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Floresta brasileira atrai viajantes do mudo todo que buscam conexão com a natureza sem abrir mão do conforto
Entre árvores de 50 metros, rios grandiosos e botos-cor-de-rosa, a Amazônia desperta um certo fascínio e muita curiosidade. Em tempos de turismo de imersão e slow travel, tendências já consolidadas neste ano, a floresta brasileira ganha ainda mais força. E faz sentido: é a chance de estar presente, sem pressa, em um dos lugares mais vivos do planeta.
“Temos tido cada vez mais pessoas que se interessam em experiências junto à natureza e principalmente pela Amazônia, um dos maiores biomas do mundo”, diz Gisele Torrano, gerente de Vendas & Marketing do Juma Amazon Lodge. Segundo ela, a pandemia intensificou essa busca por autenticidade, atraindo também mais brasileiros para lá.
O perfil desse visitante é curioso e aberto. Quer entender o ambiente, ouvir histórias locais e viver o cotidiano amazônico. “É a experiência de estar em uma região remota e distante, sem cidades próximas. É o silêncio onde você se conecta consigo mesmo e com a sua essência e espiritualidade”, completa Torrano.

Mesmo reconhecida internacionalmente, a Amazônia ainda enfrenta desafios para se consolidar como destino turístico mais estruturado. “Temos os desafios da conectividade de voos diretos por parte de alguns destinos no mundo, marketing e promoção internacional, e ainda o aspecto da segurança do nosso país”, pontua Torrano.
As distâncias e a logística fazem parte da experiência. “Os deslocamentos de muitas localidades dentro da floresta amazônica, onde o acesso é apenas de barco ou caminhando”, podem ser um desafio.
Mas é justamente esse ritmo que faz da viagem algo marcante. Estar diante de uma Sumaúma centenária, observar o pirarucu e ver o pôr do sol refletido nos rios são momentos que falam por si. A vivência ainda inclui pernoitar na floresta, participar do plantio de mudas e aprender sobre plantas medicinais com moradores locais que compartilham seus saberes.
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A culinária é outro ponto alto. Gisele conta que os ingredientes regionais chegam com tudo: pratos como tacacá, costelinha de tambaqui, pato no tucupi e o sanduíche local x-caboquinho convivem com preparos mais contemporâneos. O açaí e o cupuaçu aparecem em versões puras, sem artifícios, celebrando o sabor do território.

Um dos principais desafios da hotelaria na floresta é equilibrar conforto e impacto ambiental. A resposta tem sido investir em soluções simples e eficientes, como construções sobre palafitas, sistemas de tratamento de esgoto, biodigestores e a eliminação de garrafas plásticas com o uso de filtros de água.
Torrano acredita que políticas públicas e o setor turístico podem contribuir ainda mais, “promovendo o destino e incentivando as práticas de energia solar, sem emissão de CO2 no meio ambiente”, sugere.
O trabalho social também faz parte desse modelo. A prioridade é a “contratação de colaboradores da comunidade local e guias nativos, promovendo o intercâmbio cultural, fortalecendo a economia regional e valorizando o conhecimento tradicional da floresta”, completa.

O turismo de bem-estar, com foco em natureza e cultura local tem tudo a ver com o que a Amazônia oferece.
Para Gisele Torrano, o futuro do turismo na região aponta para um modelo mais responsável e participativo. “O foco será em experiências imersivas e personalizadas, que permitam aos visitantes um contato autêntico com a natureza e a cultura local, como oficinas de artesanato e trilhas guiadas por ribeirinhos”.
O legado possível é o de um turismo que valorize a biocultura: o conhecimento dos povos da floresta, suas práticas e modos de vida. Um modelo que “contribua ativamente para a recuperação de áreas degradadas, o fortalecimento das comunidades e a promoção da educação e saúde local”, finaliza Torrano.
A seguir, um guia para explorar a Amazônia sem abrir mão do conforto e exclusividade.
Na Amazônia, o rio também é estrada. E é sobre essas águas que o turismo de alto padrão vem se consolidando, com alguns destaques que valem menção.

O Untamed Amazon, primeiro navio verde da Amazônia, representa a nova geração de cruzeiros sustentáveis na região. Movido 100% a energia solar e livre de geradores a diesel, navega em silêncio absoluto, deixando que os sons da floresta tomem conta da viagem.
O navio trata e devolve água limpa ao rio, elimina o uso de plásticos e recebe apenas 16 hóspedes em oito suítes envidraçadas. A bordo, oferece padrão cinco estrelas: gastronomia internacional com ingredientes locais, lounge panorâmico e adega climatizada.
Os roteiros partem de Manaus e incluem paradas no Encontro das Águas, no Museu do Seringal e em comunidades indígenas Tuyuka. O pacote Roteiro Experience, com duração de cinco dias, tem preço médio de R$ 20.712.

Já o Iberostar Grand Amazon Expedition oferece uma proposta diferente. Com 72 cabines, acomoda até 144 hóspedes. Piscinas, academia, restaurante à la carte, festas e shows criam o clima de um cruzeiro oceânico em plena selva. O sistema all-inclusive cobre todas as refeições, bebidas e excursões. Entre elas, estão caminhadas na floresta, pesca de piranhas e visitas a comunidades ribeirinhas. Os roteiros são flexíveis com preços que começam, em média, em R$ 2.700, para um pacote de três noites.
Há também uma nova geração de expedições, voltadas a grupos menores e experiências personalizadas. A Katerre Expeditions, operando a partir de Novo Airão, valoriza o contato humano e o turismo de base comunitária. São três tipos de embarcação e roteiros flexíveis, com atividades como trekking na selva, canoagem e tour pelas comunidades ribeirinhas.
A expedição pelo Parque Nacional do Jaú, por exemplo, tem duração de sete dias e pacotes que podem ser encontrados a partir de R$ 15.640.
Do outro lado, a Explora Journeys, divisão de luxo do grupo MSC, já anunciou sua chegada à região em 2027, com navios de 14 andares e mais de 460 suítes. A entrada marca a expansão da Amazônia no mapa mundial do turismo de luxo.
Para quem prefere terra firme, os lodges em meio à floresta são as opções mais cobiçadas. Neste quesito, destacam-se três opções.

