STF condena Bolsonaro a mais de 27 anos de prisão; saiba quais opções restam ao ex-presidente
Placar final foi 4 a 1 para condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão em regime fechado

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão em regime fechado. A pena total é dividida em 24 anos e nove meses de reclusão, destinada a crimes com regime fechado, e 2 anos e nove meses de detenção, aplicáveis a crimes que preveem o regime semiaberto ou aberto.
Como a pena ultrapassa 8 anos, Bolsonaro deverá iniciar o cumprimento em regime fechado. O tamanho da sentença foi decidido após a Corte votar pela condenação do ex-presidente.
Com 4 votos a 1, a Turma concluiu que Bolsonaro é culpado pelos cinco crimes que lhe foram imputados pela Procuradoria-Geral da República (PGR), relacionados aos atos golpistas que visavam desestabilizar a democracia e barrar a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entre o final de 2022 e o início de 2023.
O último voto dado foi o do ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma. Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Zanin rejeitaram todas as preliminares apresentadas pela defesa dos acusados. Luiz Fux abriu divergência e defendeu a condenação apenas de dois réus, por acusações mais brandas que as apontadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
- LEIA TAMBÉM: Palavra do Estrategista: veja como receber gratuitamente a carteira da Empiricus comandada por Felipe Miranda
Bolsonaro foi condenado por liderar” uma organização criminosa baseada em um “projeto autoritário de poder”, que teria como meta a execução de um golpe de Estado. Além do ex-presidente, a Turma formou maioria pela condenação de:
- Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), condenado a 16 anos, um mês e quinze dias de prisão;
- Almir Garnier, ex-comandante da Marinha, condenado a 24 anos de prisão;
- Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do Distrito Federal, condenado a 24 anos de prisão;
- Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), condenado a 21 anos de prisão;
- Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa, condenado a 19 anos de prisão;
- Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e candidato a vice de Bolsonaro na chapa de 2022, condenado a 26 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado;
- Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, condenado a dois anos de prisão, com pena reduzida por ser delator.
Todos responderam por organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado por violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.
Leia Também
No caso de Ramagem, atualmente deputado federal, parte das acusações foi suspensa em razão da imunidade parlamentar. Ele não responde pelos crimes relacionados aos atos de 8 de janeiro, apenas pelos demais.
O futuro do julgamento de Bolsonaro
A defesa tinha esperança em utilizar recursos como os embargos infringentes, caso houvesse ao menos dois votos pela absolvição. Esse instrumento poderia levar o caso da Primeira Turma ao plenário do STF, ampliando a análise para os 11 ministros.
No entanto, a jurisprudência recente limitou bastante esse recurso, tornando-o uma hipótese pouco provável, e o voto de Zanin pôs fim às expectativas. Na audiência desta quinta-feira, o ministro afirmou que o ataque de Bolsonaro a Alexandre de Moraes em 2021 configurava “figura de coação institucional”. E já rejeitou as alegações de cerceamento de defesa apresentadas por advogados dos réus.
Com relação à competência do STF para julgar o caso, Zanin destacou que o tema já foi analisado pelo plenário, com centenas de ações julgadas sobre os atos golpistas do 8 de janeiro. A decisão do plenário da Corte máxima também foi relembrada quando o ministro afastou a preliminar de uma suposta suspeição do ministro Alexandre de Moraes para analisar o caso.
Outros caminhos jurídicos, como embargos de declaração e habeas corpus, podem servir para apontar contradições ou possíveis ilegalidades, mas dificilmente alterarão o resultado.
Em última instância, a defesa pode recorrer a uma revisão criminal ou a cortes internacionais, estratégias de efeito mais político do que prático. Há ainda a chance de uma anistia aprovada pelo Congresso, hipótese que permanece no cenário político.
- VEJA TAMBÉM: Não é Petrobras (PETR4) – analista recomenda ação do setor petroleiro que ficou para trás e vale a pena investir agora
O voto de Cármen Lúcia
No quarto voto do julgamento, Cármen Lúcia fez uma longa exposição para sustentar a condenação dos réus.
