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BARILOCHE NA GELADEIRA

Bariloche ficou caro depois de Milei? Veja quanto custa uma viagem de 5 dias durante a alta temporada

Valorização artificial do peso e inflação ainda alta fizeram com que os serviços de turismo e a hotelaria tivessem um aumento significativo de preços

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Cerro Catedral, com vista para os lagos e montanhas de Barilcohe. - Imagem: iStock.com/shimura

A Argentina tinha se tornado o novo Eldorado dos turistas brasileiros. É bem provável que, nos últimos anos, algum conhecido seu (ou você mesmo) tenha aproveitado um feriado prolongado para dar um “pulinho” em Buenos Aires que, diga-se de passagem, estava mais barata que alguns dias em Trancoso. Ou talvez você tenha tido um “gostinho” de Alpes Suíços em um destino muito mais próximo e econômico até então: Bariloche

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O território dos hermanos oferece opções de turismo para todos os gostos: de praias a montanhas, de neve a deserto, de cidades cosmopolitas vibrantes a pequenas vilas com vinícolas.

E, antes, essas opções também cabiam em muitos bolsos.

A situação mudou desde que Javier Milei assumiu a presidência e empreendeu uma série de medidas econômicas para lidar com a inflação galopante da Argentina. No frigir dos ovos, o país deixou de ser uma pechincha e passou a se equipar a vizinhos como Chile e Uruguai

Com isso, muitos brasileiros vão precisar refazer as contas, se quiserem desfrutar da temporada de inverno no Cerro Catedral, a montanha mais célebre e disputada de Bariloche. 

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O que mudou no turismo na Argentina?

A distorção do valor do peso em relação ao dólar e ao real era algo tão complexo que tornou-se comum para os turistas usarem o câmbio paralelo (“blue”). 

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Se você foi para a Argentina recentemente, deve se lembrar que a dica principal de todos os especialistas era não trocar os reais por pesos no Brasil, e sim esperar para chegar no país e fazer o câmbio nas cuevas, que negociavam por um valor bem mais atrativo.

  • Exemplo: se, na cotação oficial, US$ 1 equivalia a 100 pesos, na cotação blue, o mesmo dólar poderia valer quase o dobro de pesos. 

Além do câmbio favorável, os preços das refeições — e dos vinhos — também eram um outro atrativo, principalmente para os brasileiros acostumados com o alto custo da gastronomia em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro.

Era normal para um turista jantar em um restaurante argentino estrelado pagando um valor bem mais acessível do que em um local equivalente no Brasil. 

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“O câmbio, especialmente o paralelo, estava favorecendo muito o turista estrangeiro. E as pessoas optavam pela Argentina em detrimento de outros destinos no mundo. Excluindo a parte aérea, o custo do país era até 50% menor do que em outros países da América Latina, como Chile e Colômbia”, relembra Gianlucca Nahas, CEO da agência de turismo FlyBy.

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Imagem aérea de Bariloche durante o inverno. Fonte: iStock.com/Buenaventuramariano.

A decisão de Milei de sustentar uma valorização artificial do peso, mesmo com a inflação ainda alta, mudou tudo para o turismo.

  • Explicando: normalmente, quando um país tem inflação tão alta, a moeda também desvaloriza rapidamente para refletir essa perda de poder de compra. Mas como o governo segurou o câmbio, foi criada uma distorção econômica em que os preços internos aumentaram muito, mas o câmbio não acompanhou. Um estudo divulgado pelo Financial Times revela que o peso desvalorizou apenas 18% de janeiro a novembro de 2024, enquanto a inflação foi de 112% no mesmo período 

Por um lado, os argentinos viram os salários subirem em dólares, o que impulsionou as viagens dos hermanos para países vizinhos, incluindo o Brasil.

Por outro, a Argentina tornou-se um país caro, com os preços dos serviços turísticos ficando cada vez mais puxados. Alimentação, transporte, hotelaria… todos esses segmentos tiveram que se adaptar à inflação que, dessa vez, não teve o câmbio barato para “compensar” os efeitos. 

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Nahas comenta que agora, sem contar as passagens aéreas (que até ficaram mais baratas devido à queda da demanda), uma viagem para o país está até 70% mais cara para os brasileiros. 

Já quando o assunto são as viagens de luxo, a Argentina, na verdade, nunca foi barata, uma vez que os melhores hotéis sempre tiveram tarifas dolarizadas, explica a sócia da agência de luxo Matueté, Gabriela Figueiredo. “O que encareceu muito foram os serviços, mas proporcionalmente são coisas que impactam menos [do que os hotéis].”

A “vantagem” para esse segmento da indústria turística é que o público de alta renda é menos afetado pela alta das tarifas, por já estar habituado a preços mais altos, explica Figueiredo. 

Como consequência do encarecimento, o número de turistas internacionais no país caiu quase 20% comparando janeiro de 2024 e janeiro de 2025, de acordo com dados do INDEC (Instituto Nacional de Estadística y Censos de la República Argentina).

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Já o número de argentinos que viajaram para fora do país subiu 73% em comparação com 2024. 

