“Não é uma ameaça”: CEO da Nvidia solta o verbo sobre impacto das IAs no mercado de trabalho e projeções apocalípticas
Jensen Huang afirma que parte dos líderes da tecnologia exagera nas previsões de desemprego causado pela inteligência artificial.

Com a inteligência artificial (IA) cada vez mais presente no dia a dia, as incertezas relacionadas a seu impacto sobre o mercado de trabalho aumentam na mesma medida. Para O CEO da Nvidia, Jensen Huang, muitas dessas projeções são exageradas e acabam alimentando um medo desnecessário sobre o futuro das profissões.
Os comentários de Huang foram feitos durante uma participação no podcast “Memos to the president”, durante o qual ele compartilhou sua visão sobre como a IA vai integrar o mercado de trabalho no futuro.
Diante do crescente medo da substituição do homem pela IA, Huang argumenta que a IA funciona como uma ferramenta, e não como um substituto do propósito do trabalho humano.
Projeções do futuro
Não é exagero dizer que Huang tem autoridade para falar do assunto. A Nvidia transformou-se em uma das empresas mais valiosas do mundo, com mais de US$ 5 trilhões em valor de mercado, graças ao avanço da inteligência artificial.
Huang defende que a IA não deve ser vista como uma ameaça, mas como uma ferramenta que altera a natureza das funções.
“A IA automatiza tarefas específicas enquanto aumenta a demanda pelo propósito humano da inovação.”
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Na visão do CEO da Nvidia, a crescente da tecnologia tanto não reduz a força de trabalho como aumenta a demanda de certas profissões, como engenheiros de software e radiologistas, ao sobrecarregar sua produtividade.
Huang se refere ao caso dos radiologistas, no qual a IA foi introduzida como uma grande aliada dos médicos. O seu uso estratégico permite detectar lesões nas imagens, e processar informações em grandes volumes em tempo recorde.
Esse foi um dos usos de IA que quando se iniciou especialistas apontaram o fim da profissão, no entanto, o efeito foi contrário.
A utilização da IA melhorou a produtividade do radiologista, cujo trabalho não se limita a tarefa de análise de imagens, de forma que a essa profissão ainda precisa ser exercida por humanos.
Huang critica as projeções de seus contemporâneos líderes da tecnologia:
“Por alguma razão, porque viram CEOs, adotam um complexo de Deus, e antes que você perceba, entendem tudo.”
Previsões apocalípticas
Dario Amodei, CEO da Anthropic, tem uma visão bem diferente de Huang quanto a suas projeções.
Em maio de 2025, Amodei disse em entrevista para a Axios, que a IA poderia erradicar 50% dos cargos de nível de entrada de “white colar jobs” nos próximos cinco anos.
Também em 2025, o CEO previu que em um prazo de 6 meses 90% dos códigos seriam escritos por IA.
Estatística que se tornou realidade na própria Anthropic, quando no mesmo ano o Claude -modelo de IA da companhia- desenvolveu a maior parte do Claude Cowork, um sistema de IA utilizado como ferramenta de trabalho na empresa.
Essa porcentagem não se mantém, entretanto, no restante da indústria de software, com uma faixa de 25% até 40% de participação, que é ainda menor em empresas que não são da área de tecnologia.
Elon Musk, CEO da Space X, Tesla e X, também possui uma previsão mais radical em relação ao papel da IA no futuro do mercado de trabalho.
O CEO, famoso por suas opiniões polêmicas, afirma: “Provavelmente nenhum de nós vai ter um emprego”, em uma conferência virtual da Viva Tech 2024.
Ainda segundo ele, trabalhar será como um “hobby”. Só participariam aqueles que quiserem preencher seu tempo, caso contrário tudo será provido pelas inteligências artificiais e robôs.
Previsão em Dados
Em 2025, a Agência da ONU para Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) divulgou um relatório no qual afirmou que a IA poderia afetar 40% dos empregos em todo mundo.
De um lado, as inteligências artificiais proporcionam ganhos de produtividade em diversas áreas. Ao mesmo tempo, alimentam preocupação sobre a automação e a perda de postos de trabalho.
Na mesma análise, a UNCTAD adverte que, ao contrário de outros períodos de transições tecnológicas, a IA tende a afetar setores que envolvem tarefas mais intelectuais e menos operárias.
Já as projeções menos catastróficas indicam que o uso da IA no mercado de trabalho vai automatizar certas funções, mas não eliminar completamente a função humana.
“São muito poucos os empregos que, na prática, são totalmente automatizáveis pela atual tecnologia de IA e pela robótica disponível”, diz Alexis Krivkovich, sócia sênior da McKinsey & Company.
Em uma análise da McKinsey, dados apresentaram que outras transições de tecnologias geraram mais novos empregos do que eliminaram, à médio prazo.
Seis em cada dez empregos atuais nos Estados Unidos, por exemplo, não existiam em 1940, de acordo com os dados do Bank of America.
*Sob supervisão de Ricardo Gozzi
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