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Com propostas e rótulos que vão além do tradicional, wine bars conquistam o público e democratizam o consumo de vinho no Brasil
Um (não tão) novo tipo de estabelecimento vem mudando a paisagem gastronômica e a forma como se bebe vinho no Brasil. Os wine bars não são novidade, mas agora surgem e ressurgem com novas propostas e approaches. É o exemplo do Virtuoso, no Rio de Janeiro, onde as taças são servidas apenas com os chamados vinhos de baixa intervenção. Ou do Miya Wine Bar, em São Paulo, que conquista com suas degustações temáticas, incluindo um giro pelos inusitados vinhos laranjas.
A redescoberta vai além do hype ou de um mero modelo de negócio: é uma resposta direta a mudanças no comportamento do consumidor, catalisadas por um período de introspecção global. A pandemia, com seus longos meses de confinamento, não apenas alterou rotinas, mas também despertou novas curiosidades. O mercado gastronômico se reinventa, criando tendências que, em função das redes sociais, chegam rapidamente ao Brasil.

“Mais pessoas passaram a se interessar por vinho, especialmente durante e após a pandemia, quando o consumo em casa cresceu. À medida que esse interesse se aprofunda, vem a busca por mais conhecimento, qualidade e novas experiências”, observa Rodrigo Malizia, CEO do wine bar Cellar Cave.
Isaac Azar, proprietário do La Cave Du Roy, concorda: “O mundo pós-pandemia passou a vivenciar a busca pelo diferente, para satisfazer os anseios de um público cada vez mais antenado às tendências mundiais, graças, sobretudo, às redes sociais”.
Esse novo consumidor não quer apenas repetir os clássicos – ele quer explorar, experimentar e entender o que está bebendo, e fazer isso em um ambiente onde se sinta à vontade.
“O wine bar entra como resposta a essa demanda: ele oferece acesso, variedade por taça, informalidade no serviço e, ao mesmo tempo, curadoria. Ele acompanha e estimula essa evolução do paladar e do comportamento”, resume Malizia.
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Mas que, afinal, define um wine bar e o distingue de um espaço tradicional com uma boa carta de vinhos? A resposta está na inversão de papéis, que coloca o vinho como protagonista. Como define Isaac Azar, “o wine bar tem em sua essência o vinho como pièce de résistance. Ou seja, tudo gira em torno do vinho, que de pano de fundo passa a ser protagonista do estabelecimento”.
Essa filosofia tem implicações diretas no conceito, mas também na operação do negócio. Em um wine bar autêntico, o menu de comidas é pensado para servir ao vinho, e não o contrário.
“Se você for a um wine bar porque gostou de um prato específico, então o wine bar pode estar fugindo da sua essência”, adverte Azar, traçando um paralelo esclarecedor: “Ir a um wine bar para comer e não beber é como ir a um boteco só para comer petiscos”.

Rodrigo Malizia expande essa definição para além do cardápio, englobando toda a atmosfera do local.
“Diferente de um bar tradicional, onde predominam os drinques e cervejas, ou de um restaurante, onde o vinho apenas acompanha a comida, no wine bar o vinho é o centro da experiência — e isso se reflete na curadoria, na forma como o serviço é feito e até na arquitetura do espaço. Ele convida à descoberta, ao bate-papo com o sommelier, à taça do dia, à trilha sonora que toca ao fundo”, detalha.
Longe do estereótipo do enófilo, o público que hoje lota os wine bars no Brasil é heterogêneo. A imagem do especialista deu lugar a uma audiência diversificada, unida não pelo conhecimento, mas por um atributo muito mais democrático: a curiosidade.
“É um público muito diverso, mas o que une essas pessoas é o desejo de descobrir. Temos desde quem já entende bastante de vinho até quem está começando a se interessar agora, e todos são bem-vindos. A experiência do wine bar é justamente essa: um lugar onde você pode aprender sem pressão, experimentar sem medo de errar, e simplesmente curtir”, explica Rodrigo Malizia.
Ao mesmo tempo, à medida que o mercado amadurece, ele começa a se segmentar para atender a nichos específicos.
"Seguindo à tendência mundial, os wine bars no Brasil já estão buscando públicos específicos em suas propostas. Ou seja, já há no Brasil wine bars para os enófilos da mesma forma que existe para aqueles que buscam vinhos mais baratos, sem terem conhecimento aprofundado ou interesse aguçado pelo mundo do vinho”, aponta Isaac Azar.
Por outro lado, presença crescente do vinho no cotidiano do brasileiro, que um dia relacionou a bebida apenas à datas especiais, é mais um ponto em discussão.
“Com isso, cresce também o interesse por conhecer de onde ele vem, quem produz, como é feito. Há um movimento claro em direção ao consumo mais consciente – menos quantidade, mais qualidade. As pessoas estão mais abertas a provar novos estilos, explorar regiões menos óbvias e valorizar pequenos produtores”, completa Malizia.

