Yoga Force Flow: nova prática une treino de força com yoga sem parecer musculação
Criado por duas professoras no Rio, método incorpora pesos leves ao yoga para trabalhar força, estabilidade e controle corporal

Há uma imagem bastante específica associada ao yoga: a pessoa que dobra o próprio corpo como se não tivesse ossos, pernas atrás da cabeça, equilíbrios sobre as mãos e posições que parecem dificílimas. Para a professora de yoga Esther Bruno, esse imaginário acabou criando uma ideia equivocada sobre o que significa evoluir na prática.
Foi tentando encontrar outra forma de desafiar o corpo que ela e a também professora de yoga Thaísa Girotto criaram o Force Flow Yoga, metodologia lançada no Rio de Janeiro em junho. Em vez de aumentar a dificuldade com posturas cada vez mais acrobáticas, as duas colocaram pesos leves na equação.
A carga costuma ficar entre 500 gramas e 1 quilo e, mais raramente, chega a 2 quilos. O peso é pequeno, mas muda a maneira como o corpo precisa sustentar uma posição. “Quando a gente insere uma carga, aumentamos a necessidade de estabilidade, de presença, de controle e de consciência”, diz Esther.
A ideia surgiu, primeiro, no próprio corpo das professoras. As duas perceberam que tinham bastante flexibilidade, mas sentiam falta de força para acompanhar essa característica. Começaram, então, a estudar maneiras de levar o treinamento de força para dentro do yoga.
O resultado não pretende transformar a aula em musculação. A proposta é acrescentar resistência sem abrir mão da respiração, da concentração e da fluidez que fazem parte da prática.
A força que faltava ao yoga
A associação entre yoga e flexibilidade não surgiu do nada. Nas redes sociais, são as posturas mais difíceis que costumam chamar atenção. Quanto mais improvável parece a posição, mais fácil é transformá-la em imagem. Esther, porém, queria outro tipo de desafio.
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“Percebemos que muitas pessoas querem uma prática de yoga mais desafiadora e querem evoluir, mas acabam associando uma prática avançada a posturas extremamente desafiadoras, principalmente em relação à flexibilidade e à força”, afirma.

No Force Flow, a progressão pode acontecer sem que o aluno precise virar um pretzel humano. Uma postura conhecida passa a exigir mais estabilidade quando recebe uma carga. O praticante precisa controlar melhor o movimento e sustentar a posição por mais tempo. A respiração, nesse contexto, não fica em segundo plano: segundo Esther, quanto maior o desafio físico, maior a necessidade de permanecer concentrado.
Por que falar de músculo agora?
A aposta também conversa com uma preocupação que ganhou espaço no mercado de wellness, que envolve preservar força e massa muscular ao longo da vida.
A Organização Mundial da Saúde recomenda que adultos façam atividades de fortalecimento muscular que envolvam os principais grupos musculares em pelo menos dois dias por semana. O treinamento de força também aparece cada vez mais associado às discussões sobre envelhecimento saudável e longevidade.

O yoga, por sua vez, não precisa competir com a musculação para entrar nessa conversa. É esse o espaço que Esther tenta ocupar. A metodologia combina posturas, mobilidade, respiração e consciência corporal com uma dose adicional de resistência.
“Não é simplesmente estar levantando um peso ou completar uma sequência. Você está observando como o seu corpo responde”, explica.
A diferença também está na carga. Esther diz que o método não trabalha com pesos altos porque o objetivo não é hipertrofia. O esforço vem da combinação entre peso, tempo de permanência, repetições e posição do corpo. Por isso, meio quilo pode ser suficiente para mudar uma postura que parecia simples.
Para quem não gosta de academia
A aula dura 45 minutos. É tempo suficiente, segundo as criadoras, para reunir força, flexibilidade, respiração e consciência corporal em uma única prática.
A proposta mira quem já faz yoga e quer um desafio diferente, mas também quem não se identifica com a academia ou simplesmente não consegue encaixar várias atividades na rotina. Esther diz que também pensa em pessoas sedentárias. “Para as pessoas que não gostam de academia e querem resolver a vida toda em 45 minutos”, resume.
Ainda assim, o Force Flow não se apresenta como substituto universal para o treinamento de força. E a metodologia é recente: não há estudos clínicos específicos sobre seus efeitos que permitam afirmar que ela produz os mesmos resultados de programas de musculação ou de treinamento resistido já estudados.
O negócio por trás do tapete
Esther já trabalha com yoga há anos. Formada em balé clássico pelo método do Royal Ballet , tornou-se professora de yoga em 2017 e começou a dar aulas para amigos e familiares no ano seguinte.
Foi durante a pandemia, em 2020, que o trabalho ganhou escala. Ela passou a oferecer aulas abertas nas redes sociais e transformou o que começou como hobby em negócio. Hoje, afirma ter dado mais de 15 mil aulas. Também mantém a comunidade online Yoga com Esther, além das aulas presenciais e particulares.
O Force Flow é o próximo passo dessa trajetória, e já nasce com ambição empresarial. A metodologia terá aulas online, retiros, eventos, licenciamento e formação de professores. A primeira turma de certificação está prevista para outubro. Para ensinar a prática, é necessário já ser professor de yoga, segundo Esther.
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