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Quebrando recordes

Dólar sobe a R$ 4,24 e chega a uma nova máxima de fechamento; Ibovespa cai mais de 1%

O dólar à vista teve um dia de pressão intensa, chegando a tocar o nível de R$ 4,27 no momento de maior tensão. Após duas atuações do Banco Central, a divisa se afastou das máximas, mas ainda fechou em alta firme e atingiu um novo recorde de encerramento

Selo Mercados AGORA Ibovespa dólar
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Um dia após bater recorde de fechamento, o dólar à vista testou novas máximas nesta terça-feira (26). Tanto em termos intradiários quanto de encerramento, a moeda americana chegou a níveis nunca antes alcançados — ao menos, em termos nominais. E, em meio a esse cenário de tensão, o Ibovespa e os juros também foram afetados.

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No momento de maior tensão, o dólar à vista cegou a ser negociado a R$ 4,2772 (+1,49%), marcando um novo recorde em termos intradiários. Ao fim da sessão, a divisa estava longe desse pico, a R$ 4,2400 — uma alta de 0,61%. Esse alívio, no entanto, não muda a história: é uma nova máxima de encerramento, superando com folga os R$ 4,2145 de ontem.

E esse quadro de cautela extravasou para os demais mercados: o Ibovespa cai mais de 1% e retorna ao patamar dos 106 mil pontos, e as curvas de juros fecharam em alta firme.

[captacao]

A forte reação dos agentes financeiros se deve às declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, recomendando aos investidores que se costumassem com juros mais baixos e câmbio mais alto — segundo ele, a atual conjuntura econômica faz com que a taxa de equilíbrio do dólar seja mais alta.

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A fala do ministro foi mais uma camada na bola de neve de fatores de estresse para o mercado de câmbio. Conforme destaca Cleber Alessie, operador da H. Commcor, a combinação entre juros mais baixos, redução do apelo das operações de carry trade, frustração com o leilão da cessão onerosa e tensão social na América Latina já vinha pressionando o dólar.

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"Além de tudo isso, veio o Guedes dizendo que é melhor o mercado se acostumar. Juntando todos os fatores, não há como enfrentar o movimento de alta por aqui", diz Alessie. "Mesmo o especulador pode sofrer bastante até que a moeda volte a cair".

Durante a manhã, o dólar à vista chegou a tocar o nível de R$ 4,26 e, nesse cenário, o Banco Central (BC) voltou a promover um leilão surpresa para venda da moeda americana no mercado à vista. A medida até trouxe um alívio pontual e fez a divisa recuar a R$ 4,24, mas esse movimento teve vida curta: no meio da tarde, a moeda chegou a romper o nível dos R$ 4,27.

O novo pico fez o BC convocar mais um leilão no segmento à vista por volta de 15h30. O anúncio da segunda operação trouxe alívio às cotações, derrubando-as ao patamar de R$ 4,23 — mas, assim como ocorreu durante a manhã, a divisa voltou a subir pouco tempo depois, terminando a sessão em R$ 4,24.

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Para completar o quadro desfavorável para o mercado de câmbio brasileiro, o dia foi de pressão sobre as moedas de países emergentes como um todo. O dólar ganha força em relação ao peso mexicano, ao rublo russo, ao peso chileno, ao rand sul-africano, ao peso colombiano e à lira turca, entre ouras divisas.

Alta firme nos juros

A pressão no dólar à vista é refletida no mercado de juros futuros: as curvas passam por ajustes positivos, tanto na ponta curta quanto na longa. Veja abaixo como estão os principais DIs:

  • Janeiro/2021: alta de 4,64% para 4,73%;
  • Janeiro/2023: avanço e 5,94% para 5,97%;
  • Janeiro/2025: subida de 6,54% para 6,59%;
  • Janeiro/2027: ganho de 6,85% para 6,92%.

E o Ibovespa?

A disparada do dólar trouxe efeitos imediatos à bolsa, em especial às empresas que possuem custos denominados na moeda americana, como as companhias aéreas. Azul PN (AZUL4) e Gol PN (GOLL4) recuam 5,29% e 4,30%, respectivamente, e lideram as perdas do Ibovespa.

Mas não são apenas essas as companhias que aparecem no campo negativo. Grande parte dos papéis do índice operam em queda, contaminados pelo sentimento de aversão ao risco e cautela que toma conta do dólar nesta terça-feira. Nesse cenário, as ações dos bancos e das varejistas caem forte, assim com os ativos da Petrobras.

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No lado oposto, companhias exportadoras comemoram o nível mais alto da moeda americana, uma vez que o câmbio mais elevado tende a impulsionar a geração de receita. É o caso das siderúrgicas CSN ON (CSNA3), em alta de 3,24%, e Gerdau PN (GGBR4), com ganho de 2,44%.

Você pode ver mais detalhes das altas e baixas do índice nesta matéria especial. Confira também as maiores altas do Ibovespa no momento:

  • CSN ON (CSNA3): +3,48%
  • Gerdau PN (GGBR4): +2,38%
  • Yduqs ON (YDUQ3): +2,04%
  • Metalúrgica Gerdau PN (GOAU4): +1,70%
  • Bradespar PN (BRAP4): +1,68%

E os papéis de pior desempenho do índice:

  • Azul PN (AZUL4): -5,27%
  • Gol PN (GOLL4): -4,18%
  • Cielo ON (CIEL3): -4,09%
  • Cogna ON (COGN3): -3,57%
  • BTG Pactual units (BPAC11): -3,52%

Lá fora

No exterior, os mercados globais se ressentem da menor liquidez nos negócios nos próximos dias devido ao feriado de Ação de Graças, que acontece na próxima quinta-feira nos Estados Unidos.

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Wall Street testa o fôlego para esticar o rali recente, um dia após as bolsas terem renovado os níveis recordes. No momento, o Dow Jones sobe 0,08%, o S&P 500 tem alta de 0,07% e o Nasdaq avança 0,12%.

Novamente, a esperança quanto ao fechamento de um acordo comercial entre EUA e China pauta os rumos dos mercados financeiros globais. Notícias de que autoridades dos dois países mantiveram contatos telefônicos nesta terça-feira animaram os investidores.

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