Talvez o maior legado do movimento dos wine bars seja a sua capacidade de democratizar o acesso ao vinho.
“Os wine bars quebram a formalidade que por muito tempo afastou as pessoas do vinho. Ao permitir o consumo por taça, com uma boa variedade e equipe preparada para conversar, eles tornam o vinho mais acessível – tanto no preço quanto na experiência”, diz Rodrigo Malizia. “Cabe aos responsáveis dos estabelecimentos assumir um papel instrutivo para cativar o público de maneira orgânica”.
No fim, como resume Malizia, "democratizar não é simplificar, é incluir". E, ao incluir mais gente na conversa, os wine bars estão não apenas servindo taças, mas cultivando uma nova geração de amantes do vinho.
Se os wine bars são o palco, quais vinhos estão sob os holofotes? A resposta revela outra mudança de paradigma: a curadoria está se afastando dos rótulos famosos e das grandes marcas para focar em vinhos que contam uma história, que expressam um lugar.
"O que percebemos é um interesse crescente por vinhos autênticos – de produtores menores, com identidade forte e uma história por trás", relata Rodrigo Malizia. Ele observa que vinhos de menor intervenção, como os orgânicos e naturais, ganham espaço, mas não como uma mera tendência, e sim como parte dessa busca por caráter. "A busca não é por rótulos da moda, mas por vinhos bons de beber, com caráter e propósito", resume.
Como afirma Isaac Azar, “a seleção deve fazer parte do conceito escolhido para o negócio, de acordo com o tipo de público pretendido. Simples assim”.
De um rodízio de vinhos em Pinheiros a endereços que com seleção 100% brasileira, reunimos 8 wine bars em São Paulo e no Rio de Janeiro que valem a visita.
O projeto do chef Flávio Miyamura funciona integrado a uma loja da importadora Grand Cru, o que se reflete diretamente na diversidade de sua carta de vinhos. O cliente pode escolher rótulos da prateleira para consumir nas mesas, mas também explorar as opções em taça, que podem incluir desde um rosé francês como o Estandon Brise Maritime até um tinto argentino como o Cobos Felino Malbec.

O diferencial está nas degustações temáticas, chamadas de Wine Flights, que permitem provar curadorias de diferentes uvas e regiões. Endereço: R. Padre Carvalho, 55 - Pinheiros
Considerado o primeiro wine bar do Brasil, o Bardega opera com um sistema focado na autonomia do cliente. As paredes são preenchidas com máquinas Enomatic que conservam cerca de 100 rótulos e permitem que cada um se sirva em doses de 30ml, 60ml ou 120ml.

A seleção é ampla e rotativa, podendo apresentar desde um clássico Barolo italiano, como o Paolo Scavino Cannubi, a um rosé espanhol, como o Sonrojo Garnacha, dando liberdade total para a exploração de vinhos de diferentes partes do mundo. Endereço: R. Dr. Alceu de Campos Rodrigues, 218 - Itaim Bibi
Se o Bardega é o primeiro wine bar do Brasil, o Bocca Nera carrega o título de primeiro rodízio de vinhos do país. Por um valor fixo, o cliente tem acesso a cerca de 15 rótulos que mudam com frequência, incluindo espumantes, brancos, rosés, tintos e vinhos de sobremesa.

A ideia é provar diferentes vinhos sem compromisso e sem uma ordem definida, com seleção de rótulos em constante mudança, o que faz com que a experiência seja sempre uma surpresa. Endereço: R. Mourato Coelho, 1160 - Pinheiros
A Enoteca Nacional tem como missão apresentar a diversidade do vinho brasileiro. O espaço na Bela Vista trabalha exclusivamente com rótulos nacionais, com foco em pequenos e médios produtores.

A seleção passeia pelo país, oferecendo desde um espumante gaúcho como o Hermann Lírica Crua, por exemplo, até um tinto do Vale do São Francisco, como o Rio Sol Alicante Bouschet, provando a qualidade e a variedade do terroir brasileiro. Endereço: R. Prof. Sebastião Soares de Faria, 32 - Bela Vista
Comandado por um casal de baianos em Ipanema, o Virtuoso é dedicado aos vinhos naturais e de baixa intervenção. O ambiente une vinho, comida e música, com uma seleção de mais de 50 rótulos que muda constantemente, sempre com foco em produtores que seguem uma filosofia natural.

A carta é dinâmica, mas pode incluir vinhos de produtores de referência na cena, como os franceses da Les Terres Promises. Endereço: R. Gomes Carneiro, 130, Loja B - Ipanema
Em um casarão no Botafogo, o Libô se dedica exclusivamente a vinhos de produção sustentável, sejam eles orgânicos, biodinâmicos ou naturais. A carta, com cerca de trinta rótulos, reflete essa filosofia, oferecendo opções que fogem do convencional.

Entre as taças, portanto, é possível encontrar vinhos como o rosé argentino Mikron, feito com as uvas Malbec e Aglianico, ou um branco austríaco como o Rosza, do produtor Koppitsch. Endereço: Rua Conde de Irajá, 90 - Botafogo
O wine bar, que nasceu em São Paulo, levou ao Rio o conceito até então inédito na cidade carioca de vinhos servidos em torneiras. A proposta da casa é sustentável, mas descomplicada: oferece opções de vinhos brasileiros, todos de pequenos produtores, diretamente dos taps.

A seleção é rotativa, mas frequentemente inclui rótulos de vinícolas como a gaúcha Dom Dionysius ou a catarinense Vivente, permitindo provar vinhos sempre frescos, seja em taça ou enchendo um growler para levar. Endereço: R. Fernandes Guimarães, 93 - Botafogo

Com uma adega de mais de 250 rótulos, a casa em Botafogo oferece um bom panorama da vinicultura nacional. O portfólio inclui vinhos de todo o país e de diferentes perfis, desde um tinto da Campanha Gaúcha, como o Almaúnica Super Premium Cabernet Franc, por exemplo, até exemplares de uvas menos comuns no Brasil, como o Peculiare Saperavi. Endereço: R. Dezenove de Fevereiro, 151 - Botafogo
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