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Carolina Gama

Formada em jornalismo pela Cásper Líbero, já trabalhou em redações de economia de jornais como DCI e em agências de tempo real como a CMA. Já passou por rádios populares e ganhou prêmio em Portugal.

FORA DO CONSENSO

Por que El-Erian, um dos economistas mais renomados do mundo, defende que Powell renuncie ao Fed

Mais cedo, Trump voltou a criticar o chefe do banco central norte-americano e a defender juros na casa de 1% nos EUA

Carolina Gama
22 de julho de 2025
17:53
O economista Mohamed El-Erian está frente a frente com Jerome Powell, presidente do Fed. Ao fundo, a bandeira dos EUA.
Mohamed El Erian (esquerda) e Jerome Powell (direita) em imagem criada por inteligência artificial - Imagem: Aurora / Grok

Toda vez que Donald Trump sugere que Jerome Powell deve abrir mão do comando do Federal Reserve (Fed), o mercado torce o nariz e responde, muitas vezes, castigando ativos de risco como as ações. Não é à toa: uma mudança dessas no banco central é fonte de incerteza global. E quando quem defende essa renúncia é um dos economistas mais renomados do mundo?

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Certamente não provoca caos na bolsa — o S&P 500 terminou esta terça-feira (22) em novo recorde, ao 6.309,62 pontos — mas é uma opinião completamente fora do consenso e o próprio Mohamed El-Erian reconhece isso. 

O presidente do Queen's College e ex-chefe da gestora Pimco começa um post no X dizendo que as críticas desta terça-feira (22) a Powell e ao Fed se ampliaram para desvio da missão e que a autonomia do banco central norte-americano, neste contexto, deve ser prioridade.

“Os acontecimentos dos últimos dias reforçam minha opinião: se o objetivo do presidente Powell é salvaguardar a autonomia operacional do Fed (que considero vital), então ele deveria renunciar”.

"Reconheço que essa não é a visão consensual, que favorece sua permanência até o fim do mandato em maio. No entanto, é melhor do que o que está acontecendo agora — ameaças crescentes e ampliadas à independência do Fed — que, sem dúvida, aumentarão se ele permanecer no cargo", observou.

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Em relação à reação do mercado, El-Erian acredita que a maioria dos candidatos frequentemente mencionados para substituir Powell  no comando do Fed seria capaz de acalmar qualquer potencial nervosismo.

Trump volta a criticar Powell e o Fed

Mais cedo, Trump voltou a criticar o presidente do Fed, e defendeu cortes agressivos na taxa básica de juros, que “deveriam estar mais baixas do que a atual, em 1%”.

O banco central norte-americano vem mantendo os juros na faixa entre 4,25% e 4,50% ao ano, e tem indicado que vai esperar para ver os efeitos das tarifas comerciais nos preços.

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"Powell está fazendo um trabalho horrível", afirmou o republicano, acrescentando que "Powell sairá em breve de qualquer jeito; em oito meses estará fora".

O mandato de Powell acaba em maio de 2026 e, recentemente, especulações de que Trump havia preparado o rascunho da carta de demissão do presidente do Fed circularam na imprensa norte-americana. O Seu Dinheiro contou essa história e você pode conferir os detalhes aqui. 

Durante reunião com o presidente das Filipinas na Casa Branca, Trump voltou a acusar o Fed de agir com motivações políticas.

"Powell mantém taxas de juros altas provavelmente por motivos políticos", disse. 

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Para o republicano, os juros elevados têm causado impacto direto na economia real. "Taxas de juros altas estão trazendo problemas para compradores de imóveis", afirmou ele, embora tenha reiterado que "nossa economia está forte".

Presente na reunião, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, também criticou a postura da autoridade monetária. "Eles não devem se meter no que não é da conta deles", disse, em referência ao Fed.

Segundo Bessent, "eles deveriam estar reduzindo juros agora".

Para se somar à pressão por juros mais baixos, o chefe de equipe da Casa Branca, James Blair, confirmou nesta terça que visitará a sede do BC em Washington para inspecionar obras de renovação na quinta-feira (24). Se você quiser entender mais sobre a polêmica reforma do Fed, pode acessar aqui

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Bessent visitou a sede na segunda-feira (21) e defendeu que deveria haver uma revisão da decisão do banco central de reformar partes do prédio da instituição. 

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