Em sua análise, a ministra destacou pontos centrais do processo. Afirmou que os episódios foram parte de uma estratégia organizada de ataque à democracia, rejeitou todas as preliminares da defesa, lembrou que quatro dos oito réus assinaram a lei que tipificou os crimes contra o Estado Democrático de Direito, ressaltou o caráter inédito do processo desde a redemocratização e comparou o autoritarismo a um “vírus” que exige resposta firme do Judiciário.
Estratégia organizada de ataque à democracia
A ministra defendeu que existem provas suficientes da existência de uma empreitada criminosa liderada por Bolsonaro e apoiada por integrantes do governo, das Forças Armadas e de órgãos de inteligência.
Para ela, o grupo desenvolveu um plano “progressivo e sistemático” contra as instituições democráticas, em especial o Judiciário e o sistema eleitoral, utilizando o modus operandi das chamadas milícias digitais para minar a confiança da população nas urnas eletrônicas.
Rejeição das preliminares
Ao rebater os argumentos da defesa, rejeitou todas as preliminares, incluindo a alegação de incompetência do STF e a suspeição de Moraes. Ela lembrou que esses pontos já haviam sido apreciados pelo plenário e não poderiam ser reabertos. Destacou também que o processo tramitou com rapidez porque tratava de um assunto que “atinge o coração da República”, ressaltando que comparações com julgamentos do passado não se sustentam diante das novas ferramentas digitais e da gravidade das acusações.
Consciência dos crimes
Cármen Lúcia se contrapôs ao voto de Luiz Fux, que havia rejeitado o enquadramento dos réus por organização criminosa. Para ela, a tentativa de “sequestrar a alma da República” é evidência clara de uma associação estruturada para cometer crimes.
Recordou ainda que a tipificação da tentativa de golpe e da abolição do Estado Democrático de Direito foi criada em lei sancionada pelo próprio Bolsonaro em 2021, o que reforça, em sua avaliação, a legitimidade da acusação. “O 8 de janeiro não foi um acontecimento banal”, afirmou, ressaltando a necessidade de resposta penal diante do “vírus do autoritarismo” que ameaça a democracia.
Ao concluir, disse que toda ação penal deve garantir tratamento justo, mas destacou que, neste caso, “pulsa o Brasil que lhe dói”, em um encontro simbólico entre o passado e o futuro do país.
Caráter inédito
A ministra frisou o caráter inédito do julgamento e a importância de reafirmar que a lei vale para todos. Seu voto consolidou a maioria na Primeira Turma pela condenação, alinhando-se a Moraes e Dino e isolando a posição mais restritiva de Fux. A próxima fase será a definição das penas, etapa que promete novos embates no Supremo.
Como chegamos até aqui
O julgamento começou em 2 de setembro, quando a PGR apresentou a denúncia contra Bolsonaro e sete aliados.
O documento descrevia um plano golpista articulado desde 2021, com provas que incluíam minutas encontradas em endereços de ex-ministros e depoimentos de comandantes militares.
Nas primeiras sessões, a defesa tentou desqualificar a delação de Mauro Cid, minimizar a gravidade das minutas e afastar a ligação direta entre Bolsonaro e os atos de 8 de janeiro.
Na semana seguinte, os votos começaram a mudar o rumo do julgamento. Alexandre de Moraes, relator, apontou a existência de uma organização estruturada para corroer a democracia e reforçou o papel de Bolsonaro como líder.
Flávio Dino acompanhou o relator, mas diferenciou os níveis de responsabilidade dos réus. A partir daí, ganhou força a narrativa de uma empreitada coletiva e progressiva contra as instituições.
Luiz Fux quebrou a sequência ao levantar dúvidas sobre a competência do Supremo e rejeitar o enquadramento por organização criminosa. Seu voto abriu espaço para um debate sobre os limites da Corte, mas acabou isolado com a manifestação de Cármen Lúcia, que apresentou um voto minucioso pela condenação.
