Quem é Rafaela Pimenta, a brasileira empresária de Haaland que negocia contratos bilionários no futebol
Advogada de formação, Rafaela Pimenta lidera negociações importantes, administra a carreira de Erling Haaland e se tornou uma das mulheres mais influentes da indústria esportiva

Quando o jogador Erling Haaland renovou seu contrato com o Manchester City até 2034, no início deste ano, o anúncio chamou atenção pela duração incomum do vínculo. Nos bastidores, porém, outro nome despertou interesse no mercado do futebol: o da brasileira Rafaela Pimenta.
Chamada de "a mulher mais poderosa do futebol" por jornais estrangeiros, Pimenta é advogada de formação e hoje radicada em Mônaco. No pequeno país Europeu, ela lidera a agência Tatica, especializada na gestão da carreira de atletas de elite.
É ela quem conduz algumas das negociações mais valiosas do esporte. A empresária participa de decisões que envolvem salários, bônus, direitos de imagem, patrocínios e transferências milionárias. Nos últimos anos, acumulou reconhecimento internacional ao negociar a ida de Haaland para o Manchester City, operação eleita a Melhor Transferência de 2022 no Globe Soccer Awards, e passou a figurar entre as mulheres mais influentes do esporte.
Neste ano, aos 53, entrou para a lista global 50 Over 50, da Forbes, que reúne lideranças acima dos 50 anos que se destacam nos negócios, na cultura e na política.

Coração dividido entre Brasil e Noruega
Classificada para as oitavas de final após vencer a Costa do Marfim na Copa do Mundo, a Noruega colocará Rafaela Pimenta diante de um dilema no próximo domingo, 5.
Brasileira e torcedora declarada da Seleção, ela também representa o principal astro da equipe europeia, Erling Haaland. Questionada pelo Seu Dinheiro sobre para quem torcerá no confronto, preferiu manter a resposta em sigilo.
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Uma carreira construída antes de Haaland
Embora hoje seja conhecida como a agente do atacante norueguês, a trajetória de Rafaela começou muito antes de o camisa 9 do Manchester City se tornar um fenômeno mundial.
Paulistana, ela formou-se em Direito e atuou como professora universitária antes de migrar para o mercado esportivo no fim da década de 1990. A formação jurídica acabou se tornando um diferencial em sua carreira. O setor passou a exigir conhecimento sobre legislação internacional, tributação e contratos complexos à medida que o futebol se transformou em uma indústria bilionária.
Nos anos 2000, sua experiência no direito a levou a negociar contratos para pessoas ligadas a clubes brasileiros, Rafaela, então, começou a atuar na assessoria jurídica de transferências internacionais.
Além de fechar contratos entre clubes, ela acompanha acordos comerciais, estratégias de imagem, investimentos e decisões de longo prazo dos atletas. Ela, inclusive, defende que o papel do jogador é atuar dentro de campo, enquanto cabe à equipe que o representa transformar oportunidades em projetos sustentáveis para a carreira.
Essa lógica ajuda a explicar por que jogadores se tornaram marcas globais. Haaland, por exemplo, movimenta receitas que vão muito além do salário pago pelo Manchester City, com contratos publicitários, presença digital e licenciamentos que ultrapassam US$ 120 milhões (aproximadamente R$ 600 milhões).
Mais do que a sucessora de Mino Raiola
Desde a morte do empresário italiano Mino Raiola, em 2022, Rafaela passou a administrar parte da carteira de clientes construída ao lado dele ao longo de mais de duas décadas de parceria. A transição fez muitos a classificarem como sua sucessora, mas sua atuação rapidamente ganhou identidade própria.
A parceria com Raiola, inclusive, foi marcada por debates acalorados, conta Rafaela. Ainda assim, ela diz que nunca houve um conflito real entre os dois, porque o empresário sempre respeitou os acordos que estabeleciam.
Hoje, além de Haaland, ela representa jogadores como Matthijs de Ligt, Santiago Giménez, Noussair Mazraoui e a promessa mexicana Gilberto Mora, de 17 anos. Pimenta também integra o conselho da organização Women in Football, dedicada ao fortalecimento da presença feminina na indústria esportiva.
Sexismo e a visão de quem enxerga o futebol como uma indústria
A empresária já revelou que vivenciou sexismo na carreira e chegou a ser confundida com uma prostituta duas vezes durante negociações.
"Acho que, muitos anos atrás, essa questão do gênero era muito mais forte. Houve uma longa evolução desde uma primeira reunião em que um diretor esportivo me disse: 'Então você existe mesmo? Achei que você fosse uma prostituta brasileira', até onde estamos hoje", disse à BBC.
Recentemente, tem defendido que o futebol mudou de escala. Para ela, os atletas deixaram de ser apenas jogadores para se tornar empresas, responsáveis por movimentar marcas, investidores e projetos comerciais em diferentes mercados.
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