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APERTEM OS CINTOS

Por essa nem o Fed esperava: Powell diz pela primeira vez o que pode acontecer com os EUA após tarifas de Trump

O presidente do banco central norte-americano reconheceu que foi pego de surpresa com o tarifaço do republicano e admitiu que ninguém sabe lidar com uma guerra comercial desse calibre

Montagem traz o presidente do Fed, Jerome Powell, em primeiro plano. Ele usa óculos e veste terno cinza escuro com camisa branca. Ao fundo, um cenário com a bolsa de NY e a bandeira dos EUA
Jerome Powell - Imagem: Canvas/ Montagem: Seu Dinheiro

O Federal Reserve (Fed) tem por princípio não se meter onde não é chamado, especialmente se o assunto envolve as políticas da Casa Branca. Não por acaso, Jerome Powell, presidente do banco central norte-americano, evitava falar da política comercial de Donald Trump — até agora. 

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Nesta quarta-feira (16), o chefão do BC dos EUA resolveu abandonar o discurso do esperar para ver e falou o que pensa sobre as tarifas de Trump. 

Powell reconheceu que foi pego de surpresa pelo tarifaço do presidente norte-americano e admitiu que as tarifas têm grande probabilidade de gerar ao menos uma aceleração temporária da inflação e tornar os efeitos inflacionários mais persistentes.

 "O nível dos aumentos tarifários anunciados até agora é significativamente maior do que o previsto. O mesmo provavelmente se aplicará aos efeitos econômicos, que incluirão inflação mais alta e crescimento mais lento", disse ele ao discursar para o Clube Econômico de Chicago.

"Não há experiência moderna para lidar com tarifas deste porte", acrescentou.

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Os mercados em Wall Street foram às mínimas da sessão com as declarações de Powell.

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A guerra tarifária se intensificou no dia 2 de abril, quando Trump anunciou as chamadas tarifas recíprocas, que variam de 10% a 50%, sobre mais de 180 países. 

Como resposta ao tarifaço, a China retaliou os norte-americanos e abriu as portas para uma escalada de taxas entre as duas maiores economias do mundo. 

Atualmente, as tarifas dos EUA sobre a China somam 245% no total. Do lado chinês, as taxas estão em 125%, além de outras medidas restritivas como a ordem de as companhias aéreas não receberem mais jatos de empresas dos EUA.

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O Fed entre a cruz e a espada de Trump

Para Powell, a obrigação do Fed é manter as expectativas inflacionária a longo prazo "bem ancoradas", mas uma provável interrupção por anos das cadeias de suprimentos das montadoras podem levar à uma persistência da inflação.

Ainda assim, ele diz que a economia dos EUA está posicionada no momento. 

"Apesar da maior incerteza e dos riscos de baixa, a economia dos EUA ainda está em uma posição sólida", disse Powell. 

Ele ponderou, no entanto, que "os dados disponíveis até agora sugerem que o crescimento desacelerou no primeiro trimestre em relação ao ritmo sólido do ano passado."

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DONALD TRUMP: GÊNIO ou LOUCO? A estratégia dos EUA por trás da GUERRA COMERCIAL com a CHINA

Dá para cortar os juros nesse cenário?

Segundo Powell, diante das incertezas com o tarifaço de Trump, o Fed pode manter a taxa de juros inalterada na reunião dos dias 6 e 7 de maio, enquanto aguarda "maior clareza antes de considerar quaisquer ajustes".

Na última decisão, no dia 19 março, o BC dos EUA manteve os juros na faixa de 4,25% a 4,50% ao ano, afirmando que as incertezas em torno das perspectivas econômicas haviam aumentado.

"O Fed está esperando para ver como as coisas vão se desenrolar antes de tomar qualquer tipo de medida em relação aos juros", disse Powell.

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