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Como é conferir um clássico do teatro musical com vista privilegiada e em um teatro renovado? O que mudou no espaço do antigo Teatro Alfa? Assistimos ‘Hair’, que marcou a estreia do BTG Pactual Hall, e relatamos os detalhes
Sentada em frente ao palco, a poltrona vibra. À frente, o elenco de 30 pessoas com figurinos coloridos emula o entusiasmo dos anos 1960 em "Deixe o Sol Entrar". Estamos, afinal, diante de Hair, espetáculo ícone da contracultura, que chega a São Paulo, apropriadamente, para marcar um novo momento: a inauguração do BTG Pactual Hall.
A mensagem é emblemática para a reestreia para lá de energética do espaço antes ocupado pelo Teatro Alfa. Aberto ao público no último dia 24 de outubro, ele chega como investimento do BTG Pactual na economia criativa e no contato com a sociedade.

“É uma emoção muito grande estrear em um teatro que está reinaugurando, além de ser um espaço tão importante para a arte e cultura aqui em São Paulo”, diz Rodrigo Simas, estrela de Hair, ao Seu Dinheiro. “É tão grande, tão bonito, e a gente saiu lá do Rio, vindo agora para São Paulo, e eu espero que seja uma bela trajetória e uma bela de uma temporada aqui, estou animado assim como todo o elenco.”
É de Simas, além de Eduardo Borelli, Estrela Blanco, Thati Lopes e o grande elenco de Hair, a missão de preencher os 1.084 lugares do espaço nas cinco apresentações que fazem no BTG Pactual Hall todo fim de semana. Foi em uma dessas apresentações sempre cheias que o Seu Dinheiro passou por lá. Da fila A, a atenção vai toda para as performances, claro. Mas a experiência do BTG Pactual Hall começa bem antes, já na chegada ao teatro.
A uma hora da abertura das cortinas, a entrada pela rua Bento Branco de Andrade Filho surpreende. Mesmo a quem conhecia o Teatro Alfa, a fachada renovada do BTG Pactual Hall foi transformada em um ambiente de convivência e experiência.
Isso porque o teatro integra, agora, a estrutura do Beyond The Club, no endereço do antigo Hotel Transamérica. Parceria entre BTG Pactual Asset Management, KSM Realty e Realty Properties, o clube ocupa uma estrutura imensa, de 70 mil m².
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Com isso, a própria entrada do teatro é expandida além do espaço da bilheteria. É por ali que o público se reúne antes da estreia do espetáculo, fazendo fila para tirar foto em um painel temático de Hair.

À retirada de ingressos, feita rapidamente, se segue a entrada ao teatro, feita com apoio de um time de recepção que conduz de acordo com o ingresso – há uma seção para a plateia, outra para a plateia VIP e também um acesso exclusivo aos clientes do Cartão de Crédito BTG Pactual Ultrablue, por exemplo.
O salão de entrada do teatro talvez seja um dos espaços onde a renovação do BTG Pactual Hall é mais evidente. O carpete do espaço foi todo substituído, bem como assentos e corrimão. Elevadores renovados também acomodam parte do público que se dirige às entradas nos pisos superiores. Mantida está a claraboia da entrada, um símbolo do espaço que a reforma preferiu preservar.
No térreo, o café foyer aparece totalmente modernizado. Por ali, a demanda principal é, naturalmente, a pipoca, vendida em quatro tamanhos. Mas o cardápio ainda inclui pizza, empanada, pão de queijo, sanduíche, cookies, bolo, brownie e pão de mel. Entre as bebidas, os convidados aproveitam água, café, refrigerante, cerveja e vinho.

