🔴 [NO AR] ESPECIALIZAÇÃO EXECUTIVA EM IA: 3 AULAS GRATUITAS – ASSISTA AGORA

Conteúdos exclusivos da Empiricus

Parceria Seu Dinheiro e Empiricus:

Salve suas matérias favoritas do Seu Dinheiro criando uma conta gratuita na Empiricus.

E tem mais: ao criar sua conta gratuita, você ganha acesso a um universo de conteúdos que vai muito além das notícias.

Relatórios, cursos, podcasts, newsletters e estratégias de investimento para transformar informação em melhores decisões.

NOBEL CONTROVERSO

O médico que ganhou um Nobel por fazer 12 furos no cérebro de pacientes

Egas Moniz ganhou o Nobel de Medicina de 1949 pela leucotomia, um procedimento sem base científica que se espalhou por dezenas de países

Egas Moniz nobel
Imagem: Gerada por IA

Um cirurgião perfura o crânio do paciente dos dois lados, na altura das têmporas. Por cada furo, insere um tubo fino de metal, que tem, na ponta, um fio retrátil que se abre como um laço. Ele gira o instrumento dentro do cérebro e corta um círculo no lobo frontal.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Seis cortes de cada lado, doze ao todo. Isso é, na prática, a leucotomia pré-frontal — um procedimento que ficaria conhecido como lobotomia. Com o paciente sob anestesia geral, destruíam-se partes do cérebro como tratamento psiquiátrico.

O procedimento era rápido: pacientes eram operados no mesmo dia em que chegavam ao hospital e voltavam ao internamento psiquiátrico em até dez dias.

A ideia por trás do corte veio de Egas Moniz, que desenvolveu a técnica com o neurocirurgião Almeida Lima em 1935. Ele acreditava que os transtornos mentais vinham de circuitos cerebrais presos em loops de pensamento fixo entre o tálamo e o córtex pré-frontal.

Cortar essas conexões, no raciocínio dele, deveria libertar o paciente do próprio delírio.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Se funcionava em no chimpanzé, por que não em humanos?

A inspiração veio de um congresso em Londres, onde Moniz assistiu à apresentação de pesquisadores de Yale que haviam removido o córtex pré-frontal de um chimpanzé agressivo e observado o animal ficar dócil, quase apático. Se funcionava no chimpanzé, ele concluiu, por que não em humanos?

Leia Também

Conteúdo Empiricus

Profissional que triplicou salário nos últimos cinco anos com IA lança especialização; garanta sua vaga 

AGENDA MENSAL DE BENEFÍCIOS

Bolsa Família, Gás do Povo, Pé-de-Meia e mais: confira o calendário completo dos programas sociais para setembro 2026

Na época, a ideia não era uma excentricidade isolada. Moniz publicou os resultados dos primeiros 20 pacientes em menos de um ano, a comunidade médica internacional recebeu bem a técnica, e ela se espalhou para dezenas de países em poucos anos.

Em 1949, Moniz recebeu o Nobel de Fisiologia ou Medicina pelo desenvolvimento da leucotomia pré-frontal, descrita pelo comitê como uma descoberta “de valor terapêutico comprovado”.

Hoje, o procedimento é rejeitado por razões que já estavam visíveis na própria pesquisa original, mas foram ignoradas. Os 20 casos-base não tinham grupo de controle nem acompanhamento de longo prazo — limitações que a pesquisa médica já começava a reconhecer, mas que ainda estavam longe de ser padrão universal.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Parte dos pacientes classificados como “melhorados” por Moniz havia ficado apática e dócil, não necessariamente mais saudável. Era uma cirurgia irreversível, que destruía tecido cerebral para tratar sintomas, com taxas de mortalidade de até 20% relatadas em alguns levantamentos da época.

O impacto da lobotomia no mundo

O impacto foi rápido e global. Nos Estados Unidos, o procedimento virou uma operação de escala industrial em hospitais públicos superlotados. Havia até um argumento financeiro explícito: um documento hospitalar de 1941 projetava operar 18 de 1.250 pacientes, a US$ 250 cada, para economizar US$ 351 mil em dez anos com a liberação de leitos.

Estima-se que cerca de 50 mil lobotomias tenham sido feitas no país entre 1936 e 1972, com benefício real em apenas cerca de 10% dos casos.

A primeira leucotomia brasileira foi feita em 25 de agosto de 1936, menos de um ano depois da operação de Moniz, no Hospital Psiquiátrico do Juquery, em São Paulo — então o maior hospital psiquiátrico da América Latina —, pelo neurocirurgião Aloysio Mattos Pimenta. Só ali, foram cerca de 700 intervenções até 1949.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Um dos médicos brasileiros da época chegou a reportar 24% de “remissões completas ou melhoras acentuadas” — uma estatística igualmente otimista e sem grupo de controle. A prática minguou no Brasil por volta de 1956, na mesma onda mundial provocada pela chegada dos primeiros antipsicóticos.

Egas Moniz correu o risco de perder o Nobel

Moniz nunca recuou publicamente. Em 1954, um ano antes de morrer, publicou A Leucotomia Está em Causa, texto em que apresentava argumentos de defensores e críticos do método, mas seguia defendendo os benefícios da própria invenção. Ao rebater as críticas de psiquiatras, filósofos e religiosos, classificou algumas objeções como “misticismo” sem base científica.

Décadas depois, a contestação chegou ao próprio Nobel: familiares de pacientes lobotomizados nos Estados Unidos fizeram campanha para que o prêmio recebido por Moniz em 1949 fosse revogado. O pedido não prosperou. O Nobel segue registrado em seu nome, pela “descoberta do valor terapêutico da leucotomia em certas psicoses”.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Rei Harald V Noruega fortuna (1) 28 de agosto de 2026 - 10:28
feriado ponto facultativo folga 28 de agosto de 2026 - 5:30
cirurgia cerebral inteligência artificial IA (1) 27 de agosto de 2026 - 17:34
Logo da marca Apple em uma fachada de prédio 27 de agosto de 2026 - 11:44
Tesoura rosa corta a Selic, taxa básica de juros 27 de agosto de 2026 - 10:53
Pix 27 de agosto de 2026 - 9:59
Loterias batem na trave. Imagem mostra bilhetes da Lotofácil, da Quina, da +Milionária, da Dupla Sena, da Lotomania e da Super Sete saindo de dentro de uma bola de futebol. 27 de agosto de 2026 - 6:52
Imagem com a bandeira do Brasil ao fundo e um gráfico vermelho com números e uma seta apontando para baixo representando a queda do ibovespa 26 de agosto de 2026 - 19:53
market makers thiago salomão mercado financeiro mba 26 de agosto de 2026 - 19:33
26 de agosto de 2026 - 15:30
Rio Nilo Egito 26 de agosto de 2026 - 12:04
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar