58% dos funcionários voltam ao presencial contra a vontade e correm para o LinkedIn. Como empresas podem evitar a perda de talentos?
Pesquisa da WeWork mostra que os trabalhadores brasileiros estão priorizando cada vez mais o bem-estar e preferem o home-office; entenda como encontrar um equilíbrio

O home office, que antes era tido como a maior tendência do mercado de trabalho gerada pela pandemia, tem cada vez perdido mais força. Uma pesquisa da WeWork em parceria com a Offerwise mostra que, no Brasil, 63% dos trabalhadores já voltaram para os escritórios – 79% deles por escolha das empresas. O problema, na visão da companhia norte-americana de coworking, está em um outro número do levantamento: a maioria desses funcionários voltou para o presencial contra a vontade.
Apenas 42% dos brasileiros preferem trabalhar presencialmente, enquanto 58% estão voltando contra a própria vontade. Essa contradição pode ter uma consequência negativa para as companhias.
“A obrigatoriedade do presencial pode gerar a perda de talentos. Isso não deve ser um processo mandatório dentro das empresas”, defendeu Beatriz Kawakami, Head de Sales da WeWork no Brasil, em evento para a imprensa nesta quarta (6) para apresentar os dados do estudo.
A executiva explica que há uma resistência ao presencial, principalmente entre funcionários mais jovens, como os da geração Z e os millenials. Segundo Kawakami, esses colaboradores têm priorizado cada vez mais o bem-estar e a flexibilidade.
Entre os motivos que jogam a favor do presencial, na visão dos trabalhadores, está a integração entre equipes e o contato com os colegas.
No entanto, há “custos silenciosos” que funcionam como barreiras para os funcionários. Para 65% das pessoas, o tempo de deslocamento até o trabalho é o que mais pesa contra a ida para o escritório.
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A Head da WeWork explica que a média brasileira de tempo gasto no transporte é de 30 minutos a uma hora. Porém, em cidades mais populosas, como é o caso de São Paulo, essa realidade pode saltar para mais de duas horas.
A consequência para o trabalhador é menos tempo com a família ou em atividades de lazer e bem-estar, pontos que se tornaram a prioridade para os trabalhadores.
Salário não é mais o foco? Bem-estar é a prioridade
Outro dado do levantamento que acende um alerta para as empresas é a mudança do que é mais importante para manter um funcionário.
Kawakami relembra que, antes da pandemia, era comum que o principal fator de retenção nas companhias fosse o salário. Ganhava o colaborador qualificado quem oferecesse a maior remuneração.
Mas com a busca por mais qualidade de vida, o cenário mudou um pouco de figura. Esse ainda é um fator decisivo para mais da metade dos trabalhadores — com o diferencial das empresas que oferecem bônus por desempenho —, mas como explica a executiva, “não é mais o número um para aceitar uma oferta de trabalho”.
O principal pilar inegociável agora é o oferecimento de plano de saúde. Para 55% dos colaboradores, isso é o mínimo que uma empresa deve oferecer.
Somado a isso, 64% dos brasileiros trocariam de emprego por uma melhor qualidade de vida, mesmo ganhando menos, o que reforça a visão de que o só o salário não paga mais a conta.
Ainda que o bem-estar tenha virado fator fundamental, a pesquisa mostra que sete em cada 10 trabalhadores consideram o nível de qualidade de vida mediano. E é aqui que mora o grande perigo para as empresas, segundo as lideranças da WeWork...
Funcionários insatisfeitos = maior rotação de equipe
O cruzamento dos dados dessa pesquisa aponta para um cenário de risco para as equipes de recursos humanos, defende Claudio Hidalgo, presidente regional da WeWork na América Latina.
O mercado de trabalho passa por um contexto de insatisfação com a volta do presencial, somado à priorização por bem-estar e à aceitação de salários menores por mais qualidade de vida.
“Isso pode gerar muito movimento de talentos entre uma empresa e outra. Há um risco importante de perda de bons funcionários, mais custos de recrutamento e o trabalho de seleção de novas pessoas. A maioria dos colaboradores está de olho no LinkedIn para saber para onde podem ir”, diz Hidalgo.
Empresas precisam convencer que o presencial vale a pena
Kawakami defende que as empresas estão se “tapeando” no mercado para reter os melhores talentos. Neste cenário, modelos de trabalho que pensam no bem-estar e equilíbrio da vida profissional e pessoal oferecem vantagens econômicas para as companhias.
Afinal, por serem os fatores procurados pelos funcionários, tratar esses pontos como prioridade corporativa pode significar profissionais mais satisfeitos e produtivos no cotidiano.
Para a executiva, uma das necessidades, considerando o bem-estar, é deixar de tratar o trabalho presencial como uma imposição: o escritório precisa se tornar um atrativo.
“O colaborador espera uma experiência similar ou superior à que tem em casa”, reforça Hidalgo
O que as companhias podem colocar em prática
Alguns dos pontos de reclamação de funcionários sobre o trabalho presencial é o barulho do escritório e a falta de zonas de descanso, por exemplo.
Segundo a pesquisa, quando as empresas investem em mudanças para escritórios maiores — com salas de reunião, cabines telefônicas para chamadas de vídeo, copa e espaços de interação informal —, a satisfação sobre o trabalho presencial sobe para 96%.
Hidalgo também reforça a importância de outras iniciativas que já têm sido implementadas pelas empresas e funcionam como diferenciais: a possibilidade de levar pets para o escritório e salas de amamentação, por exemplo. “É necessário avaliar o que os funcionários de cada empresa precisam”, diz.
Essas características funcionam como investimentos estratégicos para a empresa, defendem os executivos.
“No mercado de trabalho atual, não se trata mais de ir para o escritório e ficar na frente do computador. É preciso oferecer diferenciais para o funcionário aceitar pagar pelo custo silencioso”, afirma Kawakami.
Em relação ao tempo de deslocamento, uma possível solução, de acordo com a WeWork, é levar as atividades de lazer e bem-estar para dentro do escritório: prédios corporativos com academias, cabeleireiros, cafés e restaurantes, por exemplo.
Além de um maior incentivo à qualidade de vida dos funcionários, outro ponto que pode favorecer a volta feliz ao escritório é quantitativo: o salário. Segundo o levantamento, 82% das pessoas aceitariam ir para o escritório com remuneração e benefícios melhores.
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