Menu
2019-04-20T15:32:10-03:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Mercados

Gestor do maior fundo de investimentos do mundo está pessimista

Ray Dalio, da Bridgewater Associates, acredita que os investidores devem se acostumar com retornos menores no mercado americano e que o ambiente atual remonta o fim dos anos 1930

20 de novembro de 2018
13:23 - atualizado às 15:32
Ray Dalio
Perfil de Ray Dalio no site da Forbes - Imagem: Shutterstock

O gestor da Bridgewater Associates, com cerca de US$ 160 bilhões sob administração, Ray Dalio, engrossou o coro das grandes figuras de mercado que a acredita que a economia americana está em um fim de ciclo e que os próximos anos não devem ser tão brilhantes para o mercado de ações americano.

Em entrevista à “Bloomberg”, Dalio acredita que já “esprememos” muito o mercado de ações dos Estados Unidos e que os investidores devem se acostumar a com um ambiente de menores retornos “por um período muito, muito longo”.

A tese de Dalio é parecida com a de outros especialistas, como Howard Marks, da Oak Tree, e Jesse Colombo, da Clarity Financial. O período de juros extremamente baixos promovidos pelo Federal Reserve (Fed), banco central americano, e outros BCs, deixaram o mercado de ações bastante “suculento”, mas que esse período já cumpriu boa parte do seu curso.

Juros baixos por longo tempo e injeções de liquidez estimularam as atividades de fusão e aquisição e recompra de ações, impulsionando para cima o preço dos ativos. Somado a isso também ocorreram reduções de impostos sobre as empresas. “Impulsionamos o preço dos ativos para níveis em que é difícil ver onde você pode tirar mais”, disse.

Alerta semelhante também foi feito em palestra recente do gestor da SPX, Rogério Xavier, que vê um tsunami vindo em direção ao Brasil.

Além disso, esse período de juro baixo estimulou a tomada de dívida no que o Dalio afirma ser uma “alavancagem longa” da economia.

“Você pode esperar retornos mais baixos e mais impostos. Essa vai ser a natureza da fera”, afirmou.

Dalio também voltou a falar na possível perda de poder do dólar e como isso vai impactar os mercados de ativos. A preocupação é com o crescente déficit americano e como os grandes financiadores podem querer deixar de manter os títulos da dívida em carteira.

O gestor também avalia que o mundo parece muito com o fim dos anos 1930, com aumento da polarização política na forma de políticos populistas e com os mercados em fim de clico de negócios e ações que bateram as máximas.

Em janeiro, Dalio também tinha ganhando as manchetes dos principais veículos de economia ao dizer, em entrevista no Fórum Econômico Mundial, que “se você estiver com posição em dinheiro, você vai se sentir muito estúpido”. A conversa acontecia em um contexto de expectativa com o rumo do S&P 500 que vinha batendo sucessivos recordes históricos de alta.

Naquele momento, Dalio enxergava um cenário extremamente favorável, com inflação baixa, crescimento forte e estímulos fiscais dando sustentação à economia e ao mercado de ações. O porém era justamente a possibilidade de três altas de juros pelo Fed. Algo que não só aconteceu, como o Fed está indo para uma quarta elevação agora em dezembro.

E o Brasil com isso?

Por aqui, as expectativas com o novo governo são boas, mas o que parece que está se concretizando é que as necessárias medidas de ajuste fiscal terão de ser tomadas em um ambiente global mais desafiador, que invariavelmente vai se refletir nos mercados e na tolerância dos investidores.

Ao longo dos últimos pregões temos assistido a dificuldade do Ibovespa, principal índice de ações da B3, conseguir se descolar dos dias bastante negativos que temos visto nos mercados americanos. Como disse um amigo operador, o “S&P 500 estrou a festa novamente”. E as bolsas americanas seguem em firma baixa nesta terça-feira, dia de feriado para os mercados por aqui.

