto pelas casas com maior índice de acerto, já está com projeção de 7,5% há duas semanas.

O Comitê de Política Monetária (Copom) tem sua última reunião de 2018 nos dias 11 e 12 de dezembro.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Comentários
Leia também
Para reduzir dívida

Casino fecha venda de 26 hipermercados e supermercados

Negócio é avaliado em 501 milhões de euros (US$ 569,2 milhões); pelo acordo assinado com a Fortress, o Casino receberá cerca de 392 milhões de euros no primeiro semestre do ano

Em dezembro

Indústria e varejo da China superam expectativas, mas avanço do PIB é o menor em 28 anos

Produção industrial chinesa subiu 5,7% em dezembro na comparação anual; analistas previam uma desaceleração, com ganho de 5,3%

Caso Queiroz

Flávio Bolsonaro reclama que não teve oportunidade de esclarecer movimentações

Nas entrevistas, o senador eleito afirmou que o pagamento de R$ 1.016.839 milhão de um título da Caixa Econômica Federal, registrado pelo Coaf como movimentação atípica, é referente ao valor da quitação da dívida de um apartamento

Dívida corporativa

Por que as debêntures devem ser as estrelas do investimento em renda fixa em 2019

Esse fenômeno já começou. Em 2018, as captações de recursos pelas empresas brasileiras diretamente de investidores no mercado de capitais atingiram quase R$ 200 bilhões, um crescimento de 19% e praticamente o dobro de 2016. Confira o que faz as perspectivas para este ano serem ainda melhores.

Renda fixa

O que você precisa saber antes de investir em uma emissão de debêntures

Investir em debêntures pode ser uma alternativa para quem busca mais de rentabilidade nas aplicações de renda fixa. Mas como tudo no mundo dos investimentos, o maior retorno vem acompanhado de mais riscos

A Bula do Mercado

Mercado entre China e Davos

PIB da China abre semana marcada por expectativa pela participação do governo Bolsonaro em Davos

Desânimo

Para JP Morgan, aumentou a chance de recessão nos EUA nos próximos 12 meses

Banco projeta uma probabilidade de 42,9% de contração na economia americana, contra uma projeção anterior de 40,8%

Indústria automobilística

Sindicato reage à ameaça de saída da GM do país, e montadora marca reunião com trabalhadores

Presidente da montadora para a América do Sul havia divulgado comunicado dizendo que “investimentos e o futuro” do grupo no país dependiam de volta da lucratividade em 2019

Sufoco

Empresas de alimentos concentram maior débito entre as mais endividadas

BRF, Marfrig e JBS tentam reduzir endividamento; siderúrgicas e outras empresas de infraestrutura também têm dificuldades

Alívio

Dívida das empresas abertas cai 17,7%, mas investimento ainda deve demorar

Movimento de reestruturação e redução das dívidas é puxado por Petrobras e Vale; cautela das empresas e capacidade ociosa, porém, ainda é grande

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu