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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

VEM OFERTA PELA FRENTE?

Vai dar adeus à bolsa? Ações da Desktop (DESK3) saltam com expectativa de venda para a Claro. O que está em jogo para a provedora de internet

Em meio aos rumores, as ações da Desktop chegaram a disparar cerca de 15% ao longo da sessão da última terça-feira

Camille Lima
Camille Lima
8 de outubro de 2025
8:48 - atualizado às 22:30
Desktop DESK3 IPO
Imagem: Ricardo Reis/Imprensa B3

A Desktop (DESK3) pode estar se preparando para dizer adeus à bolsa brasileira. A Claro, do grupo mexicano América Móvil, está em negociações avançadas para comprar a operadora de infraestrutura de banda larga, de acordo com informações do Brazil Journal.

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Em meio aos rumores, as ações da Desktop chegaram a disparar cerca de 15% ao longo da sessão da última terça-feira e encerraram o pregão com valorização de 9,71%, cotadas a R$ 11,30. Apesar da alta, os papéis ainda têm desempenho inferior aos pares do setor no acumulado do ano.

Em comunicado ao mercado, a Desktop confirmou que já teve conversas preliminares não vinculantes com a telecom sobre uma potencial transação. Porém, até o momento, a empresa diz que "não houve acordo sobre preço, estrutura e demais condições".

Segundo o documento enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Desktop afirma avaliar "continuamente oportunidades que possam contribuir para o desenvolvimento de seus negócios e para a geração de valor".

O que está em jogo na proposta da Claro

De acordo com o site, a negociação com a Claro prevê a aquisição completa da Desktop, o que poderia levar ao fechamento do capital da empresa, tirando de vez as ações DESK3 da bolsa.

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Neste momento, a Claro estaria conduzindo um processo de due dilligence — etapa fundamental para fusões ou aquisições —, mas ainda não fez uma oferta formal pela empresa, ainda de acordo com a publicação.

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Caso a operação vá para frente, esta será a primeira vez que uma das três grandes operadoras de telecomunicações do país comprará um provedor de serviços de internet (ISP).

Para o BTG Pactual, o negócio seria estrategicamente relevante para a Claro Brasil e fortaleceria a posição competitiva da telecom, especialmente em São Paulo.

Porém, uma eventual transação seria relativamente pequena para a mexicana América Móvil (AMX) e teria impacto limitado sobre o nível de endividamento, segundo os analistas.

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"A AMX tem acelerado a migração desses clientes para a fibra óptica (FTTH), a fim de protegê-los da concorrência das operadoras que oferecem exclusivamente fibra. A aquisição da Desktop aceleraria esse processo, pois traria 1,2 milhão de clientes já conectados por fibra e uma infraestrutura que a Claro poderia usar imediatamente para substituir a tecnologia legada", escreveram os analistas.

Além disso, a Desktop possui R$ 801 milhões em ágio (goodwill), que podem ser utilizados como escudo fiscal, tornando a transação ainda mais atrativa.

Para o BTG, mesmo que a mexicana precise pagar um prêmio sobre o preço de mercado atual da Desktop (DESK3), o impacto seria modesto, sem alterar significativamente a capacidade de continuar remunerando os acionistas nos próximos anos — e as possíveis sinergias do negócio também poderiam ajudar a compensar esse efeito.

Na avaliação do BTG, o desempenho no curto prazo das ações da Desktop dependerá dos próximos passos sobre a transação. Mas, mesmo depois da performance forte da última sessão, os analistas ainda veem espaço para valorização.

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Segundo os analistas, apesar do rali, a Desktop é negociada a 4,2 vezes o valor de firma (EV) sobre o Ebitda estimado para 2026 e 7 vezes o preço/lucro projetado para o mesmo ano. Os múltiplos estão abaixo dos das teles globais (de cerca de 12 vezes o P/L para 2026), aquém do patamar da Brisanet (em torno de 14 vezes), e em linha com a Unifique.

Na visão do analista da Suno Research, Bernardo Viero, não há como saber exatamente em que fase estão as negociações e nem se a Claro aceitaria a autoavaliação da Desktop.

Nas contas do analista, a empresa apresentou um valor de mercado cerca de 123% superior ao atual, considerando a média de 7,5 vezes em que eles estariam se avaliando e descontando a dívida líquida ajustada do negócio.

Porém, segundo Viero, "o movimento serve como uma sinalização em prol do entendimento de que algumas ISPs estão relevantemente subavaliadas em bolsa ante o patamar de resultados que vêm sendo entregue, com possíveis transações entre ISPs e incumbentes podendo servir como gatilhos para o mercado passar a enxergar o valor dessas teses de investimento".

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O histórico da Desktop

Esta não é a primeira vez que a Desktop negocia uma potencial transação com outra grande telecom.

No ano passado, a empresa chegou a ter discussões com a Telefônica Brasil (VIVT3), dona da Vivo, para uma possível fusão. Porém, o presidente-executivo da Telefônica afirmou que ainda havia questões que precisavam ser analisadas na época, como a sobreposição de redes.

A Desktop estreou na B3 em 2021 com captação de R$ 715 milhões. Desde a abertura de capital, as ações da companhia amargam perdas da ordem de 55%. Hoje, a empresa é avaliada em pouco mais de R$ 1,3 bilhão na bolsa.

A empresa se apresenta como líder de mercado de telecomunicações no Estado de São Paulo e um dos maiores do Brasil.

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Sob a ótica financeira, a empresa registrou um segundo trimestre morno e dentro das expectativas, resultado da estratégia de se preparar para a desaceleração esperada no setor desde o ano passado, com foco reforçado na retenção de caixa.

Confira os principais indicadores do 2T25:

  • Lucro líquido ajustado: R$ 35 milhões (-34% a/a);
  • Receita líquida: R$ 297 milhões (+6% a/a);
  • Ebitda ajustado: R$ 154 milhões (+7% a/a);
  • Margem Ebitda ajustada: 52% (+0,4 p.p. a/a);
  • Caixa Total (EoP): R$ 661 milhões em 30 de junho de 2025.

Ao fim de junho, a empresa contava com uma rede disponível a 4,78 milhões de residências (HPs) e 1,17 milhão de casas conectadas (HCs), com uma infraestrutura própria de rede de fibra óptica com 57 mil quilômetros.

Na época, a Empiricus Research classificou o resultado como "honroso" e manteve recomendação de compra para as ações DESK3. "Enquanto o setor de fibra é atrapalhado pelas condições macro, Desktop continua entregando resultados sólidos, mantendo disciplina de caixa e endividamento controlado", escreveram os analistas.

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