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Marisa Monte, Ney Matogrosso, BaianaSystem Liniker se apresentam até domingo (28) no Jockey Club do Rio de Janeiro; ao Seu Dinheiro, produtor lendário (e DJ) por trás do festival entrega os bastidores do evento
Poucos personagens tiveram tanta influência sobre a música e a cultura brasileira quanto Nelson Motta. Jornalista, escritor, compositor, roteirista, produtor, empresário da noite e, mais recentemente, DJ, ele se aproxima dos 81 anos com a mesma inquietude criativa que o fez atravessar mais de seis décadas de atividade. Sua nova missão é a curadoria do festival Doce Maravilha, que chega à edição de 2025 reafirmando-se como um dos mais relevantes do calendário nacional.
O evento, que celebra a diversidade e a força da música brasileira, propõe encontros únicos e recriações de clássicos, com uma programação das mais ousadas no cenário dos grandes festivais. Em 2025, isso se materializa desta sexta-feira (26) até domingo (28), no Jockey Club do Rio de Janeiro, em encontros como os de Ney Matogrosso com Marisa Monte ou Liniker com Lulu Santos, por exemplo.
“O conceito do Doce Maravilha é a harmonia por contraste. É quando artistas ou estilos muito diferentes, ao se encontrarem, se completam. Em vez de afastar, porém, essa diferença cria uma energia única no palco”, explica Motta.
O Doce Maravilha não nasceu por acaso. Nelson conta que o projeto foi gestado há mais de duas décadas, em conversas com o produtor Luiz Oscar Niemeyer, sócio da Bonus Track. A ideia original era ocupar o Forte de Copacabana, mas o plano esbarrou, digamos, em dificuldades logísticas.
“Teria sido um desastre”, ele ri ao lembrar que a plasticidade do local é dissonante à funcionalidade de abrir um festival. “Mas guardamos o conceito: uma grande festa da música brasileira, unindo estilos, gerações e linguagens. Quando surgiu a oportunidade certa, levamos adiante”, ele completa.
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O festival estreou em 2022, na Marina da Glória, sob chuva forte. “Foi memorável. Shows heroicos como o do Marcelo D2 e do Caetano Veloso, debaixo de tempestade. Nada parou a música.” A mudança para o Jockey Club trouxe mais estrutura e conforto, consolidando o evento como um marco no calendário carioca.
Ao dar início à sua terceira edição, o Doce Maravilha promete ser o mais diverso até aqui. São mais de 45 artistas de diferentes regiões do país, reunindo múltiplos ritmos e gerações em uma grande festa da música brasileira.
Na sexta-feira (26), a ‘Noite Doce’ é dedicada ao punk rock e ao hardcore. Terá o Forfun como headliner, comemorando os 20 anos de Teoria Dinâmica Gastativa, em apresentação única, com participação de Lucas Silveira.

O line-up conta ainda com CPM 22, celebrando 30 anos de carreira; Dead Fish convidando Gee Rocha & Di Ferrero; e a discotecagem de DJ Brunetta, revisitando os clássicos dos anos 2000.

Por fim, no dia 27, sábado, já com ingressos esgotados, o destaque fica para o aguardado encontro já citado entre Marisa Monte e Ney Matogrosso, além de shows de Adriana Calcanhotto, que celebra os 20 anos do projeto Partimpim.

Para encerrar, o domingo, dia 28, traz Liniker, Lulu Santos, Melly, BaianaSystem, Pabllo Vittar e Priscila Senna. Além disso, o dia terá também o encontro histórico de Zeca Pagodinho com Alcione e Martinho da Vila, a reunião de Samuel Rosa e Nando Reis, além de Delacruz homenageando MC Marcinho ao lado de Marcelly Garcia e Nova Orquestra.

O conceito de harmonia por contraste acompanha Nelson desde os tempos de produtor musical. “Às vezes, até dentro do repertório de um mesmo artista, eu buscava músicas muito diferentes, que se completassem justamente por isso. No festival, é igual: o público quer novidade, mas arriscar demais pode ser perigoso. Então equilibramos risco e expectativa”.
É assim que surgem encontros improváveis, como, novamente, entre Ney e Marisa. “São artistas muito diferentes, mas quando há admiração mútua, a coisa flui. O artista quer agradar não só ao público, mas também ao colega que admira. Isso cria uma tensão e uma emoção que ninguém esquece”.

