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Dados preliminares mostram que, dos dias 1o a 29 de janeiro, a entrada de recursos na bolsa vindos do exterior somou R$ 25,3 bilhões
O Ibovespa vem registrando um recorde atrás do outro. Só na última semana, o principal índice da B3 superou os 187 mil pontos pela primeira vez. Quem vem impulsionando a bolsa brasileira é o estrangeiro, que vem em um ritmo de forte otimismo com os ativos do país. Porém o investidor institucional não está comprando a tese — e esse cenário não deve mudar tão cedo.
Eles vêm saindo do mercado mesmo com o rali visto nos últimos meses e, segundo especialistas ouvidos pelo Broadcast, devem continuar hesitante nos próximos meses.
Isso porque, para o investidor doméstico, alguns fatores impedem uma mudança de humor em relação à bolsa brasileira. As duas principais preocupações são as eleições presidenciais no fim do ano e o alto patamar da taxa Selic, que encontra-se a 15% ao ano.
Embora a taxa de juros deva começar a cair em março, conforme sinalização recente do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), Bruno Takeo, estrategista da Potenza Capital, avalia que a participação do investidor institucional não terá uma virada brusca.
"O investidor pode começar a tomar mais risco à medida em que os juros forem caindo, mas permanece receoso", afirma.
André Buscácio, diretor de produtos da AF Invest, reforça a avaliação de Takeo. "Para o institucional local, a Selic em patamar alto ainda é um freio substancial para a tomada de risco", diz.
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"Fundos de pensão, por exemplo, têm metas atuariais majoritariamente entre IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) + 5% e IPCA + 6%, enquanto títulos públicos vêm apresentando retorno real de 10% no curto prazo, até 7% para títulos de maior maturidade", acrescenta.
Além disso, Bruno Takeo avalia que a disputa eleitoral à Presidência da República em outubro também pesa na decisão do investidor institucional.
"A eleição deve inibir a tomada de risco por pessoa física. O consenso é de pessimismo com Brasil diante um cenário eleitoral binário. Acho que vai preferir algum sinal de quem vencerá para investir", estima.
Já Luis Ferreira, chief investment officer (CIO) do EFG Private Wealth Management, enxerga a atratividade da renda fixa como um obstáculo para a atração de investidores locais.
"A Selic elevada aumentou o custo de oportunidade e reforçou a preferência por renda fixa, que já representava 58,9% dos investimentos de varejo em junho de 2025 (R$ 4,68 trilhões)", diz.
"A combinação de câmbio pressionado no início de 2025 e de ruído fiscal elevou a demanda por proteção, inclusive com mais diversificação no exterior, o que fez muitos investidores locais entrarem 'atrasados' no movimento da Bolsa", diz Ferreira.
"Em síntese, a liquidez aumentou, inclusive com volume médio diário mais alto em janeiro de 2026, mas a tração veio majoritariamente de fora", completou.
Segundo ele, o investidor doméstico não ficou ausente, mas participou menos: manteve postura defensiva, priorizando renda fixa, enquanto o estrangeiro liderou compras no mercado à vista e, em parte, via derivativos, reforçando a pressão compradora no curto prazo.
A origem do apetite estrangeiro pelo Brasil está na rotação global de recursos para fora dos Estados Unidos, um movimento que tem beneficiado os mercados emergentes e impulsionando os preços dos ativos em um curto espaço de tempo.
Só em janeiro, o Ibovespa fechou com alta de 12,56%. Dados preliminares mostram que, dos dias 1 a 29, a entrada de recursos na bolsa vindos do exterior somou R$ 25,3 bilhões.
O valor praticamente iguala todo o investimento estrangeiro aportado na B3 em 2025, de R$ 25,5 bilhões. Naquele ano, o Ibovespa subiu cerca de 34%, no melhor resultado desde 2016.
Já o investidor institucional retirou R$ 46,6 bilhões da bolsa brasileira em 2025 e, de 1.º a 29 de janeiro, manteve o movimento de saída, com fluxo negativo de R$ 16,7 bilhões.
Porém, até mesmo a escalada do Ibovespa em janeiro levanta dúvidas sobre a sustentabilidade e a duração do rali das ações listadas na B3. Nesta semana, após o principal índice da B3 perder o fôlego e voltou para o patamar dos 182 mil pontos, analistas indicaram sinais de exaustão do rali.
"Fizemos um estudo e só 12, 13 papéis estão concentrando quase 80% do ganho acumulado pelo Ibovespa", observa Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos. "É o rali mais triste da história", acrescenta.
Ele nota que o estrangeiro prefere ações de grandes empresas, com peso no índice e alta liquidez, como Vale (VALE3), Petrobras (PETR3;PETR4), bancos como o Itaú (ITUB4) e algumas do setor elétrico.
"É menos o investidor fundamentalista, que busca uma tese, e mais um cara passivo que vem aqui comprar índice", afirma Cima.
Ele ainda observa que o investidor doméstico permanece um tanto à parte, inativo, na medida em que a própria explosão de preços em pouco tempo assusta, tornando o investimento em ações num momento de juros ainda altos menos "factível".
*Com informações do Estadão Conteúdo.
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