Com a maioria já formada pela condenação, resta agora a definição das penas e os possíveis recursos dos acusados. A execução da pena só deve ocorrer após o esgotamento do prazo para recursos, conhecido como trânsito em julgado, quando a decisão se torna definitiva.
*Com informações do Estadão Conteúdo
ELEIÇÕES 2026
Segundo turno das eleições: Flávio Bolsonaro tem 49% contra 45% de Lula, segundo Datafolha
8 de outubro de 2026 - 18:59ELEIÇÕES 2026
Com placar de 5 x 2, TSE anula votos de Garotinho; Douglas Ruas (PL) será declarado governador do Rio sem 2º turno
8 de outubro de 2026 - 12:38ELEIÇÕES 2026
Flávio soma Republicanos e ex-candidatos no xadrez do segundo turno; Lula busca reação no Alvorada — o dia na política
7 de outubro de 2026 - 19:49Conteúdo Empiricus
Resultado do 1º turno fez esta carteira subir em média 11% em um único dia, mas novas ‘pernadas’ podem acontecer em breve; confira os ativos
7 de outubro de 2026 - 12:00ELEIÇÕES 2026
Garotinho desiste de recurso, e Douglas Ruas (PL) pode ser eleito governador do RJ sem segundo turno
5 de outubro de 2026 - 16:22ELEIÇÕES 2026
Lula enfrentou seu “último jogo” nas urnas — e perdeu no legado, diz Walter Maciel, CEO da AZ Quest
4 de outubro de 2026 - 22:14EXPECTATIVA
Ibovespa a 200 mil pontos? Flávio Bolsonaro à frente e força da direita nas urnas animam mercado para segunda-feira (5)
4 de outubro de 2026 - 22:08ELEIÇÕES 2026
Com eleições de 2026, PL, partido de Flávio Bolsonaro, passa a ter um terço das cadeiras no Senado. Quem são os novos senadores?
4 de outubro de 2026 - 22:05ELEIÇÕES 2026
Eleições contradizem pesquisas eleitorais e Flávio dispara para 84% no Polymarket após votos acima do esperado
4 de outubro de 2026 - 21:17RESULTADO HISTÓRICO
Eleições 2026: Distrito Federal é a primeira Unidade da Federação a ter três mulheres no Senado
4 de outubro de 2026 - 19:58ELEIÇÕES 2026
Flávio à frente ou empatado com Lula no 1º turno pode encerrar a eleição, diz José Dezene
4 de outubro de 2026 - 19:11ELEIÇÕES 2026
Após fechamento de embaixadas, Polícia Federal inicia apuração sobre possível intervenção externa na eleições
4 de outubro de 2026 - 17:27ELEIÇÕES 2026
Eleições 2026: Cleitinho Azevedo (Republicanos) é eleito governador de Minas Gerais no primeiro turno; veja o resultado
4 de outubro de 2026 - 17:00ELEIÇÕES 2026
Eleições 2026: Douglas Ruas e Eduardo Paes vão ao segundo turno pelo governo do Rio de Janeiro; veja o resultado
4 de outubro de 2026 - 17:00RESULTADO DAS URNAS
Eleições 2026: Elmano de Freitas, do PT, derrota Ciro Gomes no primeiro turno e conquista reeleição no Ceará; veja o resultado
4 de outubro de 2026 - 17:00ELEIÇÕES 2026
Eleições 2026: Sergio Moro, do PL, é eleito governador do Paraná no primeiro turno; veja o resultado
4 de outubro de 2026 - 17:00ELEIÇÕES 2026
Eleições 2026: Flávio Bolsonaro sai na frente, lidera 1º turno com 47% e puxa Lula para o 2º turno
4 de outubro de 2026 - 17:00ELEIÇÕES 2026
Eleições 2026: Dr. Daniel (Podemos) é eleito governador do Pará no 1º turno; veja o resultado
4 de outubro de 2026 - 17:00ELEIÇÕES 2026
Eleições 2026: Jerônimo Rodrigues (PT) é reeleito governador da Bahia no primeiro turno; veja o resultado
4 de outubro de 2026 - 17:00ELEIÇÕES 2026