Museu MALBA, em Buenos Aires, terá expansão subterrânea e fundo de US$ 50 milhões
Projeto prevê dobrar a área de exposição do museu argentino com uma ampliação subterrânea e a incorporação de mais de 1.200 obras ao acervo

Quem passar pela Plaza Perú, em Buenos Aires, continuará vendo uma praça. Mas o endereço se prepara para uma grande mudança em seu subsolo, onde o MALBA,famoso museu argentino, ganhará uma nova área de exposição e ampliará sua estrutura.
A novidade foi anunciada pelo fundador e presidente da instituição, o empresário e colecionador Eduardo Costantini, durante as comemorações dos 25 anos do museu, em setembro.
A obra ficará a cargo do Taller Frida Escobedo, escritório de arquitetura com sedes na Cidade do México e em Nova York. O projeto está em fase de desenvolvimento, e a inauguração está prevista para o fim de 2029 ou o início de 2030.
Além da ampliação física, o endereço também deve receber a incorporação de novas obras ao acervo e a criação de um fundo de US$ 50 milhões para assegurar a continuidade do MALBA.
O museu, aliás, é um destino frequente de brasileiros que viajam à Argentina. Até abril deste ano, uma das obras mais procuradas pelos visitantes era Abaporu, pintada por Tarsila do Amaral em 1928. A obra foi retirada de exposição após o encerramento da mostra Terceiro Olho, mas a pintura, considerada uma das mais emblemáticas da arte brasileira, continua no acervo do museu argentino.

O que haverá embaixo da praça
A proposta prevê novas salas para exposições temporárias, um auditório, ambientes multiuso, oficinas, áreas de armazenamento e escritórios. A escolha do subsolo permite ampliar a estrutura do museu sem eliminar a praça da paisagem urbana. O projeto inclui ainda uma praça-pátio externa, criando uma conexão entre os novos ambientes e o espaço público.
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"O projeto não é apenas sobre adicionar mais espaço, mas sobre transformar o museu como um todo, criando novas conexões entre os programas que fizeram de Malba o que é hoje", resumiu Escobedo ao portal The Art Newspaper.

O novo layout permitirá que atividades de cinema, literatura e educação aconteçam ao mesmo tempo, mesmo fora do horário normal do museu.
Discutida desde 2011, quando o MALBA completou dez anos, a ideia inicial previa acrescentar cerca de 3.840 metros quadrados à estrutura existente. Agora, o plano avança com um escritório internacional de arquitetura à frente do desenvolvimento.

Um acervo maior exige mais espaço
Por trás da obra está uma mudança importante na coleção do museu. Em dezembro de 2025, Costantini anunciou a aquisição da Coleção Daros Latinamerica, formada por mais de 1.200 obras de artistas da região. Em setembro de 2026, ele confirmou a doação dessa coleção ao MALBA, acompanhada de outras 17 peças de destaque da arte moderna latino-americana.
Entre os artistas representados nesse conjunto estão Frida Kahlo, Diego Rivera, Leonora Carrington, Remedios Varo e Wifredo Lam. Com as incorporações, o acervo reunido pelo MALBA e por Costantini chega a aproximadamente 3 mil obras.

O que há por trás do fundo de US$ 50 milhões
Costantini criou o MALBA Art Trust, com capital inicial de US$ 50 milhões aportados por ele próprio, para contribuir com a continuidade da instituição no longo prazo.

O fundo, porém, não equivale ao orçamento da obra. Costantini criou a reserva de US$ 50 milhões para garantir a sustentabilidade financeira do museu no longo prazo, mas ainda não divulgou o custo da expansão subterrânea.
Ao anunciar o fundo, Costantini também convidou patrocinadores e apoiadores de outros países a contribuir com a iniciativa. A proposta busca garantir a sustentabilidade financeira do museu no longo prazo, reduzindo sua dependência dos recursos do fundador.
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