Resposta dos EUA à condenação de Bolsonaro deve vir nos próximos dias, anuncia Marco Rubio; veja o que disse secretário de Estado norte-americano
O secretário de Estado norte-americano também voltou a criticar o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes

Mais uma vez, Marco Rubio se manifestou sobre uma possível resposta dos EUA à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro. Nesta segunda-feira (15), o secretário de Estado norte-americano afirmou que as medidas contra a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) devem ser anunciadas na próxima semana.
O chefe da diplomacia dos Estados Unidos deu o prazo para a retaliação em entrevista à rede Fox News, após ser questionado sobre a sentença da Primeira Turma do STF em julgamento da semana passada.
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa, dano qualificado contra patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.
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“Esses juízes ativistas, um em particular, não só foi atrás de Bolsonaro, ele também tentou fazer reivindicações extraterritoriais contra cidadãos norte-americanos ou contra alguém postando online dentro dos EUA, ameaçando ir mais longe nesse sentido”, afirmou Rubio, referindo-se ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso de Bolsonaro no STF.
Apesar das críticas a Moraes e à Suprema Corte, Rubio não detalhou quais são as possíveis medidas planejadas em resposta à condenação do ex-presidente brasileiro.
Caça às bruxas
Esta não é a primeira vez que o secretário de Estado norte-americano se manifesta sobre o assunto. Logo após a decisão, na última quinta-feira (11), Rubio afirmou que os EUA responderão de forma adequada ao que chamou de “caça às bruxas”.
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“As perseguições políticas do violador de direitos humanos Alexandre de Moraes continuam, já que ele e outros membros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram injustamente pela prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Os Estados Unidos responderão de forma adequada a essa caça às bruxas”, disse o secretário em postagem no X.
O tom do chefe diplomático, até o momento, diferiu do utilizado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que reagiu à condenação de Bolsonaro de forma mais contida.
"Eu achei que ele foi um bom presidente do Brasil. E é muito surpreendente que isso possa acontecer. Isso é muito parecido com o que tentaram fazer comigo, mas não conseguiram de jeito nenhum. Mas só posso dizer o seguinte: eu o conheci como presidente do Brasil e ele é um bom homem", disse Trump.
Vale lembrar que o republicano impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA em julho pelo que chamou de "caça às bruxas" contra Bolsonaro.
Moody’s teme reação dos EUA ao Brasil após condenação
A agência de classificação de risco Moody's afirmou no último sábado (13) que novas sanções dos EUA ao Brasil podem vir na forma de reversão das isenções concedidas a produtos brasileiros.
Em agosto, Trump promoveu um “tarifaço” contra produtos brasileiros, porém, uma parte relevante da pauta exportadora brasileira acabou isenta. No total, foram 694 produtos que ficaram de fora da taxação.
"Esses acordos podem ser revertidos se as tensões aumentarem", diz o vice-presidente e diretor de crédito sênior da Moody's para a América Latina, Adrian Garza, em comentário ao Estadão/Broadcast. Para ele, a situação é 'fluida'.
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Setores como o de exportações de aeronaves, petróleo e suco de fruta, que hoje figuram na lista de exceções tarifárias, são os mais vulneráveis, enquanto os bancos brasileiros também poderiam ser atingidos por eventuais medidas.
Para Garza, outro risco está no setor financeiro, que representa 22% do investimento estrangeiro direto dos EUA no Brasil.
"Os bancos brasileiros, até agora, evitaram sanções, mas medidas podem interromper operações transfronteiriças e minar a confiança dos investidores", alerta.
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