Vale (VALE3) deve apresentar balanço fraco, mas há chances de dividendos; o que esperar dos resultados no 4T24
O relatório operacional serviu como uma prévia do balanço e fez muito banco rever em baixa estimativas para a companhia entre outubro e dezembro

O provérbio diz que há tempo de plantar e tempo de colher. No caso da Vale (VALE3), o momento ainda é de semear para obter bons resultados no futuro. A mineradora apresenta nesta quarta-feira (19), após o fechamento do mercado, o balanço do quarto trimestre de 2024, e as projeções apontam para números mais fracos em base anual.
O desempenho, se confirmado, é explicado pela estratégia de valor sobre volume que marcou o período de outubro a dezembro de 2024, quando a Vale optou pela redução nos embarques de minério de ferro de alta sílica para priorizar a melhora no prêmio médio de qualidade.
Segundo os analistas Leonardo Correa e Marcelo Arizi, do BTG Pactual, a Vale tomou uma decisão sensata para proteger as realizações do preço do minério de ferro e o mix de produtos.
No entanto, a dupla alerta que o mercado precisará de mais clareza sobre a estratégia futura para compreender a extensão da lacuna entre as remessas e a produção daqui para frente.
Por isso, a expectativa é de que a Vale apresente resultados pouco animadores para os últimos três meses de 2024 e que 2025 seja um ano de transição para a empresa em termos operacionais.
Confira as projeções da Bloomberg para a Vale no quarto trimestre, em base anual:
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| Em reais | Em dólares | |
| Lucro líquido | 11,771 bilhões (-2,7%) | 2,039 bilhões (-16,5%) |
| Receita | 59,095 bilhões (-8,4%) | 10,130 bilhões (-22,4%) |
| Ebitda | 23,331 bilhões (-25,3%) | 4,042 bilhões (-36,2%) |
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A performance mais fraca, no entanto, não deve pegar o mercado de surpresa.
Segundo Ruy Hungria, analista da Empiricus Research, com a crise na China, a Vale tem buscado vender produtos de melhor qualidade para tentar conseguir preços mais elevados, o que culminou em menores volumes de produção.
“Devemos ver o resultado em queda, mas o investidor não deve se assustar com isso. O mercado já espera pela combinação de queda de preços e de volumes mais baixos. Temos recomendação de Vale na casa, focada na tese de dividendos”, afirmou Hungria ao programa Giro do Mercado, do Money Times, site do mesmo grupo do Seu Dinheiro.
“Entendemos que, em um cenário pressionado, com a China no radar, a companhia tem caixa para continuar distribuindo dividendos interessantes”, acrescenta o analista da Empiricus.
Hungria afirmou ainda que, de acordo com o histórico da Vale, há boas chances de a mineradora anunciar proventos aos acionistas junto com os resultados do quarto trimestre de 2024.
Vale: depois do plantio, a colheita
No quatro trimestre, a produção de minério de ferro da Vale somou 85,279 milhões de toneladas métricas (Mt), uma queda de 4,6% em base anual. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, houve baixa de 6,3%.
Já os volumes de vendas de minério de ferro e pelotas diminuíram 10% na comparação anual, para cerca de 81 milhões de toneladas. O Seu Dinheiro detalhou o relatório operacional e você pode conferir tudo aqui.
“Acreditamos que a empresa está recuperando a flexibilidade operacional que não demonstrou nos últimos anos, ajustando o mix de produtos de acordo com a demanda do mercado”, dizem os analistas do Goldman em relatório.
Depois dos dados de produção e vendas do quarto trimestre, o banco ajustou o Ebitda da mineradora para US$ 4,1 bilhões, 6% abaixo da projeção anterior.
O BTG lembra que a Vale entregou o guidance anual revisado de minério de ferro de 323-330 milhões de toneladas (Mt) e com um preço "decente" do preço do minério entre outubro de dezembro de US$ 93 — 1% acima das estimativas do banco.
Mas o banco ressalta que os metais básicos “decepcionaram marginalmente”, com remessas de cobre um pouco abaixo das previsões (1%) e o níquel com desempenho ligeiramente inferior (6%).
“Mantemos nossa visão de que a Vale apresentará resultados nada animadores no quarto trimestre — com Ebitda próximo de US$ 3,9 bilhões —, e 2025 sendo em grande parte um ano de transição para a empresa operacionalmente”, diz o BTG em relatório.
O Santander, por sua vez, avalia que os resultados de produção e vendas da Vale no quarto trimestre de 2024 adicionam um “risco positivo” para a estimativa do banco para o Ebitda do mesmo período da companhia, de US$ 3,9 bilhões.
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Em relatório, os analistas Yuri Pereira e Giovana Langanke afirmam que, como a mineradora vendeu menos produtos de alta sílica e de terceiros, os preços realizados do minério de ferro foram melhores que as previsões da equipe, a US$ 93 por tonelada — US$ 1,20 acima dos cálculos do banco.
Além disso, a dupla destaca que a produção de cobre atingiu 102 mil toneladas, enquanto a produção de níquel aumentou 1% na comparação anual, para 46 mil toneladas, o que contribui, na visão dos profissionais, para este “risco positivo”.
O Safra atualizou as projeções de Ebitda do quarto trimestre de 2024 para a Vale, após a empresa ter divulgado os dados operacionais do período.
A nova estimativa do banco é de que o indicador possa chegar a aproximadamente US$ 4,1 bilhões, um ligeiro aumento em relação à estimativa anterior, que era de US$ 4 bilhões, por conta dos números de remessas e preços realizados no período.
“A Vale conseguiu atingir as metas de produção propostas para 2024, e é importante ressaltar que a produção anual de minério de ferro estava no nível mais alto desde 2019”, afirmam os analistas Ricardo Monegaglia e Felipe Centeno, em relatório.
A dupla defende também que os resultados só não foram mais fortes por conta de um descompasso entre as vendas e a produção, algo que deve ser revertido ao longo do primeiro semestre de 2025.
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As ações da Vale
A crise da China, principal consumidora de minério de ferro no mundo, derrubou as cotações da commodity, pesando sobre as ações da Vale em 2024.
Os papéis da mineradora acabaram encerrando o ano com desvalorização de 23,3%, cotados abaixo dos R$ 55.
Em 2025, os ativos estão no zero a zero. Ainda assim, antes da apresentação do balanço do quarto trimestre, alguns bancos mantiveram a recomendação de compra para as ações da mineradora.
O Goldman é um deles, com preço-alvo de US$ 16 para VALE em 12 meses. O Itaú BBA, que também faz parte do grupo comprador de Vale, tem preço-alvo de US$ 12.
O Santander não só tem recomendação de compra, como elegeu a mineradora como sua top pick no setor de materiais básicos da América Latina.
Já o BTG tem indicação neutra para os papéis da companhia, com preço-alvo de US$ 11 para as American Depositary Receipts (ADRs).
Segundo o banco, a Vale carece de catalisadores para uma reclassificação, já que oferece dividend yield (retorno de dividendos) pouco atraentes, nas mínimas de 7% a 8%.
O Safra segue na mesma linha, com recomendação neutra para Vale, com preço-alvo de R$ 68.
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