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Julia Wiltgen

Julia Wiltgen

Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril. Hoje é editora-chefe do Seu Dinheiro.

Taxa de 1% ou mais

Fundos DI mais caros perdem da inflação, mas concentram 60% dos cotistas

Fundos com taxa de administração de 1,0% ao ano ou mais rendem menos que poupança e inflação, mas concentram quase 2 milhões de cotistas

Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
11 de novembro de 2019
16:04 - atualizado às 16:23
Alicate de pressão pressiona moedas em analogia à inflação
Com juros baixos, renda fixa conservadora pode facilmente perder da inflação. Imagem: Shutterstock

Com a Selic em 5,0% ao ano, o retorno das aplicações de renda fixa conservadora ficaram ainda mais sensíveis aos custos. Fundos DI com taxa de administração alta, por exemplo, já têm a capacidade de perder da inflação e da caderneta de poupança, como eu mostrei nesta matéria recente.

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Hoje em dia, é possível encontrar, nas plataformas de investimento on-line, fundos ultraconservadores, cuja rentabilidade acompanha de perto a taxa DI, com custo zero ou muito baixo.

Na mesma matéria, eu mostrei que, atualmente, um fundo conservador não deveria ter taxa de administração superior a 0,2% ao ano para se manter interessante, mesmo que apenas para a reserva de emergência.

Acontece que a realidade do investidor brasileiro é bem diferente. Um levantamento da gestora de investimentos digital Magnetis, com dados da base da Anbima, mostrou que a maior parte dos cotistas de fundos DI no Brasil ainda investe em fundos bem caros.

Perda fixa

O levantamento não diferencia pessoas físicas de pessoas jurídicas (por exemplo, um fundo que investe em outro fundo) nem dá conta do fato de que um mesmo cotista pode investir em mais de um fundo (um único cotista pode aparecer repetido).

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Mesmo assim, os números espantam: quase 1,8 milhão de cotistas (cerca de 60% daqueles que investem em fundos DI) está em fundos com taxa de administração de 1,0% ao ano ou mais; destes, pouco mais de um terço (640 mil ou 22% do total) investe em fundos com taxa de 2,0% ao ano ou mais.

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Só para você ter uma ideia, um fundo DI com taxa de administração de 2,0% ao ano rende menos da metade do CDI, considerando que também sofre cobrança de imposto de renda. Mesmo um fundo que cobre 1,0% ao ano de taxa rende somente cerca de 60% do CDI depois de descontado o IR.

Seja como for, esses fundos mais caros perdem da poupança e do IPCA estimado para os próximos 12 meses. E investimento que perde do IPCA não serve, porque faz seu dinheiro perder poder de compra.

Mas então onde investir?

Está certo que alguns fundos DI do levantamento se destinam à aplicação automática de valores em conta nos bancos, mas hoje em dia já existem contas que remuneram a 100% do CDI antes de impostos, sem a cobrança de qualquer taxa, como a NuConta ou a conta digital do PagBank.

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Os fundos de renda fixa conservadora hoje em dia só tem servido mesmo para reserva de emergência e objetivos de curto prazo, dada a baixa rentabilidade. As melhores alternativas do mercado são os fundos Tesouro Selic isentos de taxas, que não são necessariamente fundos DI, mas investem o patrimônio dos cotistas em títulos públicos Tesouro Selic.

As instituições financeiras que dispõem desses fundos atualmente são o BTG Pactual Digital (BTG Pactual Digital Selic S FI RF), as corretoras Pi (Pi Selic RF Simples FI) e Rico (Trend DI Simples) e a plataforma Órama (Órama DI FIRF Simples LP).

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