Como bem nos disse em recente entrevista o gestor da Ibiuna, Rodrigo Azevedo, em momentos de menor liquidez e maior volatilidade global a capacidade dos investidores em dar o benefício da dúvida e tolerar erros é menor.

A dúvida é se um ambiente externo mais hostil, com reflexo nos preços por aqui, pode servir de estímulo ou atraso à aprovação de reformas e outros ajustes necessários para afastar as dúvidas sobre a solvência do país. Pelo que vi aqui em Brasília, quando o caldo entorna é maior a chance de o Congresso de mexer mais rápido.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Comentários
Leia também
ENCRUZILHADA FINANCEIRA

Confissões de um investidor angustiado

Não vou mais me contentar com os ganhos ridículos que estou conseguindo hoje nas minhas aplicações. Bem que eu queria ter alguém extremamente qualificado – e sem conflito de interesses – para me ajudar a investir. Só que eu não tenho o patrimônio do Jorge Paulo Lemann. E agora?

Tudo que vai mexer com seu dinheiro hoje

No radar: IPO da XP e Mourão na posse do presidente argentino

Sai hoje o preço das ações da XP Investimentos que serão ofertadas na bolsa americana Nasdaq. Hoje também será definido quem conseguirá entrar na oferta. Será que os fundos brasileiros vão ganhar um pedacinho deste bolo?   No lado político, o destaque é uma espécie de trégua do governo de Jair Bolsonaro com o presidente eleito […]

Mais uma oferta no exterior

Madero deve desembarcar nos EUA em junho com o seu IPO, diz jornal

Segundo informações do Valor Econômico, a rede de hamburgueria já contratou o Bank of American e J.P. Morgan para coordenarem a oferta

nova no pedaço

Incorporadora Mitre entra com pedido de IPO na CVM

Companhia informa que planeja, com uma oferta primária, usar os recursos para a aquisição de terrenos; arcar com custos de construção e despesas administrativas

Saiba como corrigir

Cerca de 700 mil contribuintes caíram na malha fina em 2019

Para retificar a situação com o Fisco, o contribuinte deverá consultar o extrato do processamento da declaração no e-CAC da Receita Federal para verificar

Todo mundo quer um pouco

Demanda por ações da XP Investimentos em IPO supera em 10 vezes a oferta

Como a operação poderá a chegar a US$ 2,1 bilhões, considerando a colocação de um lote extra, já há ordens de aproximadamente US$ 20 bilhões pelos papéis

recuo

Bolsonaro decide enviar Mourão à posse de novo presidente da Argentina

Mais cedo, o Ministério das Relações Exteriores havia informado que o embaixador do Brasil em Buenos Aires representaria o governo brasileiro na posse de Alberto Fernández

Renda fixa que varia

Crise com debêntures está perto do fim e pode ser oportunidade de entrada para investidor

Após ajuste no mercado, fundos carregam hoje debêntures com taxas mais altas, por isso o investidor que entrar agora pode se beneficiar, segundo Ulisses Nehmi, da Sparta, gestora com R$ 6 bilhões em patrimônio

A Bula do Mercado

Mercado resgata cautela, à espera de decisão

Véspera de decisão do Fed e do Copom e contagem regressiva para prazo final de novas tarifas dos EUA contra a China deixam mercados na defensiva

Atenção, acionistas

Itaúsa e Bradesco anunciam pagamento de juros sobre capital próprio para seus acionistas

O pagamento de JCP também é uma forma de distribuir lucros, mas em vez de terem um benefício tributário para os acionistas, como ocorre com os dividendos, os Juros sobre Capital Próprio beneficiam a empresa

DE OLHO NO SERVIÇO PÚBLICO

Reforma administrativa é no sentido de valorização do quadro atual, diz Guedes

Ele defende que a estabilidade não seja automática, mas conquistada pelo servidor após anos de boas avaliações no trabalho

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements