O que está por trás da reserva de minerais críticos de US$ 12 bilhões de Donald Trump
Após o anúncio do presidente norte-americano, as ações relacionadas ao setor de terras raras registram forte alta no início desta terça-feira (3)

Na era da corrida tecnológica, o presidente dos EUA, Donald Trump, não quer depender da China e está colocando planos em prática para seguir competindo de igual para igual com o gigante asiático. Agora, a nova iniciativa do republicano é um projeto para criar uma reserva de minerais críticos de US$ 12 bilhões.
Segundo o anúncio feito na segunda-feira (2) a noite, a reserva visa minimizar a dependência de terras raras e minerais da China. O país é líder da cadeia de suprimentos de minerais críticos, sendo responsável por quase 60% da mineração mundial de terras raras e mais de 90% da fabricação de ímãs.
"Por anos, empresas norte-americanas correram o risco de ficar sem minerais críticos durante interrupções no mercado. Hoje, estamos lançando o que será conhecido como Projeto Vault, para garantir que empresas e trabalhadores americanos nunca sejam prejudicados por qualquer escassez", disse Trump em coletiva de imprensa no Salão Oval.
Segundo ele, a reserva terá US$ 10 bilhões de financiamento do Banco de Exportação e Importação dos EUA e US$ 2 bilhões do setor privado. “Espero que os contribuintes lucrem com o empréstimo desse projeto”, acrescentou.
Após o anúncio de Trump, as ações relacionadas ao setor de terras raras amanheceram em forte alta nesta terça-feira (3). USA Rare Earth (+4,63%), Critical Metals (+5,56%), United States Antimony (+5,60%) e NioCorp Developments (+4,38%) disparavam no início do dia em Nova York.
EUA e China na corrida pelas terras raras
Os minerais estratégicos, como lítio, cobalto e germânio, e as terras raras entraram no meio da disputa geopolítica entre EUA e China.
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Grupo de 17 elementos da tabela periódica, esses minerais de difícil extração são essenciais para a fabricação de tecnologias, que vão de smartphones e painéis solares a carros elétricos e equipamentos militares.
Em outubro, durante um novo toma-lá-dá-cá tarifário entre as duas potências, os líderes Donald Trump e Xi Jinping firmaram um acordo comercial, que estendeu o fluxo de terras raras, minerais críticos e ímãs "de forma aberta e livre" por, pelo menos, um ano.
Porém, os meses anteriores foram marcados pelo aumento da temperatura entre as duas maiores potências econômicas do mundo. Pequim chegou a anunciar restrições adicionais à exportação desses minerais estratégicos.
Agora, Trump quer evitar novas dores de cabeça caso as relações com a China voltem a ficar mais quentes. "Não queremos nunca passar pelo que passamos há um ano — embora tenha dado certo", acrescentou em coletiva.
Projeto Vault: o que se sabe sobre os novos planos de Trump
Durante o anúncio realizado ontem, o presidente norte-americano revelou que a iniciativa é semelhante aos esforços referentes à reserva de emergência de petróleo do país.
"Assim como há muito tempo temos uma reserva estratégica de petróleo e um estoque de minerais críticos para a defesa nacional, agora estamos criando essa reserva para a indústria norte-americana, então não teremos problemas", disse Trump.
Também presente na coletiva realizada na véspera, o secretário do Interior, Doug Burgum, afirmou que “mais 11 países estão se juntando ao clube de minerais críticos” e “outros 20 países querem se juntar”.
Já o secretário de Comércio, Howard Lutnick, comentou que a ação vai trazer de volta a indústria de automóveis e de minerais críticos aos EUA.
*Com informações do Estadão Conteúdo e CNBC.
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