É importante ressaltar que o turismo representou quase 9% do PIB (Produto Interno Bruto) da Argentina em 2023, segundo o Conselho Mundial de Viagens e Turismo. Portanto, uma crise no setor pode ter impactos relevantes para a economia. 

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Estação de ski em Bariloche. Fonte: iStock.com/Cristian Lourenço.

Quanto custa uma viagem para Bariloche em 2025?

Com cinco dias em Bariloche, já é possível fazer o “básico” dos principais passeios e aprender o suficiente de ski e/ou snowboard para aproveitar a montanha de neve.

A temporada de inverno, que começa no final de junho e se estende até os primeiros dias de setembro, é a mais procurada pelos turistas estrangeiros. Para os argentinos, Bariloche também é visto como um belo destino de verão, por conta dos lagos e do clima bucólico e mais ameno, para quem quer fugir das ondas de calor. 

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Através do Google Flights, calculamos o preço médio das passagens para uma viagem entre os dias 1º e 6 de julho, partindo de São Paulo. 

Com escalas, geralmente em Buenos Aires, a ida e volta saem por cerca de R$ 3.200 por pessoa. Se quiser um voo direto, o valor já sobe para perto de R$ 3.700.

Entre as companhias aéreas que operam o trecho, estão a Gol, a LATAM, a Aerolíneas Argentinas e a Azul. Nos períodos de alta temporada, é normal que o número de voos diários aumente, o que dá mais flexibilidade aos viajantes.

A cidade é bem servida de hospedagens, com opções tanto no centro, perto dos principais serviços, lojas e restaurantes, quanto na saída para o Cerro Catedral. É possível encontrar também muitas cabanas e apartamentos, com vistas bonitas para as montanhas. 

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Hotéis e pousadas simples, mas bem-avaliados no Booking (nota acima de 8), saem por volta de R$ 2.000 para as cinco diárias.

Hospedagens mais luxuosas, como o hotel Heaven Catedral e o Llao Llao Resort, não se encontram por menos de R$ 10.000, pela mesma quantidade de dias.

No inverno, também é preciso considerar o aluguel de roupas adequadas para a neve, assim como os passeios para as estações de ski e demais atrações turísticas. 

Os preços variam bastante de acordo com o esperado pelo viajante, pelo tempo e pelo meio de transporte usado. Um tour privado por Bariloche pode sair por cerca de R$ 3.000, enquanto uma opção mais econômica sai a R$ 200. 

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A recomendação de Gabriela Figueiredo, da Matueté, é tentar fechar todos os passeios com cotação em dólar, antes da viagem, e deixá-los pré-pagos, para não ficar refém do câmbio instável da Argentina. 

No centro de Bariloche, é possível encontrar tanto as lojas para aluguel de trajes invernais quanto as agências de turismo receptivo. Caso você queira sentir o clima da cidade antes de definir os passeios, com certeza encontrará opções para decidir na hora. 

Quanto à alimentação, planeje-se para uma média de R$ 80 a R$ 100 a refeição, em restaurantes bem avaliados da cidade.  

Por ser um destino com muitas atividades esportivas, é recomendável contratar também um seguro viagem, ainda que a contratação não seja obrigatória para entrar na Argentina. Algumas bandeiras de cartão de crédito oferecem o serviço gratuitamente. 

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Bariloche à noite. Fonte: iStock.com/Buenaventuramariano

Outros destinos de neve na América Latina

A popularidade de Bariloche, principalmente entre os brasileiros, acabaram levando a cidade a sofrer com o fenômeno do overtourism na alta temporada. 

A boa notícia é que, para quem quer fugir da superlotação de Bariloche, existem outras opções tanto na Argentina quanto no Chile. 

“O destino é bonito, tem bons hotéis, a neve é boa. Mas como ficou superlotado, a cidade perdeu muito charme. Então, os viajantes estão procurando alternativas”, diz Gabriela Figueiredo. 

Claro, a estrutura não é a mesma das cidades invernais mais célebres da Europa e dos Estados Unidos. Segundo a sócia da Matueté, para o turista de luxo, é difícil encontrar o “pacote completo da cidade charmosa, do hotel bom, da pista incrível, proximidade do aeroporto, da proximidade da pista do hotel”.

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Ainda assim, alguns destinos argentinos e chilenos têm se destacado para quem busca neve próximo ao Brasil. 

Na própria Argentina, a Rota dos 7 Lagos, entre San Martín de los Andes e Villa La Angostura, é uma opção um pouco mais fora do senso comum, com a vantagem de ser próxima de Bariloche, o que facilita a operação logística e até permite um “pulinho” na cidade. 

No extremo sul do país, Ushuaia, considerada a “cidade do fim do mundo” por ser a cidade mais austral do planeta, também tem se destacado como opção para o inverno.

Para Gianlucca Nahas, da FlyBy, o Chile tem uma estrutura “com muito mais qualidade dos meios de elevação do que a Argentina”. 

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Nesse sentido, ele indica as estações de La Parva e Valle Nevado, que já estão vendendo ingressos para a temporada de inverno de 2025 no site oficial.

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