Às margens do Rio Negro e diante do Parque Nacional de Anavilhanas, o Anavilhanas Jungle Lodge combina o conforto da hotelaria de luxo com a imersão na floresta amazônica. O ambiente convida ao relaxamento em piscinas com vista para o arquipélago, no bar flutuante, no mirante voltado para o verde e nas áreas de bem-estar cercadas pela mata.
Entre um passeio e outro, o lounge com teto de palha reúne viajantes em um clima acolhedor, enquanto o restaurante propõe uma gastronomia que mescla sabores amazônicos e técnicas contemporâneas, valorizando ingredientes frescos e locais.
As acomodações variam entre bangalôs envidraçados com vista panorâmica, chalés aconchegantes, suítes amplas e a Villa Bacurau, ideal para famílias ou grupos de amigos, com piscina privativa e integração total com a natureza.
As experiências incluem passeios guiados por comunidades locais, trilhas, canoagem pelos igarapés, pesca recreativa e focagem noturna, além de tours pelo arquipélago e contemplação do nascer do sol.

Também voltado para o Parque Nacional de Anavilhanas, o Mirante do Gavião Amazon Lodge também faz parte do roteiro de luxo. Com arquitetura inspirada nas técnicas de construção naval amazônica, o hotel design se integra à paisagem do Rio Negro e propõe uma imersão nas regiões mais preservadas da floresta.
Inaugurado em 2014, o lodge nasceu como apoio às expedições fluviais da Katerre Ecoturismo, mas rapidamente ganhou destaque próprio ao receber prêmios por seu projeto e oferecer experiências de hospedagem e gastronomia de alto nível, esta última comandada pela chef Debora Shornik, no restaurante Camu-Camu.
Hoje com 13 acomodações, o Mirante do Gavião combina conforto e autenticidade em meio à natureza. Suas estruturas em madeira dialogam com o entorno e abrigam espaços como piscina, lounge, redário, área wellness e mirantes de até 15 metros de altura, ideais para apreciar o pôr do sol sobre o Rio Negro.
Mais de 45 colaboradores da comunidade local integram a equipe, unindo o padrão da hotelaria de luxo à hospitalidade amazônica. A proposta do lodge é promover experiências sustentáveis e culturais, conectando hóspedes, floresta e povos ribeirinhos em um mesmo ecossistema de vivências.

Localizado a sudeste de Manaus, em uma área remota e preservada da Amazônia, o Juma Amazon Lodge foi construído sobre palafitas entre as copas das árvores, seguindo o modelo das casas ribeirinhas da região. Com apenas 20 bangalôs feitos com materiais locais, o hotel mantém uma integração direta com o ambiente ao redor.
A piscina flutuante, abastecida com a água do rio Juma, oferece uma forma segura de mergulhar na floresta, enquanto o restaurante, também sobre palafitas, serve pratos regionais e internacionais com vista para o rio. Varandas com redes e decoração artesanal reforçam o clima simples e confortável da hospedagem.
As atividades são voltadas à observação e ao contato com a natureza. Entre elas, canoagem pelos igarapés, trilhas, passeios noturnos para avistar animais e o percurso até o Encontro das Águas, onde os rios Negro e Solimões seguem lado a lado antes de formar o Amazonas.
Conduzidas por guias locais e organizadas em pequenos grupos, as experiências seguem o ritmo da floresta e variam conforme as condições do clima e do rio.

A Amazônia de luxo também fala de experiências únicas e aventuras criadas sob medida para viajantes exigentes.
Entre os apaixonados por pesca esportiva, o Projeto Rio Marié é destaque. Conhecido como o “Rio dos Gigantes”, é o melhor destino do mundo para capturar tucunarés-açu em águas intocadas. A operação utiliza o Untamed Amazon como base flutuante e é gerida em parceria com comunidades indígenas e órgãos ambientais.
Para quem prefere o contato direto com a floresta, o glamping amazônico traduz o equilíbrio entre natureza e conforto. A empresa Amazon Glamping oferece duas modalidades: uma base fixa em Presidente Figueiredo, além de acampamentos temporários montados em praias isoladas do Rio Negro, com tendas amplas, camas confortáveis e banheiros privativos.
E, para encerrar, há as vistas aéreas: passeios de avião privados que sobrevoam o Encontro das Águas e o arquipélago de Anavilhanas, revelando de cima a imensidão da floresta. Um voo de uma hora custa em torno de R$ 5.000 e oferece uma das perspectivas mais impactantes da Amazônia.

Na Amazônia, o tempo é marcado pelas marés dos rios. De dezembro a maio, na estação da cheia, a floresta alaga e vira um labirinto navegável ideal para explorar de canoa e barco. Já entre maio e setembro, na estação da seca, surgem praias fluviais e trilhas acessíveis. A escolha da época define a experiência: Amazônia líquida ou terrestre.
Manaus é o principal ponto de partida para cruzeiros e lodges. O trajeto até os hotéis geralmente envolve voos, estradas e trechos de barco. A vacina contra febre amarela é obrigatória, e cuidados simples, como repelente e roupas leves de manga comprida, garantem uma viagem tranquila.
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