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DE SEGUNDA

Méliuz (CASH3) consegue mudar estatuto e pode adotar bitcoin (BTC) como principal ativo estratégico da tesouraria

Os planos da plataforma para investir em criptomoedas começaram no dia 6 de março, quando anunciou que havia usado 10% de seu caixa para comprar bitcoin

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15 de maio de 2025
19:10 - atualizado às 14:49
Logo do Méliuz envolto por bitcoins
Imagem: Montagem Canva Pro/ Seu Dinheiro

Dessa vez deu certo. A plataforma de cupons de desconto e cashback Méliuz (CASH3) conseguiu alterar o estatuto da empresa, em assembleia realizada nesta quinta-feira (15), permitindo o investimento pesado em bitcoin (BTC). Como esta foi a segunda convocação, não foi necessário quórum mínimo.

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Com a aprovação, o Méliuz se tornou a primeira Bitcoin Treasury Company do Brasil e da América Latina. Na prática, a mudança significa investir na maior criptomoeda do mundo, tendo uma parcela significativa da reserva da tesouraria, com o objetivo de capitalizar os retornos expressivos de longo prazo do bitcoin.

A primeira decisão do Méliuz após a mudança do estatuto foi adquirir 274,52 bitcoin por aproximadamente US$ 28,4 milhões a um preço médio de US$ 103.604,07 por criptomoeda. Com a primeira compra realizada em março deste ano, o Méliuz já tem em posse 320,25 bitcoin, adquiridos a um preço médio de US$ 101.703,80 por criptoativo.

Na assembleia anterior, realizada no começo do mês, a empresa não atingiu o quórum mínimo de 66% dos acionistas para colocar seu plano em ação. Ao todo, 60,9% dos acionistas compareceram.

Os planos da plataforma para investir em criptomoedas começaram no dia 6 de março, quando anunciou que havia usado 10% de seu caixa para comprar bitcoins. Na época, a companhia investiu em 45,72 bitcoins por aproximadamente US$ 4,1 milhões a um preço médio de US$ 90.296,11 cada.

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A CASH3 gostou e quis mais. Em meados de abril, a empresa convocou uma assembleia geral para votar a possibilidade de investir pesado na criptomoeda, tornando-a um ativo de longo prazo estratégico para as operações.

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As ações CASH3, então, passaram a operar em forte alta. Neste ano, o papel acumula valorização de 206,67%, sendo 115,06% somente no último mês.

Empresa diz que não vai mudar seu negócio principal

No centro da assembleia de hoje estava a votação da proposta que muda o objeto social do Méliuz, para contemplar a possibilidade de investimentos em bitcoin como estratégia de negócios — mas sem mudar seu negócio principal, afirma a companhia.

“O objetivo do Méliuz será, a partir da aprovação das matérias da AGE, adotar o bitcoin como principal ativo estratégico da tesouraria da companhia, além de fomentar a geração incremental de bitcoin para os seus acionistas, seja por meio da geração de caixa operacional ou por eventuais operações financeiras e iniciativas estratégicas”, dizia o comunicado ao mercado divulgado em abril.

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A geração de caixa em moeda corrente permaneceria, até porque “a geração de caixa das operações é fundamental para a estratégia de adquirir mais bitcoin ao longo do tempo”, dizia também o texto.

Reembolso para quem pular fora 

Aqueles acionistas que não desejarem mais participar da empresa e não compareceram à AGE poderão solicitar o reembolso de suas ações, segundo o comunicado ao mercado. 

O valor estabelecido foi de R$ 3,93 por ação, com base no balanço patrimonial do Méliuz em dezembro de 2024. 

As ações CASH3 operam atualmente por volta de R$ 7, acumulando valorização de quase 150% só neste ano.

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Poderão pedir o reembolso os acionistas que já detinham as ações CASH3 antes de 14 de abril de 2025 e que permanecerem investidos até o momento da solicitação. 

Analistas veem estratégia do Méliuz (CASH3) com cautela

Quando a primeira compra de bitcoins foi anunciada pelo Méliuz, analistas avaliaram o movimento com ressalvas.

Segundo o CIO e estrategista-chefe da Empiricus, Felipe Miranda, apesar de a empresa ter caixa e saúde financeira suficientes para fazer a aquisição do bitcoin, a decisão de alocação sinalizava uma “empresa desfocada”.

“Quem compra ação do Méliuz deveria estar investindo no modelo de negócio proposto pela empresa, e não em uma alocação especulativa em criptoativos. Se o investidor individual acredita na valorização do bitcoin, ele pode comprá-lo diretamente”, avaliou Miranda.

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“Eu vejo essa decisão como um sintoma de uma empresa desfocada. O Méliuz poderia estar concentrado em fortalecer seu core business e gerar valor para seus acionistas. Pode ser um sinal preocupante.”

A XP Investimentos também avaliou a estratégia com cautela, especialmente porque a empresa não opera com criptomoedas em seu negócio principal de cashback.

“Essa política de caixa parece desconectada dos objetivos operacionais da companhia, gerando incertezas sobre sua eficácia e levantando questionamentos sobre a capacidade da empresa de reinvestir sua geração de caixa em suas atividades principais”, disseram os analistas.

No entanto, a XP avaliou que o bitcoin poderia evoluir como uma reserva de valor no futuro, o que justificaria essa alocação se a estratégia for melhor alinhada com as operações do Méliuz.

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Já Inácio Alves, analista da Melver, fez um paralelo da nova estratégia de tesouraria do Méliuz com as apostas frustradas da Sadia em câmbio, nos anos 2000.

Vale ressaltar que o frigorífico adotou operações em derivativos de câmbio como uma forma de dupla proteção contra a variação do dólar. No entanto, essas apostas não tiveram o resultado esperado e, diante das enormes perdas financeiras, a Sadia viu-se na necessidade de se fundir com a Perdigão para garantir sua sobrevivência.

“Se o Méliuz não colocar em risco sua saúde financeira, pode ser uma excelente estratégia de geração de recurso extra no longo prazo. Porém, se começar a dar muita atenção para a alocação do bitcoin e deixar de lado o negócio principal, eu entendo que a empresa poderia ter o mesmo destino da Sadia, sem conseguir controlar bem os riscos e acabar trocando os pés pelas mãos”, avaliou.

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