Ao lado do café foyer, ativações de marcas parceiras chamam a atenção de convidados, bem como a loja de presentes montada no hall de convivência. Por ali, cerca de 15 itens de colecionador são vendidos a quem quer levar uma lembrança da experiência, de adesivo (R$ 25) a moletom (R$ 290), todos com a temática de Hair.
Uma dica a quem visita o BTG Pactual Hall nessa reestreia é entrar à sala de espetáculo já no segundo sinal. Com 15 minutos, é possível perder-se nos detalhes do espaço, totalmente reformado e revitalizado, com suas poltronas azuis, amplas e confortáveis, mais o palco, emoldurado especialmente para a peça de estreia.
E, se do lado de fora, a claraboia mantém parte do legado do Teatro Alfa, do lado de dentro a tradição de décadas se impõe. Mesmo renovado e confortável, no silêncio das poltronas novas, é fácil entender que ali existe legado: uma história de 30 anos, que inclui o Teatro de Dança Cloud Gate de Taiwan e o Balé do Grand Théâtre de Genebra, além do Grupo Corpo e a Companhia de Dança de São Paulo.
Três sinais e o espetáculo vai começar. Celulares em modo avião: estamos, afinal, embarcando para 1967, ano em que Hair estreou em Nova York. Do início no circuito off-Broadway, a peça virou ícone instantâneo por levar ao palco as ideias da contracultura hippie.

No Brasil, a montagem desembarcou em 2010, sob batuta da dupla Charles Möeller e Claudio Botelho. Os dois, por sinal, estão de volta a essa versão – atual, bem dirigida e bem coreografada – de 2025. Para Möeller, as diferenças são sensíveis e o espetáculo aparece atualizado no BTG Pactual Hall.
“Quando eu me deparei com esse Hair eu fiquei pensando o que seria minha utopia, o que seria esse lugar onde os sonhos se realizam. Para a minha vida sempre foi o teatro, o palco, os elencos , as minhas criações e as que eu participei como artista. E eu quis que essa trupe estivesse dentro do teatro. E hoje estamos lançando o teatro, então é uma metalinguagem muito emocional.”
Mais uma vez, a sensação é de uma convergência em cena. Algo ecoado, por exemplo, na experiência do próprio Rodrigo Simas, que também faz sua estreia em musicais na pele de Berger, um dos protagonistas:
“Com o Hair estou fazendo algo que eu tinha muita vontade, mas não sabia nem se um dia faria, e eu acho que com o Hair tudo se encaixa, que é fazer um musical e meu primeiro musical sendo o Hair e fazendo Berger, é muito importante para mim e me desafia em vários aspectos. Então, a importância tá principalmente nesse lugar”, diz Simas. “Além de estar com um elenco maravilhoso, de 30 atores em cena, a gente faz a peça num teatro de mais de mil lugares, então tudo isso é muito significativo.”

O entusiasmo é recorrente durante o espetáculo e captado desde as notas de abertura de “Aquário”, tema de Hair que ganhou versão brasileira gravada pela cantora Ludmilla na versão 2025. A produção foi da Musickeria e a assinatura de Claudio Botelho, sobre a versão original de Galt MacDermot, com idealização de Luiz Calainho.
No palco, quem canta o tema é Dionne, interpretada aqui pela talentosa Beatriz Martins. Imediatamente, se percebe o cuidado que a renovação do teatro trouxe, especialmente ao respeitar a acústica do local.

“O trabalho acústico foi muito profundo, detalhado, para que definitivamente as pessoas tenham uma experiência literalmente imersiva, mergulhando no mundo da arte, no mundo da cultura, com uma qualidade de som e luz no topo da pirâmide”, disse Luiz Calainho, da produtora Aventura, que assinou a renovação, ao Seu Dinheiro.
Logo, Beatriz se une ao elenco do espetáculo, que compartilha, não apenas com a fila A, a vibração de novidade e entusiasmo que permeia todos os 150 minutos da montagem. Para Aniela Jordan, sócia-fundadora e diretora artística da Aventura, é parte do que destaca essa montagem de Hair do que já se viu em outras produções.
“A nossa mensagem é uma mensagem de amor e deixar o Sol entrar com tantas guerras que a gente tem no mundo, a ideia da gente trazer de volta Hair foi muito mais por esse viés”, conta.
Hair fica em cartaz no BTG Pactual Hall até 21 de dezembro, sempre às sextas, sábados e domingos. Veja como adquirir seu ingresso aqui.

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