O mesmo vale para o trio do samba, Zeca Pagodinho, Alcione e Martinho da Vila. “Mesmo dentro do samba, cada um tem um estilo e uma postura cênica distinta. Juntos, transformam o palco em algo mágico”.
Uma das marcas do Doce Maravilha é a recriação de álbuns. Em 2022, por exemplo, Caetano Veloso reviveu o clássico Transa (1972). Em 2025, o formato se expande para novas gerações: Liniker apresentará na íntegra o Caju (2024), que completa um ano e já é um de seus trabalhos mais marcantes.
“Não é só sobre celebrar o passado. É mostrar que já temos obras contemporâneas que nasceram clássicas. Isso dá ao público a chance de ver um álbum ganhar nova vida no palco.”
Outro destaque será a performance da Orquestra Imperial, versátil banda carioca que homenageará Erasmo Carlos. “Eles são quase fixos no festival. Conseguem transitar por repertórios diferentes sem perder identidade.”
Para Nelson, a força do Doce Maravilha está no encontro entre gerações. “Quando um artista novo canta com um medalhão, ele dá o máximo, quer homenagear e impressionar o ídolo. Os veteranos, por sua vez, adoram ser reverenciados pela nova geração. Essa troca não pode ser fabricada, acontece naturalmente”, diz.
Ele lembra que, a cada ano, aliás, surgem novos talentos capazes de provocar verdadeiros terremotos musicais. “A música brasileira é inesgotável. A diversidade é insuperável e se renova o tempo todo.”
Para o futuro, ele sonha em trazer ao festival as baterias do Pará, como as de Gaby Amarantos, e planeja um grande tributo a Tim Maia – seu velho conhecido, leia mais abaixo –, com convidados que vão de jovens revelações ao lendário Jorge Ben Jor.
“Mal termina uma edição, já estamos pensando na próxima. O segredo é nunca se acomodar. Sem risco, não há avanço.”
Nelson acredita que o Doce Maravilha desperta interesse global. “Não há nada parecido no exterior. A diversidade da música brasileira é única. Tenho certeza de que o mercado internacional está de olho. O festival tem potencial para se tornar um cartão de visitas da nossa cultura para o mundo.”
| Tim Maia: de volta ao palco do teatro musical Paralelamente ao Doce Maravilha, Nelson prepara um novo espetáculo sobre Tim Maia, a quem já dedicou uma biografia (Vale Tudo - O Som e a Fúria de Tim Maia, Objetiva, 2006), além de uma das peças musicais mais bem-sucedidas do teatro brasileiro, inclusive. Desta vez, porém, o foco será menos biográfico e mais festivo. “É um Tim Maia Comedy Show, uma celebração de sua figura como pai da soul music no Brasil. Ele tem vinte hits que continuam atuais, um repertório inesgotável. É música, humor e swing juntos”, fala, mas sem entregar muito do que vem por aí. |
Ao lado da Bonus Track e da MangoLab, Nelson ganhou uma nova família de trabalho. “Eles têm 30 anos, a idade do meu neto. E me tratam como um paizão. Essa troca é maravilhosa: eles me apresentam coisas novas, eu compartilho minha experiência. Dinheiro nenhum paga isso.”
Aos 81 anos, Nelson assumiu um novo papel: o de DJ. O convite veio de Patrícia Parenza, criadora da festa Good Night, voltada ao público 50+. “Foi engraçadíssimo estrear como DJ nessa idade. Meus netos adoraram. Não sou técnico, mas tenho 80 anos de música na cabeça para montar playlists.”
Nelson vai tocar antes de apresentações como a de Marisa Monte e Ney Matogrosso, por exemplo. “Olha a responsa! Mas minha função é só preparar o público, aquecer a pista e mostrar que música não tem idade.”
Essa convivência mantém Nelson conectado às novidades e garante que o festival nunca vai perder seu frescor. “É uma renovação mútua. O Doce Maravilha só existe porque é feito de diferentes olhares.”
No festival, seu set será dedicado à “música para pular brasileira”, conceito criado por Júlio Barroso nos anos 1980. “É quando você mistura baião, samba, forró, rock e funk em versões dançantes. A música brasileira é insuperável nesse quesito.”
Ao olhar para trás, Nelson se orgulha de ainda estar no centro de grandes acontecimentos culturais. Seja como curador ou DJ, escritor ou produtor, ele mantém intacta a relação vital com a música. “Ela é meu combustível. Aos 80 anos, continuo descobrindo, celebrando e me emocionando. O Doce Maravilha é a prova de que a música brasileira nunca para de se reinventar e eu também.”
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